Fitase em dietas para a tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) (175 A 327 g) (Phytase in Nile tilapia (Oreochromis niloticus) diets (175 A 327g))

De
Publié par

Resumo
Se determinaram os efeitos da suple-mentação de fitase pela tilápia do Nilo. O Cr2O3 (0,1 p.100) foi usado como indicador inerte em dietas práticas. Os peixes (174 ± 38 g) foram alimentados, até saciedade aparente, com dietas contendo 0, 250, 500, 1000 e 2000 unidades de fitase (UF)/kg, contendo aproximadamente 2800 kcal de energia digestível, 27,5 p.100 de proteína bruta e 0,27 p.100 de P disponível. As fezes foram coletadas pelo sistema de Guelph modificado. Foi observado efeito quadrático (p<0,05) sobre o ganho de peso, Ca e P nos ossos, digestibilidade da proteína e disponibilidade do P, que aumentaram até 1114, 1173, 881, 1469 e 1333 UF/kg de dieta, respectivamente. A adição de fitase tem potencial para aumentar o desempenho dos peixes, a disponibilidade de P e da proteína e a excreção de P e N.
Abstract
The effect of dietary phytase supplementation in Nile tilapia was studied. The chromium oxide (0.1 percent) was used as an inert indicator in the practical diets. Fish (174 ± 38 g) were fed, to apparent satiation, with diets containing 0, 250, 500, 1000 and 2000 phytase units/kg of diet, containing 2800 kcal of digestible energy, 27.5 percent of crude protein and 0.27 percent of available P. The faeces were collected by Guelph system. It was observed quadratic effect (p<0.05) of phytase levels on weight gain, bone calcium, bone P, protein digestibility and P availability, that increased up to 1114, 1173, 881, 1469 e 1333 UF/kg of diet, respectively. The dietary phytase has potential to improve the fish performance, P availability and protein digestibility and can be used to reduce P and N waste.
Publié le : dimanche 1 janvier 2006
Lecture(s) : 48
Source : Archivos de Zootecnia 0004-0592 2006 Volumen 55 Número 210 pp: 161-170
Nombre de pages : 10
Voir plus Voir moins
Cette publication est accessible gratuitement

FITASE EM DIETAS PARA A TILÁPIA DO NILO
(OREOCHROMIS NILOTICUS) (175 A 327 G)
PHYTASE IN NILE TILAPIA (OREOCHROMIS NILOTICUS) DIETS (175 A 327G)
1 2 2 2Furuya, W.M. , D. Botaro , L.C.R. da Silva , V.G. dos Santos , T.S.C. Silva,
2 1L.D. dos Santos e V.R.B. Furuya
1Prof. Drs. Universidade Estadual de Maringá. UEM, Departmento de Zootecnia, DZO. CEP 87020-900,
Maringá. Paraná. Brasil. E-mail: wmfuruya@uem.br
2Alunas. Pós-Graduação em Zootecnia. Mestrado, UEM, 87020-900, Maringá. Paraná. Brasil.
3Alunos. Curso de Graduação em Zootecnia. UEM/DZO, 87020-900, Maringá. Paraná. Brasil.
PALAVRAS CHAVE ADICIONAIS ADDITIONAL KEYWORDS
Performance. Enzyme. Environment. Digestibility.Desempenho. Enzima. Meio ambiente. Diges-
tibilidade. Fósforo. Phosphorus.
RESUMO
Se determinaram os efeitos da suple- in Nile tilapia was studied. The chromium oxide
mentação de fitase pela tilápia do Nilo. O Cr O (0.1 percent) was used as an inert indicator in the
2 3
(0,1 p.100) foi usado como indicador inerte em practical diets. Fish (174 ± 38 g) were fed, to
dietas práticas. Os peixes (174 ± 38 g) foram apparent satiation, with diets containing 0, 250,
alimentados, até saciedade aparente, com dietas 500, 1000 and 2000 phytase units/kg of diet,
contendo 0, 250, 500, 1000 e 2000 unidades de containing 2800 kcal of digestible energy, 27.5
fitase (UF)/kg, contendo aproximadamente 2800 percent of crude protein and 0.27 percent of
kcal de energia digestível, 27,5 p.100 de proteína available P. The faeces were collected by Guelph
bruta e 0,27 p.100 de P disponível. As fezes system. It was observed quadratic effect (p<0.05)
foram coletadas pelo sistema de Guelph modifi- of phytase levels on weight gain, bone calcium,
cado. Foi observado efeito quadrático (p<0,05) bone P, protein digestibility and P availability, that
sobre o ganho de peso, Ca e P nos ossos, increased up to 1114, 1173, 881, 1469 e 1333 UF/
digestibilidade da proteína e disponibilidade do P, kg of diet, respectively. The dietary phytase has
que aumentaram até 1114, 1173, 881, 1469 e potential to improve the fish performance, P
1333 UF/kg de dieta, respectivamente. A adição availability and protein digestibility and can be
de fitase tem potencial para aumentar o used to reduce P and N waste.
desempenho dos peixes, a disponibilidade de P
e da proteína e a excreção de P e N.
INTRODUÇÃO
A tilápia do Nilo (OreochromisSUMMARY
niloticus) e uma das espécies de água
The effect of dietary phytase supplementation doce cuja produção vem crescendo
Arch. Zootec. 55 (210): 161-170. 2006.
04FitaseFuruya.p65 161 05/06/2006, 12:39 FURUYA, BOTARO, SILVA, SANTOS, SILVA, SANTOS E FURUYA
rapidamente no mundol (FAO, 2005). efluente na água. Os efeitos positivos
O cultivo de tilápia do Nilo passou do da suplementação de fitase sobre o
cultivo tradicional em tanques de terra crescimento, eficiência alimentar,
para o cultivo intensivo em tanques- retenção de minerais na carcaça e
rede ou raceways no Brasil (Furuya et digestibilidade da proteína e dos
al., 2004). minerais foram demonstrados em
O uso de fontes de proteína vegetal trabalhos realizados com a truta arco-
em dietas para peixes é uma alternati- íris (Oncorhynchus mykiss) (Spinelli
va para substituir a farinha de peixe. et al., 1983; Rodehutscord e Pfeffer,
Por outro lado, muitos alimentos de 1995; Lanari et al., 1998; Vielma et
origem vegetal contêm cerca de 70 al., 1998 e Forster et al., 1999), salmão
p.100 do fósforo (P) na forma de ácido do Atlântico (Salmo salar) (Store-
fítico, indisponível aos peixes, pois não bakken et al., 1998; Sajjadi e Carter,
possuem enzimas endógenas que 2004), seabass (Dicentrarchus
possam permitir a utilização desse mi- labrax), (Oliva-Teles et al., 1998),
neral (Storebakken et al., 1998). striped bass (Morone saxatilis)
O P geralmente é o nutriente mais (Power-Hughes e Soares, 1998), bagre
limitante em grãos de cereais usados do canal (Ictalurus punctatus)
na elaboração de dietas para peixes (Jackson et al., 1996) e tilápia do Nilo
(Power-Hughes e Soares, 1998). É um (Oreochromis niloticus) (Furuya et
nutriente essencial (Baeverfjord et al., al., 2001a).
1998) e sua deficiência leva a uma O sucesso da criação intensiva de
redução na taxa de crescimento peixes depende de avanços tecnológi-
(Andrews et al., 1973), redução na cos, incluindo o uso da enzima fitase
eficiência alimentar (Rodehutscord e para aumentar a disponibilidade e di-
Pfeffer, 1995), baixa mineralização minuir a suplementação na dieta e a
óssea (Vielma et al., 1998; Baeverfjord quantidade de P perdida como efluente
et al., 1998) e aumento do conteúdo de na água (MCauig et al., 1972). No
gordura na carcaça (Sakamoto e Yone, meio aquático o excesso de P e
1978). nitrogênio (N) dietético contribui para
A fitase é uma enzima endógena o desenvolvimento de algas, resultan-
amplamente utilizada em rações para do em uma diminuição da qualidade da
aves e suínos para aumentar a água, que também podem alterar as ca-
disponibilidade do P. Além disso, sua racterísticas organolépticas da carcaça.
suplementação contribui para o au- O objetivo do presente trabalho foi
mento da disponibilidade do cálcio (Yoo determinar os efeitos da adição de
et al., 2005), zinco, magnésio, cobre e fitase nas dietas, sobre o desempenho
ferro (Masumoto et al., 2001; Suguiura e excreção de P e N em dietas práticas,
et al., 2001). para a tilápia do Nilo.
Vários estudos têm sido realizados
para determinação dos efeitos da enzi-
ma fitase em dietas para aumentar o MATERIAL E MÉTODOS
desempenho e a disponibilidade de P e
reduzir a quantidade de P perdido como Foi formulada uma dieta basal defi-
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 162.
04FitaseFuruya.p65 162 05/06/2006, 12:39FITASE EM DIETAS PARA A TILÁPIA DO NILO (OREOCHROMIS NILOTICUS)
ciente em fósforo (P) com farelo de
Tabela I. Composição da dieta basal. (Ba-
soja como a fonte primária de proteína,
sal diet composition).
contendo 27,5 p.100 de proteína bruta
(PB), 2800 kcal de energia digestível/ Ingrediente p.100
kg de ração e 0,27 p.100 de P disponível
(tabela I). As dietas não foram suple- Milho 36,23
mentadas com fósforo inorgânico. A Farelo de trigo 11,00
dieta basal foi suplementada com enzi- Farelo de soja 42,00
ma fitase (Natuphos®·5000, BASF, Farinha de peixe 5,40
Brasil) em níveis crescentes, resultan- Calcário calcítico 1,00
do em dietas com 0, 250, 500, 1000 e DL-Metionina 0,20
Óleo de soja 3,002000 unidades de fitase (UF)/kg. Cada
1Suplemento mineral e vitamínico 0,50dieta foi homogeneizada manualmente
Sal 0,50e peletizada (P-125, Ferraz Máquinas,
2Vitamina C 0,05Brasil) diâmetro de 8 mm. Os péletes
3BHT 0,02foram desidratados em estufa a 55°C
4Alginato de sódio 0,10até conterem 10 p.100 de umidade.
Composição, base na matéria naturalForam utilizados 150 peixes sexual-
1Matéria seca (p. 100) 91,39mente revertidos na fase larval, pesan-
1Energia digestível (kcal/g) 2800do em média 174 ± 38 g de peso vivo,
1Proteína bruta (p. 100) 27,50
provenientes do Laboratório de
1Lipids (p.100) 5,73
Aqüicultura da Universidade Estadual
1Fibra bruta (p.100) 5,67
de Maringá, Paraná, Brasil). Antes do 1Cálcio (p.100) 1,02
início do experimento, os peixes foram 1Fósforo total (p.100) 0,89
estocados em tanques de 1000 l e 2Fósforo disponível (p.100) 0,27
alimentados com dieta comercial (38 2Lisina 1,44
p.100 de proteína bruta; 3500 kcal 2Metionina + cistina 0,92
energia digestível/kg e 0,6 p.100 de
fósforo disponível) por 15 dias até 1Suplemento mineral e vitamínico (Supremais):
adaptação dos peixes às condições composição/kg: vit. A= 1200000 UI; vit. D3=
experimentais. 200000 UI; vit. E= 12000 mg; vit. K3= 2400 mg; vit.
Os peixes, pesando em média 174 ± B1= 4800 mg; vit. B2= 4800 mg; vit. B6= 4000 mg;
38 g de peso vivo, foram distribuídos vit. B12= 4800 mg; ác. fólico= 1200 mg; pantotenato
de Ca= 12000 mg; vit. C= 48000 mg; biotina= 48em 15 tanques de cimento amianto de
mg; colina= 65000 mg; ácido nicotínico= 240001000 l cada (10 peixes/tanque). A
mg; Fe= 10000 mg; Cu= 600 mg; Mn= 4000 mg;renovação de água foi de 5 l/min e foi
Zn= 6000 mg; I= 20 mg; Co= 2 mg e Se= 20 mg;mantida aeração constante através de
2Vitamina C: (42 p.100 de princípio ativo).pedra porosa acoplada a um com-
3Butil Hidróxi Tolueno.pressor de ár (1 HP) para manter o
4Aglutinante.oxigênio dissolvido (6,0 ± 1 mg/l),
5Valores determinados no Laboratório de Nutrição
enquanto a temperatura da água (28 ±
Animal -DZO/UEM.o2 C) foi mantida através de aque- 6Valores determinados no Laboratório de Alta
cedores elétricos (127 Watts). Os Tecnologia, Campinas-SP.
peixes foram alimentados manualmen-
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 163.
04FitaseFuruya.p65 163 05/06/2006, 12:39 FURUYA, BOTARO, SILVA, SANTOS, SILVA, SANTOS E FURUYA
te até saciedade aparente e as dietas al. (2002). A temperatura da água foi
oforam fornecidas três vezes ao dia, mantida constante (26 C) e os CDA
sete dias por semana durante 42 dias. foram determinados de acordo com
Ao final do experimento, todos os Cho et al. (1982).
peixes foram pesados e contados para Os coeficientes de digestibilidade
calcular o ganho de peso, conversão aparente (CDA) da proteína e de
alimentar, taxa de eficiência protéica, disponibilidade do fósforo foram de-
retenção de nitrogênio, rendimento de terminados usando óxido de cromo (0,1
carcaça, índice hepato-somático e taxa p.100) como indicador. O indicador foi
de sobrevivência. As seguintes fórmu- incluído após moagem de cada dieta
las foram usadas: Ganho de peso= experimental, sendo a dieta homoge-
peso final – peso inicial, Conversão neizada e novamente peletizada.
alimentar= ração ingerida/ganho de A excreção de nitrogênio fecal foi
peso, taxa de eficiência protéica= ganho determinada de acordo com a expressão:
de peso/proteína ingerida e rendimento
de carcaça= 100 x peso da carcaça N = 1000.[Nc – (Nc.CDAn)/GP]
e
isenta de vísceras peso vivo.
Os peixes foram armazenados à – em que:
N = nutriente excretado (kg/ton de peixe)20°C e usados para a determinação do e
N = nutriente consumido (kg)índice hepato-somático e composição c
CDA = coeficiente de digestibilidade aparente dode cálcio (Ca) e P dos ossos. A coleta n
nutriente (p.100) edos ossos para determinação de cálcio
GP= ganho de peso (kg).e fósforo foi realizada segundo Furuya
et al. (2001). A proteína bruta, cinza e
Para a excreção do N, a proteínaumidade corporal e as dietas expe-
bruta da ração foi convertida em N,rimentais foram analisadas pelo méto-
dividindo-se o valor de proteína brutado AOAC (1990) enquanto a gordura
da ração por 6,25.foi determinada pela extração Soxhlet
A análise do óxido e cromo foiusando éter de petróleo.
realizada de acordo com a metodologiaPara determinação dos coeficien-
descrita por Graner (1972). A energiates de digestibilidade, foram utilizados
bruta das dietas foi determinada usan-60 peixes com peso vivo médio de 278
do bomba calorimétrica (Parr, Moleine,± 54 g, que foram distribuídos em cinco
IL, USA).tanques cônicos para a coleta de fezes.
Foi utilizado o delineamento in-Os peixes foram alimentados por uma
teiramente casualizado com cincosemana para adaptação e foi conside-
tratamentos e três repetições pararado como repetição um pool de cinco
avaliação do desempenho produtivo.coletas de fezes, sendo que para cada
Para determinação dos coeficientestratamento foram coletadas duas
repetições. As fezes de cada ração de digestibilidade aparente da proteína
foram coletadas todos os dias as 8 e 16 e do fósforo, foi utilizado o delinea-
horas por cinco dias pelo sistema de mento inteiramente casualizado com
Guelph modificado, de acordo com a cinco tratamentos e duas repetições.
metodologia descrita por Pezzato et Os dados foram submetidos às análises
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 164.
04FitaseFuruya.p65 164 05/06/2006, 12:39FITASE EM DIETAS PARA A TILÁPIA DO NILO (OREOCHROMIS NILOTICUS)
de variância e regressão polinomial total pela tilápia do Nilo alimentadas
(SAS, 1985). com dietas com diferentes níveis de
fitase. Não foram observados efeitos
(p>0,05) da utilização de rações com
RESULTADOS E DISCUSSÃO diferentes teores de inclusão de fitase
sobre as variáveis de conversão ali-
Durante todo o período experimen- mentar e taxa de eficiência protéica.
tal, foi observada transparência total Não foi observada mortalidade dos
da água, obtida pela baixa presença de peixes durante o período experimen-
luz nas caixas, que foram cobertas tal. A elevada variação dos dados en-
com sombrite (70 p.100) para reduzir a tre os tratamentos provavelmente
possibilidade de eutrofização. Além contribuiu para que não fossem obser-
disso, as possíveis sobras de ração e vadas diferenças entre os tratamentos,
das fezes foram sifonadas diariamente o que também foi descrito por Oliva-
para evitar o acúmulo de matéria Teles et al. (1998), em trabalho reali-
orgânica. zado com juvenis de seabass alimen-
Na tabela II encontram-se os va- tados com rações elaboradas com base
lores médios de desempenho produtivo, em proteína do farelo de soja sem e
retenção de cálcio (Ca) e fósforo nos com (1000 e 2000 UF/kg) suplemen-
ossos e coeficientes de digestibilidade tação de fitase.
aparente da proteína bruta e do fósforo Com o aumento nos teores de
Tabela II. Desempenho produtivo (DP) e retenção de minerais nos ossos (RMO) pela tilápia
do Nilo alimentada com dietas contendo níveis crescentes de fitase. (Productive performance
(PP) and bone mineral retention (BMR) of Nile tilapia fed diet with increasing levels of phytase).
Fitase na dieta (UF/kg de ração)
2Variável 0 250 500 1000 2000 CV
DP
Peso inicial(g) 173,9 171,9 172,7 177,9 177,8 4,98
Peso final (g) 290,50 321,70 348,9 346,20 327,10 8,36
1Ganho de peso (g) 116,60 149,80 176,20 168,40 149,38 15,14
Conversão alimentar 1,08 1,24 1,17 1,11 1,67 17,28
Taxa de eficiência protéica 3,65 3,18 3,39 3,56 2,37 14,98
RMO (p.100)
1Cálcio nos ossos 17,38 18,34 22,21 22,28 20,11 7,79
1Fósforo nos ossos 5,19 5,38 6,30 6,31 4,42 5,17
1Efeito quadrático (quadratic effect) (p<0,05): ganho de peso (weight gain) (Y= 12,9370 + 0,1003X –
-5 2 2 -5 2 24,5.10 X ; R = 0,82); cálcio nos ossos (bone calcium) (Y= 17,1755 + 0,0097X – 4,1.10 X ; R = 0,86);
-5 2 2fósforo nos ossos (bone phosphorus) (Y= 5,0686 + 0,0028X – 1,6.10 X ; R = 0,94).
2CV= coeficiente de variação. N= 10 peixes.
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 165.
04FitaseFuruya.p65 165 05/06/2006, 12:39 FURUYA, BOTARO, SILVA, SANTOS, SILVA, SANTOS E FURUYA
inclusão de fitase na ração, foi obser- 1173 e 881 UF/kg de dieta, respectiva-
vado efeito quadrático (p<0,05), sobre mente. A maior retenção de minerais
o ganho de peso, estimando-se o valor na carcaça de peixes alimentados com
de 1115 unidades de fitase (UF)/kg de dietas contendo fitase também foi en-
ração para se obter maior valor dessa contrada por Masumoto et al. (2001) e
variável (figura 1). No presente estudo, Sajjadi e Carter (2004), em estudos
o resultado obtido de ganho de peso realizados com o flounder japonês e
dos peixes aproxima-se dos obtidos salmão do Atlântico, respectivamente.
por Rodehutscord e Pfeffer (1995), Neste estudo, foram encontrados
Lanari et al. (1998) e Vielma et al. 17,38 p.100 (173,8 mg de Ca/g de osso
(1998), em trabalhos realizados com a seco) de Ca nos ossos dos peixes que
truta arco-íris, que observaram maior receberam a dieta basal e 22,28 p.100
valor desta variável pelos peixes que (222,8 mg/g de osso seco) de Ca nos
receberam rações contendo 1000; 1000 ossos dos peixes que receberam a
e 1500 UF/kg de ração, respectiva- dieta contendo 1000 UF/kg de ração,
mente. Valores inferiores foram obtidos sendo a porcentagem de Ca nos ossos,
por Jackson et al. (1996) e Furuya et crescente de acordo com a inclusão de
al. (2001a), que concluíram que a fitase nas rações, o que correspondeu
utilização de 500 UF/kg de ração foi a um aumento de 28,2 p.100 de retenção
suficiente para o máximo ganho de de Ca nos ossos. Power-Hughes e
peso de juvenis de bagre do canal e Soares (1998), em trabalhos realiza-
tilápia do Nilo, respectivamente. dos com striped bass, encontraram
Foi observado efeito quadrático dos aumento de 17,2 p.100 na retenção de
níveis de inclusão de fitase nas rações Ca nos ossos dos peixes que foram
sobre as porcentagens de Ca e P na alimentados com a dieta contendo
carcaça, em que os máximos valores 800UF/kg.
dessas variáveis foram obtidos com A porcentagem de P nos ossos
aumentou com os níveis crescentes de
fitase nas dietas, variando de 5,19 p.100
na dieta basal até 6,31 p.100 de P nos
190
ossos na dieta com 1000 UF/kg de
dieta. Esses resultados confirmam os
160 encontrados por Power-Hughes e
Soares (1998) em trabalhos realizadosN=10 peixes
130 com striped bass, onde foi constatado
valor de 5,92 p.100 de P nos ossos dos
100 peixes que receberam a ração sem
0 500 1000 1500 2000 fitase e de 7,32 p.100 de P nos ossos
Fitase (PU/kg)
dos peixes que receberam dieta comPhytase (PU/kg)
800UF/kg.
Figura 1. Ganho de peso da tilápia do Nilo Na tabela III encontram-se os va-
alimentada com dietas com níveis crescentes lores médios dos coeficientes de
de fitase. (Weight gain of Nile tilapia fed diet with digestibilidade aparente (CDA) da pro-
increasing levels of phytase). teína bruta e do fósforo e excreção de
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 166.
04FitaseFuruya.p65 166 05/06/2006, 12:39
Ganho de peso (g)
Weight gain (g)FITASE EM DIETAS PARA A TILÁPIA DO NILO (OREOCHROMIS NILOTICUS)
Tabela III. Coeficiente de digestibilidade aparente (CDA) da proteína bruta e do fósforo e
excreção de nutrientes (EN) pela tilápia do Nilo alimentada com dietas contendo níveis
crescentes de fitase. (Apparent digestibility coefficients (ADC) of protein and phosphorus and nutrient
excretion (NE) of Nile tilapia fed diet with increasing levels of phytase).
Fitase na dieta (UF/kg de ração)
2Variável 0 250 500 1000 2000 CV
CDA (p.100)
1Proteína bruta 88,38 89,61 91,30 92,25 92,36 1,26
1Fósforo 26,13 51,21 56,96 58,59 55,06 2,33
EN (g/kg peixe produzido)
Fósforo 7,10 5,38 4,47 4,09 6,68 1,69
Nitrogênio 5,52 5,67 4,48 3,79 5,61 2,67
1Efeito quadrático (p<0,05): coeficiente de digestibilidade aparente da proteína bruta (Y= 88,3950 +
-5 2 20,0610X – 2,1*10 X ; R = 0,96); coeficiente de disponibilidade do fósforo (Y= 27,7798 + 0,04809 –
-5 2 2 -6 2 21,8*10 X ; R = 0,96); fósforo excretado (Y= 7,0016 – 0,0061X + 3*10 X ; R = 0,96) e nitrogênio excretado
-6 2 2(Y= 5,8802 – 0,0037X + 2*10 X ; R = 0,88).
2CV= coeficiente de variação.
fósforo e nitrogênio pela tilápia do Nilo melhora na disponibilidade do fósforo
alimentada com dietas contendo níveis com níveis acima de 500 UF/kg, valor
crescentes de fitase. O coeficiente de próximo ao estimado no presente
digestibilidade aparente (CDA) da pro- estudo.
teína aumentou de forma quadrática O efeito positivo da adição de fitase
(p<0,05) com o aumento dos níveis de sobre a disponibilidade do fósforo
inclusão de fitase nas dietas, o que também foi encontrado por Vielma et
elevou em 3 a 4 p.100 a digestibilidade al. (1998), em estudo realizado com a
desse nutriente. O aumento na truta arco-íris, que avaliaram sem e
digestibilidade da proteína (3 p.100) com suplementação (1500 UF/kg de
também foi obtido por Forster et al. ração) e observaram que a utilização
(1999), em trabalho realizado com a de fitase elevou a disponibilidade do P,
truta arco-íris. que passou de 44,5 p.100 (ração se
Foi observado efeito quadrático fitase) para 69,7 p.100 (ração com
(p<0,05) dos níveis de fitase sobre o fitase). Em trabalho realizado com
coeficiente de disponibilidade do P, em juvenis de striped bass (Morone
que o máximo valor dessa variável foi saxatilis), Power-Hughes e Soares
estimado com a utilização de 1336 UF/ (1998), observaram que a suple-
kg de ração (figura 2). Forster et al. mentação de fita se nas rações elevou
(1999) avaliando a suplementação de a disponibilidade do fósforo, que
rações com 0, 500, 1500 e 4500 UF/kg passou de 29,7 p.100 (ração sem fitase)
de ração, também não observaram para 82,8 p.100 (ração com 800 UF/
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 167.
04FitaseFuruya.p65 167 05/06/2006, 12:39 FURUYA, BOTARO, SILVA, SANTOS, SILVA, SANTOS E FURUYA
relação Ca:P, pois o aumento nos níveis
80
de fitase provavelmente resultou em
disponibilidade de Ca e de P de forma60
diferenciada, como foi observado por
40 Furuya et al. (2001a), resultando em
N=10 peixes
piora na utilização de P e, conseqüen-
20
temente, no desempenho produtivo.
0 Com o aumento na suplementação
0 500 1000 1500 2000 de fitase foi observado efeito quadrático
Fitase (UF/kg) (p<0,05) sobre excreção de P ePhytase (PU/kg )
nitrogênio pelos peixes, sendo estima-
dos os valores de 1117 e 925 UF/kg de
Figura 2. Coeficiente de disponibilidade ração para o máximo valor dessas
aparente do fósforo (CDAp) pela tilápia do variáveis, respectivamente. Em
Nilo alimentada com dietas com níveis estudos realizados com a truta arco-
crescentes de fitase. (Phosphorus apparent íris Lanari et al. (1998) e Vielma et al.
availability coefficient (AACp) of Nile tilapia fed (1998), também observaram menor
diet with increasing levels of phytase). excreção de fósforo pelos peixes que
consumiram a dieta com fitase. O P e
o nitrogênio são os nutrientes mais
kg). Valor inferior foi obtido por poluentes no meio aquático e a elevada
Storebakken et al. (1998), em estudo concentração dos mesmos pode
realizado com o salmão (Salmo sa- acarretar em eutrofização excessiva,
lar), cuja disponibilidade do fósforo que pode comprometer a qualidade da
passou de 29,7 p.100 (ração sem água e, consequentemente, o desem-
fitase) para 48,8 p.100 (ração com penho dos peixes. Além disso, pode
500 UF/kg). resultar em produção de alguns com-
No presente estudo, as diferenças ponentes do plâncton que podem alte-
entre os valores estimados de suple- rar as características sensoriais da
mentação de fitase para as variáveis carne dos peixes, o que não é desejável
de ganho de peso e para a dispo- do ponto de vista comercial.
nibilidade do P podem estar relaciona- Os resultados obtidos no presente
das ao fato de que a fitase melhora a trabalho demonstram que a suple-
disponibilidade do Ca e do fósforo (Yoo mentação de fitase em rações melhora
et al., 2005) e também dos aminoáci- o desempenho e a disponibilidade do P
dos (McCauig et al., 1972). Além disso, e da proteína pela tilápia do Nilo, du-
aumentam a disponibilidade de diver- rante o período final de criação. Dessa
sos outros minerais (Storebakken et forma, sua utilização pode contribuir
al., 1998). para reduzir a excreção de P para o
No presente trabalho, o pior meio aquático e, conseqüentemente,
desempenho obtido pelos peixes ali- para manter a qualidade da água e
mentados com a dieta contendo 2000 reduzir o custo com a alimentação,
UF/kg de ração possivelmente está pela menor suplementação de P
relacionado com o desequilíbrio na inorgânico na ração.
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 168.
04FitaseFuruya.p65 168 05/06/2006, 12:39
CDAp (%)
AACp FITASE EM DIETAS PARA A TILÁPIA DO NILO (OREOCHROMIS NILOTICUS)
CONCLUSÕES do Ca e do fósforo.
Em rações elaboradas basicamente
A utilização de aproximadamente com ingredientes de origem vegetal, a
1100 UF/kg de ração é suficiente para fitase melhora o desempenho e
permitir o adequado desempenho, reduzindo a excreção de fósforo e
nitrogênio para o meio aquático.retenção de minerais e a disponibilidade
BIBLIOGRAFIA
Association of Official Analytical Chemists trientes de alguns ingredientes pela tilápia do
(AOAC). 1990. Official methods of analysis, Nilo, Oreochromis niloticus (L.) (Linhagem
Tailandesa). Acta Sci., 23: 465-469.15 ed,. AOAC, Arlington, VA. 1298 p.
Andrews, J.W., T. Murai T. e C. Campbell. 1973. Furuya, W.M., L.E. Pezzato and M.M. Barros.
Effects of dietary calcium and phosphorus 2004. Use of ideal protein concept for
precision formulation of amino acid levels inon growth, food conversion, bone ash and
hematocrit levels of catfish. J. Nutr., 103: fish-meal-free diets for juvenile Nile tilapia
766-771. (Oreochromis niloticus L.). Aquac. Res., 35:
1110-1116.Baeverfjord, G., T. Asgard and K.D. Shearer.
1998. Development and detection of Graner, C.A.F. 1972. Determinação do crômio
phosphorus deficiency in Atlantic salmon, pelo método colorimétrico da s-difenil-
carbazida. Tese (Doutorado). Faculdade deSalmo salar L., parr and post-smolts.
Aquacult. Nutr., 4: 1-11. Ciências Médicas e Biológicas, Universidade
Cho, C.Y., S.J. Slinger and H.S. Bayley. 1982. Estadual Paulista. Botucatu. 112 p.
Jackson, L.S., M.H. Li and E.H. Robinson. 1996.Bioenergetics of salmonid fishes: energy
intake, expenditure and productivity. Use of microbial phytase in channel catfish
Comparative Biochemistry and Physiology, Ictalurus punctatus diets to improve utilization
phytate phosphorus. J. World Aquacult. Soc.,73B: 25-41.
FAO. Aquaculture production statistics 2000- 7: 309-313.
2005.2005. FAO http://www.fao.org/figis/ Lanari, D., E. D'agaro and C. Turri. 1998. Use of
nonlinear regression to evaluate the effectsservlet/species?fid=3217, FAO, Rome.
Forster, I., D.A. Higgs and B.S. Dosanjh. 1999. of phytase enzyme treatment of plant protein
Potential for dietary phytase to improve the diets of rainbow trout (Oncorhynchus
mykiss). Aquaculture, 161: 345-356.nutritive value of canola protein concentrate
and decrease phosphorus output in raibow Masumoto, T., B. Tamura and S. Shimeno, 2001.
trout (Oncorhynchus mikiss) held in 11?C Effects of phytase on bioavailability of
phosphous in soybean meal-based diets forfresh water. Aquaculture, 179: 109-125.
Furuya, W.M., G.S. Gonçalves, V.R.B. Furuya e japanese flounder Paralichthys olivaceus.
C. Hayashi. 2001. Fitase na alimentação da Fisheries Sci., 67: 1075-1080.
McCuaig, L.W., M.I. Davis and I. Motzok. 1972.tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus L.):
desempenho e digestibilidade. Rev. Soc. Bras. Intestinal alkaline phosphatase and phytase
Zootecn., 30: 924-929. of chicks: effect of dietary magnesium,
calcium, phosphorus and thyroactive casein.Furuya, W.M., L.E. Pezzato, E.C. Miranda, M.M.
Barros e A.C. Pezzato. 2001a. Coeficientes Poultry Sci., 51: 526-530.
de digestibilidade aparente da energia e nu- Nose, T. 1960. On the digestion of food protein by
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 169.
04FitaseFuruya.p65 169 05/06/2006, 12:39 FURUYA, BOTARO, SILVA, SANTOS, SILVA, SANTOS E FURUYA
gold-fish (Carassius auratus L.) and rainbow 227-229.
trout (Salmo irideus G.). Bull. Freshwater SAS. 1985. Statystical Guide for Personal
Fish. Res Lab., 10:11-22. Computers. SAS Institute, 5 ed., Cary,
NRC. 1993. National Research Council - Nutritional NC.
Requirements of fishes. Washington: Spinelli J., C.R. Houle and J.C. Wekell. 1983.The
Academic Press. 114 p. effect of phytates on the growh of rainbow
Oliva-Teles, A., J.P. Pereira and A. Gouveia. trout (Salmo gairdneri) fed purified diets
1998. Utilisation of diets supplemented with containing varying quantities of calcium and
microbial phytase by seabass (Dicentrarchus magnesium. Aquaculture, 30: 71-83.
labrax ) juveniles. Aquat. Living Resour., 11: Storebakken, K.D., K.D. Shearer and A.J. Roem.
255-259. 1998. Availability of protein, phosphorus and
Pezzato, L.E., E.C. Miranda, M.M. Barros, V.R.B. other elements in fish meal, soy protein
Furuya and A.C. Pezzato. 2002. Digestibilidade concentrate and phytase treated soy protein
aparente de ingredientes pela tilápia do Nilo based diets to Atlantic salmon, Salmo salar.
(Oreochromis niloticus ). Rev. Bras. Aquaculture, 161: 365-379.
Zootecn., 31: 1595-1604. Sugiura, S.H., J. Gabaudan, M. Dong and R.W.
Popma, T.J. and B.W. Green. 1990. Sex reversal Hardy. 2000. Dietary microbial phytase
of tilapia in earthen ponds. Aquaculture supplementation and the utilization of
production manual. Alabama: Auburn phosphorus, trace minerals and protein by
University, Alabama Research and Deve- rainbow trout [Oncorhynchus mykiss
lopment. Series 35, 15 p. (Walbaum)] fed soybean meal-based diets.
Power Hughes, K.P. and J.H. Soares. 1998. Aquaculture, 32: 583-592.
Efficacy of phytase on phosphorus utilization Vielma, J., S.P. Lall and J. Koskela. 1998. Effects
in pratical diets fed to striped bass Morone of dietary phytase and cholecalciferol on
saxatilis. Aquacul. Nutr., 4: 133-140. phosphorus bioavailability in rainbow trout
Rodehutscord, M. and E. Pfeffer. 1995. Effects (Oncorhynchus mykiss). Aquaculture, 63:
od supplemental microbial phytase on 309-323.
phosphorus digestibility and utilization in Yoo, G., X. Wang, S. Choi, K. Han, J. Kang and
rainbow trout (Oncorhynchus mykiss). S.C. Bai. 2005. Dietary microbial phytase
Water Sci. Technol., 31: 143-147. increased the phosphorus digestibility in
Sajjadi, M. and C.G. Carter. 2004. Dietary phytase juvenile Korean rockfish Sebastes schlegeli
supplementation and the utilisation of fed diets containing soybean meal. Aquacul-
phosphorus by Atlantic salmon ( Salmo salar ture, 243: 315-322.
L.) fed a canolameal-based diet. Aquaculture, Sajjadi M. and C.G. Carter. 2004. Dietary phytase
240: 417-431. supplementation and the utilisation of
Sakamoto, S. and Y. Yone. 1978. Effect of dietary phosphorus by Atlantic salmon ( Salmo salar
phosphorus level on chemical composition of L.) fed a canola-meal-based diet. Aquacul-
red sea bream. B. Jpn. Soc. Sci. Fish., 44: ture, 240: 417-431.
Recibido: 2-6-05. Aceptado: 7-12-05.
Archivos de zootecnia vol. 55, núm. 210, p. 170.
04FitaseFuruya.p65 170 05/06/2006, 12:39

Soyez le premier à déposer un commentaire !

17/1000 caractères maximum.