Os Rabelados de Cabo Verde

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Chamados rebeldes em 1941, os Rabelados da Ilha de Santiago são um símbolo único de resistência ao colonizador português em toda a História de Cabo Verde. Ao procurar as raízes do movimento, a autora procedeu a uma reconstituiçao de toda a história do primeiro país crioulo do mundo moderno, considerado desde a sua descoberta e povoamento no século XV como uma plataforma privilegiada de trocas no cruzamento de três continentes, o europeu, o africano e o americano.
Publié le : dimanche 1 mai 2011
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EAN13 : 9782296804807
Nombre de pages : 166
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Os Rabelados deCabo Verde
História de uma revolta© L'HARMATTAN, 2011
5-7, ruedel'École-Polytechnique; 75005 Paris
http://www.librairieharmattan.com
diffusion.harmattan@wanadoo.fr
harmattan1@wanadoo.fr
ISBN : 978-2-296-54527-4
EAN : 9782296545274Françoise ASCHER
Os Rabelados deCabo Verde
História de uma revolta
Traduzido do francês
porÂngela SofiaBenolielCoutinho
Prefácio deAntónioCorreia e Silva
Historiador, Reitor da Universidade deCabo Verde (UNICV)
L’HarmattanAgradecimentos
A minha profunda gratidão ao historiadorAntónioCorreia e
Silva, reitor da Universidade de Cabo Verde, que aceitou
validar o texto desta obra e redigir o seu prefácio. O meu
agradecimento especial ao deputado João do Rosário, que
me acompanhou ao longo da minha pesquisa na qualidade
de intérprete. Sem esquecerElmidou Lopes, Luís Mendes e
Idrissia Pereira pela sua assistência na tradução de certos
estudos e documentos de arquivo do Português para o
Francês.F.A.À minha família,
Aos meus amigosBetty e João do Rosário,
E a todos aqueles que, através desta pesquisa,
abriram-me as portas do “petit pays”.Prefácio
Os estudos sobre o movimento dos Rabelados são da
época da colonização, com especial destaque para o de Júlio
Monteiro, ou então são marcados por uma leitura política do
fenómeno, imbuídos de preconceitos que hoje em dia já
estão ultrapassados. É forçoso também constatar que há
uma tendência para se escrever sobre o tema eliminando o
passado, ou seja, privilegiando a verdade de cada um. Nesta
obra, a autora esforçou-se por inventariar a bibliografia
existente. O seu mérito reside na tentativa de elaborar uma
síntese dos textos existentes sobre esta comunidade, e de os
explorar confrontando os pontos de vista dos vários autores
e ainda cruzando-os com os testemunhos de personalidades
cabo-verdianas ou de outras paragens.Enfim, o estudo ousa
inovar no sentido de tentar uma interpretação mais completa
e integrativa do fenómeno.
É natural que se espere que uma estrangeira, sem um
olhar pré-concebido sobre os Rabelados, se sinta atraída pela
oportunidade de descobrir os últimos selvagens à face da
terra e de explorar as suas diferenças. Mas este estudo não
vai nesse sentido. Penso que a ideia central que o caracteriza
é a da recusa do exotismo e de uma análise dos Rabelados
como se de uma curiosidade rara e estranha se tratasse,
descoberta no século XX. Nele encontramos uma explicação
e um esforço que vai no sentido de informar acerca de uma
questão sociológica… que os viajantes poderiam ter descrito
em finais do século XVI !
Na literatura cabo-verdiana existem já várias tentações
de apreender os Rabelados como tratando-se de um
fenómeno fora do tempo e da ordem do mundo, ou entãocomo um epifenómeno resistente à modernidade e
forçosamente condenado. Ao contrário, a autora leva a
cabo um estudo sociológico sobre uma manifestação de
actores rurais que se opunham à pressão colonial. Sente-se
uma atitude de compreensão do fenómeno a partir de uma
resistência a uma sociedade em mudança e um projecto de
interpretação no qual os actores sociais, tendo estratégias
de preservação da sua identidade, exprimem
simultaneamente uma vontade de maximizar os seus
interesses, que são diferentes dos de outros actores. Os
acontecimentos são tratados como um fenómeno histórico
com uma lógica própria, que se explica através da evolução
das estruturas sociais e num contexto político determinado.
E por conseguinte, através desta leitura sociológica, a
revolta dos Rabelados revela-se natural. É claro, esta
decisão de explicar a formação do movimento, de sublinhar
não o exotismo mas sim as etapas do seu desenvolvimento,
arrisca-se a chocar os que vêem os Rabelados como um
epifenómeno.
As preocupações de classificação do estatuto disciplinar
são o resultado de uma espécie de reflexão convencionada.
Trata-se aqui do contrário de uma abordagem académica,
que leva a cabo uma análise pré-determinada das coisas,
partindo de um olhar por vezes já elaborado dos
acontecimentos. Penso que a autora foi atraída por um
fenómeno na qualidade de jornalista, mas que ela procurou
os meios e os instrumentos conceptuais, históricos e
sociológicos para exprimi-lo. Não há um compromisso
disciplinar que implique a priori conceitos de trabalho, como
é o caso para um sociólogo ou um antropólogo, por
exemplo. A autora avançou por uma via completamente
legítima, encontrando pessoas para tentar compreender os
factos, e em função disso, impuseram-se meios, alguns
conceitos e lógicas. O fenómeno dos Rabelados prova-se ser
de difícil classificação, já que se trata de um problema de
homens, mas de explicação fiável.
12Existe um nacionalismo que nasceu no passado, para o
qual para se escrever sobre Cabo Verde, é necessário antes
de mais ser-seCabo-verdiano.É conveniente esquecer tudo
isso ! Para nós, o interesse reside justamente nesses olhares
exteriores sobre o país, que vêm de uma outra realidade e
que podem explorar as vantagens de se estar fora de Cabo
Verde.
Existe no fundo de todos nós uma ideia de fim da
História ! A nação cabo-verdiana começou com a
escravatura, o encontro entre povos, etc.. Após uma lenta
evolução, acedeu a águas mais calmas. Mas é ilusório pensar
que uma sociedade possa atingir um estádio estável e
definitivo. As nações assemelham-se a vulcões mais ou
menos activos, com momentos de reacção que vêm
perturbar a ordem estabelecida, por vezes de forma trágica.
São muito criativas na elaboração de novas identidades. No
seio da sociedade cabo-verdiana, os Rabelados constituíram
um fenómeno de reacção à mudança numa direcção, mas
vamos continuar a conhecer outras manifestações por parte
dos actores regionais, religiosos, dos jovens, etc.. Assim, a
sociedade está a unir esforços, com a chegada dos
emigrantes, e esta interacção vai dar lugar a novas evoluções.
Hoje, os 35 anos da independência do país marcam uma
etapa, mas a sociedade vai continuar a pôr-se em
movimento…
Da mesma forma, no passado, os Rabelados foram alvo
de uma tentativa de integração forçada na sociedade, com
base na ameaça e na condenação moral. Hoje em dia, as
relações baseiam-se num respeito mútuo. Penso que esta
evolução das mentalidades de ambas as partes propicia uma
oportunidade real de adaptação, já que se verifica ser
impossível e não desejável manter esta comunidade numa
representação artificial. Os Rabelados produzem arte,
espectáculos de música e de dança. Vivem uma mudança
geracional, e apesar de uma certa superstição, os jovens
vivem para além dos mares. Tudo isto leva também a
13mudanças conflituosas no seio da comunidade, mas que irão
produzir um novo estádio. Por isso, a História continua.
Não há fim daHistória !
ANTÓNIO CORREIAE SILVA,
Historiador, reitor da Universidade
deCabo Verde (UNICV)
14Os testemunhos recolhidos
Akibodé - Charles Akibodé, historiador, geógrafo,
investigador, Praia
Almada - David Hopffer Cordeiro Almada, advogado e
deputado nacional, Praia
Andrade - Álvaro Ludgero Andrade, administrador da
Rádio Televisão Caboverdiana (RTC), e sua mãe Isaura
Andrade, Igreja do Nazareno, Praia
Andrade -Agnelo Viera deAndrade, filho do administrador
de SãoFilipe (anos 1960), e a sua avóFiló, de 105 anos, ilha
doFogo
Andrade -ElisaAndrade, historiadora e economista, professora
noInstitutoSuperiordeEducação(ISE),PraiaeParis
Baleno - Ilídio Baleno, historiador, Palácio da Presidência
da República, Praia
Barbosa - Káká (Carlos Alberto) Barbosa, deputado
nacional, escritor, poeta, Praia
Borja - OrlandoBorja, antropólogo,Comissão Nacional dos
DireitosHumanos, Praia
Borges -ClaudinoBorges, professor,Calheta
Cabral - Iva MariaCabral, escritora, directora do Serviço de
Documentação e Informação Parlamentar da Assembleia
Nacional, filha deAmílcarCabral
Cabral - Mário Cabral, jornalista, realizador de filmes,
Televisão deCabo Verde (TCV)
Cabral - NelsonEuricoCabral, sociólogo, consultor, Praia e
ParisCachada - Padre António Sá Cachada, Espiritano, São
Domingos, 80 anos
Cahen - Michel Cahen, historiador, investigador no Centro
Nacional de InvestigaçãoCientífica (CNRS),Bordéus
Cardoso - Gaudino J. Tavares Cardoso, antropólogo,
jornalista, Ministério dos NegóciosEstrangeiros
Carvalho - Luís Carvalho, jornalista, administrador da
Imprensa Nacional deCabo Verde, Praia
Constantino - PadreConstantino, SantaCatarina
Correia - Júlio Correia, sociólogo, deputado e vice-
presidente daAssembleia Nacional, Praia
Costa -Custódio daCosta, assistente do padre, paróquia de
SantoAmarroAbade, Tarrafal de Santiago
Coulon – Padre Paul Coulon, Congregação do Espírito
Santo,Chevilly-Larue (94)
Ferreira - PadreFerreira,Calheta
Ferreira - PastorAdéritoFerreira, Igreja do Nazareno, Praia
Figueira - ManuelFigueira, pintor, professor do Instituto da
Cultura National, Mindelo
Furtado -AndréFurtado, professor, São Miguel
Furtado - Cláudio Alves Furtado, sociólogo, professor e
presidente doConselhoCientífico da Universidade deCabo
Verde, Praia
Gonçalves - Maria de Lourdes Silva Gonçalves, diplomada
em Ciências Sociais, responsável pelo Museu da Tabanka,
CentroCultural daAssomada
Graça - Camilo Querido Leitão da Graça, sociólogo,
diplomata, Ministério dos NegóciosEstrangeiros, Praia
IMA - Padre IMA - PadreAntónio Manuel Monteiro Silves
Ferreira, conhecido por Padre IMA, Sal
João - Padre JoãoAugusto Mendes Martins, conhecido por
Padre João, chanceler da Igreja paraÁfrica, Praia
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