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A linguagem das figuras geométricas

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«Desde tempos muito remotos que os homens têm procurado uma linguagem ao mesmo tempo universal e sintética, e as suas investigações levaram-nos a descobrir imagens, símbolos, que exprimem, reduzindo-as ao essencial, as realidades mais ricas e mais complexas. As imagens, os símbolos, falam, têm uma linguagem, mas a linguagem simbólica absoluta é a das figuras geométricas. As figuras geométricas são como que uma estrutura, o esqueleto da realidade... Mas estas formas, ainda que reduzidas ao estado de esqueleto, não estão mortas, pois representam realidades vivas no homem e no Universo. Por isso, para podermos interpretá-las devemos vivificá-las, insuflar-lhes o espírito; elas não significarão nada enquanto nos limitarmos a estudá-las exteriormente a nós.»

Omraam Mikhaël Aïvanhov


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ÍNDICE
A linguagem das figuras geométricas Omraam Mikhaël Aïvanhov I - O simbolismo geométrico II - O círculo III - O triângulo IV - O pentagrama V - A Pirâmide VI - A cruz VII - A quadratura do círculo
Omraam Mikhaël Aïvanhov
A linguagem das figuras geométricas
Coleção Izvor – N.° 218
Traduzido de: «Le langage des figures géométriques» Autor:Omraam Mikhaël Aïvanhov © Editions Prosveta S. A . – B.P. 12 – Fréjus – Fra nce ©1984 by Editions Prosveta– ISBN 2-85566-297-4
ISBN 978-989-8147-21-9
©ÉDITIONS PROSVETA S.A. Z.A. Le Capitou – 1277 rue Jean Lachenaud 83600 FRÉJUS – FRANCE
Também disponível em versão impressa
www.prosveta.com
international@prosveta.com
©PUBLICAÇÕES MAITREYA Rua do Almada, 372, 4° esq 4050-033 PORTO – PORTUGAL
O leitor compreenderá melhor certos aspectos dos te xtos do Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov apresentados nesta obra se tiver e m consideração que se trata de um Ensinamento estritamente oral.
Omraam Mikhaël Aïvanhov
I O simbolismo geométrico
Desde tempos muito remotos que os homens têm procurado uma linguagem ao mesmo tempo universal e sintética, e as suas invest igações levaram-nos a descobrir imagens, símbolos, que exprimem, reduzindo-as ao es sencial, as realidades mais ricas e mais complexas.
Vós também podeis fazer essa experiência. Se medita rdes muito, muito tempo, sobre um assunto, vereis que no vosso subconsciente ou no vosso supraconsciente se cristalizará uma forma simbólica – de um objecto ou de uma figura geométrica – que corresponde absolutamente à ideia, ao pensament o, à verdade que vos preocupa. Aliás, é assim que se explicam os sonhos. Por uma p arte do seu ser, o homem está ligado a todo o Cosmos, vive e vibra com a Alma Cós mica, a Alma Universal; ele está, portanto, em contacto com o mundo dos arquétipos, d os princípios, das leis. Se meditardes sobre certas verdades que se encontram e m níveis muito elevados do plano causal, produzir-se-á um movimento nas profun dezas do vosso ser e aparecerá na vossa consciência uma forma simbólica. A respost a a questões que colocais a vós próprios pode aparecer também sob a forma de um sím bolo, que deveis interpretar.
Para compreender como este processo é possível, é p reciso saber que, pela sua estrutura, o ser humano reflecte a totalidade do Un iverso. Tudo o que existe no Céu, no Inferno e sobre a terra se reflecte nele. Portan to, quando um Iniciado começa a meditar num determinado assunto, processa-se simult aneamente no seu foro interior todo um trabalho de decantação, de cristalização em torno de uma linha de força... e, finalmente, surge na sua subconsciência ou na sua s uperconsciência um símbolo que corresponde a uma condensação, a um resumo da sua m editação. É a Natureza que lhe dá a resposta.
Se fosse ele que tivesse de encontrar a correspondê ncia exacta, nunca mais lá chegaria, tão vasta e múltipla é a realidade! Só a Natureza pode fazê-lo, porque para ela é matemático, automático.
Sim, é a Natureza que, depois de ter feito uma tria gem, uma condensação, vos apresenta o símbolo como que para vos dizer: «Eis, expresso por esta imagem, o tema no qual meditavas, esse sentimento, esse pensa mento, essa inspiração...» Eu, por exemplo, durante anos procurei, nas minhas medi tações, nas minhas contemplações, elevar-me muito alto a fim de abarca r o mundo com um só olhar, de descobrir uma visão sintética que permitisse aperce bê-lo na sua unidade, e a imagem que me foi apresentada foi a do cone, cuja projecçã o geométrica é um círculo com o seu ponto central. É por isso que eu considero essa figura como um símbolo do Universo. O ponto central é idêntico ao vértice, ao cume, que mantém e congrega tudo, e é desse cume que se pode ver a unidade da v ida em todas as suas manifestações.
É importante debruçarmo-nos sobre os símbolos, porq ue o símbolo é a linguagem
da própria Natureza. mas, para a maioria das pessoa s, esta linguagem é ainda indecifrável. Vós direis que já lestes livros sobre a interpretação dos sonhos... muito bem, mas eu não tenho grande confiança nesses livro s, porque, muitas vezes, as interpretações que eles contêm não correspondem à realidade, são puras invenções. Pelo facto de uma pessoa ter sonhado com uma serpen te, um precipício ou um touro que a perseguia, e em seguida se ter concretizado u m determinado acidente, generaliza-se o significado dessas imagens. mas pod e acontecer que, para outras pessoas, esses sonhos não tenham o mesmo significad o. É como com os medicamentos: se um medicamento curou alguém, dão-n o a toda a gente, mas nem toda a gente se cura com ele. Vós perguntareis: «En tão não existe uma correspondência absoluta?» Sim, existe uma correspo ndência absoluta, mas também existe uma correspondência individual. É preciso, p ortanto, conhecer a correspondência geral, mas ter também em consideraç ão as nuanças individuais, pois é aí que aparecem certas diferenças.
As imagens dos sonhos são, pois, uma linguagem, mas a linguagem das imagens não é ainda a linguagem simbólica absoluta. A lingu agem simbólica absoluta é a das figuras geométricas. As figuras geométricas são com o que o esqueleto da realidade, ao passo que as imagens têm ainda, se assim se pode dizer, um pouco de carne, de pele e de músculos. Os sonhos são ainda formas vestidas. É preciso aprender a ver os símbolos no seu aspecto “esquelético” e para isso é preciso ir muito mais longe e mais alto, lá onde eles se encontram completamente a des coberto, onde eles estão reduzidos a puras abstracções: as figuras geométric as.
Acontece com os símbolos o mesmo que com o ser huma no. Ele é um esqueleto, uma estrutura à qual vieram acrescentar-se a carne, os nervos, as artérias, as veias, a gordura, a pele... mas, quando ele morre, desfaz-se de novo, tudo desaparece, só fica o essencial: o esqueleto.
Quando os Iniciados do passado traçavam uma linha v ertical ou horizontal, um círculo ou um ponto, e em seguida os combinavam – n uma cruz, num triângulo, num quadrado, num pentagrama, num hexagrama – ou desenh avam a serpente mordendo a sua cauda... eles punham em cada uma destas figuras toda uma ciência eterna. A linguagem simbólica, que é a linguagem universal, representa a quinta-essência da sabedoria. As imagens pertencem ainda ao plano astral, ao passo que os símbolos geométricos pertencem ao plano causal. Os cristais são considerados como símbolos do plano causal porque eles são a expressão duma ge ometria pura. Vós direis: «mas os cristais são minerais e o reino dos minerais é o menos evoluído, dado que é o mais material, não é verdade?» Sim, mas o que está em ba ixo é como o que está em cima, e os cristais reflectem o mundo causal. Portanto, o que está mais em baixo – os cristais, os metais, as pedras – reflecte o mundo m ais elevado, o mundo sublime. Eu já vos disse isto: o que está em baixo é como o que es tá em cima, no Alto, mas invertido.
Agora, vamos mais longe. Se vos concentrardes, se m editardes, para encontrar a resposta a um problema que vos preocupa, podereis v er aparecer essa resposta na vossa consciência como uma imagem ou uma forma geom étrica. mas o inverso também é verdadeiro, e eu tenho-vos mostrado muitas vezes como, a partir de um determinado símbolo, é possível chegar às ideias e às verdades que ele concretiza. É por isso que aquele que sabe elevar-se até contempl ar um símbolo no mundo dos arquétipos sente produzir-se na sua alma uma multip licidade de movimentos e de vibrações que fazem vir à sua consciência todo um m undo de ideias e de imagens que
nascem naturalmente à volta desse símbolo. O símbol o pode ser, pois, um ponto de partida que nos permite retomar contacto com o mund o que ele resume. É o que explica a existência de tantas figuras e pentáculos na Ciência Esotérica. Para os Iniciados, são meios que lhes permitem retornarem à s regiões de que o símbolo é um resumo, ligarem-se a elas e vivenciarem a sua exist ência.
Portanto, assim como o mundo divino do pensamento p ode cristalizar-se nos símbolos, também, diluindo esses símbolos, isto é, ressuscitando-os e vivificando-os na nossa alma, podemos descobrir e captar todas as riquezas que eles contêm. Conta-se que Pitágoras, quando queria pôr à prova o s que desejavam ser seus discípulos, deixava-os num compartimento apenas com uma pequena bilha de água e um pedaço de pão, dando-lhes um símbolo para decifrarem: um triângulo ou um círculo, por exemplo... Ele sabia que aquele que co nhece os métodos pode elevar-se muito alto e ver a correspondência dum símbolo no m undo das ideias.
Quantas vezes não vos falei eu já da semente! Vós tendes uma semente minúscula, plantai-la e um dia ela torna-se uma árvore formidá vel. No pas-sado, os Sábios, os Iniciados, viram que por toda a parte, na Natureza, na alma, nos pensamentos, se desenrolava o mesmo processo de desenvolvimento, e, portanto, também eles condensaram toda uma árvore numa semente. Que semen te é esta? É, justamente, um símbolo. O Iniciado planta-o na sua mente, rega-o com frequência e a árvore começa a crescer; então, o Iniciado trabalha e rega la-se à sombra dessa árvore, colhe os seus frutos, guarda as sementes, planta-as, e tu do recomeça... O mundo dos símbolos é o mundo da vida. A vida trabalha com sím bolos e manifesta-se através deles; cada objecto é um símbolo que contém vida. P ara penetrar na vida, é preciso trabalhar com os símbolos e, inversamente, para des cobrir os símbolos e compreender tudo o que eles contêm é preciso viver a verdadeira vida.
Vós perguntareis: «mas para que serve um símbolo?» Eu responder-vos-ei: «E para que serve uma semente?» É impossível transportar um a árvore e uma floresta inteira, mas é possível transportar sementes. Os símbolos sã o as sementes que podeis plantar; assim, vós trabalhais com uma dezena de símbolos e possuís todas as ciências. É impossível transportardes convosco, para toda a parte, todos os livros e todas as bibliotecas da humanidade, mas com alguns símbolos na vossa cabeça isso já é possível, pois os livros todos estão resumidos em alguns símbolos.
O pensamento, como a Natureza, é regido por dois processos inversos: a condensação e a di-luição. Podeis condensar um prob lema filosófico até o reduzirdes a uma frase, a uma semente. E, inversamente, podeis desenvolver essa frase, essa semente, até abarcardes o Universo inteiro, e terei s uma árvore! Agora, é essencial para vós que vos exerciteis nestes dois domínios: c ondensar e em seguida diluir; cristalizar, sintetizar, e em seguida introduzir a vida, fazê-la crescer e circular... São, se quiserdes, os dois processossolveecoagula: diluir e condensar. Se quiserdes ver as coisas em todo o seu esplendor, em toda a sua exten são e na subtileza da sua matéria, vós diluí-las até ao infinito, até deixard es de as ver, até as fazerdes desaparecer na eternidade, e isso ésolve. Em seguida, se quiserdes voltar a vê-las, fazê-las aparecer, condensai-las, e isso écoagula.
É importante aprofundar a linguagem dos símbolos, p ois, ao tornar evidentes as ligações, as correspondências entre as coisas, ela revela a profunda unidade da vida. Porque a vida tem isto de particular: tudo nela está perfeitamente congregado e
ajustado, cada coisa está no seu lugar funcionando em ligação com as outras. Quando a ligação é cortada, dá-se a morte. Por isso, eu ch ego à seguinte conclusão: quando o homem se exercita para encontrar as afinidades e as correspondências entre as coisas, quando ele consegue descobrir que a coesão do Universo inteiro assenta justamente nessas correspondências, ele vivifica-se . Vós direis: «mas ele já estava vivo!» Não, vós confundis a verdadeira vida com a v italidade, a vida vegetativa. Evidentemente, ele come, bebe, gesticula, mas a vid a tem graus e o homem ainda não conhece os graus superiores da vida. É quando começ a a compreender as correspondências longínquas, imperceptíveis, subtis , etéricas, que existem entre cada coisa e cada criatura do Uni-verso, que o homem con hece a verdadeira vida e começa a viver.