LA EDUCACIÓN INTERCULTURAL: SITUACIONES DE VAL ORACIÓN Y AFIRMACIÓN ÉTNICA EN LA ESCUELA INDÍGENA PAN KARARU (Intercultural education: issues statement valuation and ethnic Indian school pan Kararu)

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Resumen
A Educação Escolar Indígena é distinguida a partir de quatro dimensões: comunitária, específica, diferenciada e intercultural. Esse trabalho tem como proposta investigar a questão da interculturalidade a partir de situações do
cotidiano da escola Pankararus Ezequiel, com o intuito de contribuir para discussões sobre o diálogo intercultural nos espaços de confronto culturais. Na escola Pankararus Ezequiel pudemos identificar, através de pesquisa etnográfica duas situações envolvendo a temática interculturalidade: na sala de aula, no confronto direto dos saberes específicos e dos ditos conhecimentos universais, e nas relações entre os professores indígenas e interlocutores não índios. Portando, percebemos que a educação diferenciada, pautada numa proposta de interculturalidade é, sobretudo, perceber o Outro numa perspectiva de reconhecimento e respeito da diversidade cultural existente em nosso país.
Abstract
The Indigenous Education is distinguished from four dimensions: community, specific, and different cultures. This paper aims to investigate the issue of intercultural situations from everyday school Pankararus Ezekiel, in order to contribute to discussions on intercultural dialogue in areas of cultural clash. At school we Pankararus Ezekiel identified through ethnographic research two situations involving intercultural theme: in the classroom, in the confrontation of specific knowledge and universal knowledge of the sayings, and relations between indigenous teachers and non-indigenous counterparts. Porting, we realize that education differently, based on a proposal to interculturality is, above all, understand the other perspective of recognition and respect of cultural diversity in our country.
Publié le : dimanche 1 janvier 2012
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Source : Revista Ra Ximhai 1665-0441 (2012) Vol. 8 Num. 2
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LA EDUCACIÓN
INTERCULTURAL:
SITUACIo NES DE
VALo RACIÓN y AFIRMACIÓN
é TNICA EN LA ESCUELA
INDíGENA PANkARARU Warna Vieira Rodrigues
warnav@gmail.com
Alice Ferreira do Nascimento Maciel
alicefnmaciel@gmail.com
RESUMO
A Educação Escolar Indígena é distnguida a partr de quatro dimensões:
comunitária, específca, diferenciada e intercultural. Esse trabalho tem como
proposta investgar a questão da interculturalidade a partr de situações do
cotdiano da escola Pankararus Ezequiel, com o intuito de contribuir para
discussões sobre o diálogo intercultural nos espaços de confronto culturais. Na
escola Pankararus Ezequiel pudemos identfcar, através de pesquisa etnográfca
duas situações envolvendo a temátca interculturalidade: na sala de aula, no
confronto direto dos saberes específcos e dos ditos conhecimentos universais,
e nas relações entre os professores indígenas e interlocutores não índios.
Portando, percebemos que a educação diferenciada, pautada numa proposta
de interculturalidade é, sobretudo, perceber o Outro numa perspectva de
reconhecimento e respeito da diversidade cultural existente em nosso país.
Palabras clave: Interculturalidade, Educação Escolar Indígena, Pankararu,
identdade étnica
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La educación intercultural: situaciones de valoración y afirmación étnica en la escuela indígena pankararu.
indígena pautada nas diretrizes curriculares nacionais referentes a cada etapa
da Educação Básica, como também nos conteúdos curriculares especifcamente
INTRODUÇÃO indígenas e nos modos próprios de consttuição do saber e da cultura, com a
garanta da efetva partcipação da comunidade ou povo indígena na construção
do seu próprio modelo de escolarização. Todavia, apesar dos inúmeros
decretos e diretrizes proclamados para organizar e assegurar a educação o longo dessas últmas quatro décadas leis e documentos ofcias foram
escolar indígena, a normatzação não deve servir como elemento estruturador produzidos no intuito de criar condições para a execução efetva de uma
de um modelo e sim facilitador no processo de discussão e organização de uma AEducação Escolar Indígena- EEI- em oposição ao modelo de uma educação
escolarização que em muitas áreas indígenas tveram contato com um modelo escolar direcionada aos povos indígenas pautado nos ideais integracionistas.
que não leva em conta as especifcidades étnicos culturais. (Athias; Lanterman, Portanto, desde a promulgação da Consttuição Federal de1988 fcou
2008)assegurado aos povos indígenas sua organização social, costumes, línguas,
crenças e tradições. É a concepção de uma de uma “cidadania diferenciada”
Percebemos que as diretrizes provenientes de uma polítca pública voltada para por meio do reconhecimento de seus direitos territoriais, educacionais e
uma educação escolar indígena não são sufcientes para a sua implantação. É culturais, cuja especifcidade da condição indígena passa a ser gradatvamente
necessário para a realização efetva da EEI de qualidade ações especifcas e
reconhecida e normatzada (Ladeira, 2004).
que estas se realizem enquanto polítcas públicas. Para tanto são essenciais
investmentos para formação dos professores, ofcinas para a construção de
Outras iniciatvas importantes provenientes dos desdobramentos legais
um material didátco próprio e acompanhamento técnico qualifcado. Assim,
somam-se a essa conquista, com a publicação da Lei de Diretrizes e Base da
de fato, os professores indígenas poderão ter acesso a proposta de educação
Educação Nacional (LDB), em 1996, garantndo às comunidades indígenas
diferenciada atribuindo-lhe identdade e função próprias. Porém, esperamos
também a utlização de suas línguas maternas e de processos próprios de ensino
que esse texto contribuia para os debates sobre esse tema, na direção da
e aprendizagem na escola. Desde então, diretrizes e ações são elaboradas e
implantação de uma escola diferenciada, de qualidade, que esteja voltada para
realizadas para corroborar na execução de uma educação diferenciada pautada
as demandas e necessidades de cada etnia.
na valorização e no fortalecimento das identdades étnicas.
Durante a pesquisa de campo percebemos que a questão da interculturalidade
Nesse processo de regulamentação da educação diferenciada, a partr de 1991,
além de ser um termo presente nos documentos ofciais, é facilmente
está sobre a responsabilidade do Ministério de Educação e Cultura (MEC) garantr
identfcável em diversas situações postas aos professores da escola indígena
um conjunto de programas, projetos e atvidades que compõem a polítca
Pankararus Ezequiel. Essas situações são percebidas como momentos de
de EEI. Dentre os inúmeros materiais de apoio pedagógico publicados para
enfrentamento que acontecem não apenas na sala de aula, mas também
contribuir na execução de uma proposta de educação diferenciada destacamos
nas circunstâncias que envolvem o diálogo entre professores indígenas e a
o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI), publicado
comunidade nacional, ou seja, os não indígenas. Nesses confrontos, as reações
em 1998, pois, além de abordar o aspecto legal e histórico da educação escolar
por parte dos professores são identfcadas como estratégias de afrmação e
indígena, propõe orientações curriculares para o trabalho nas séries iniciais do
valorização da identdade Pankararu. As observações e entrevistas realizadas no
Ensino Fundamental. O RCNEI caracteriza a escolarização indígena, sobretudo,
cotdiano da escola, no decorrer do primeiro semestre 2011, proporcionaram a
pela efetva partcipação da comunidade ou povo indígena na construção do
identfcação de duas situações distntas dessas relações interculturais, portanto,
seu próprio modelo de educação escolar, por uma educação diferenciada e
proposta de discussão desse trabalho. A primeira situação foi identfcada na
específca, intercultural e bilíngue.
sala de aula, a interculturalidade percebida na relação entre os conhecimentos
tradicionais e os cientfcos/ocidentais. A segunda foi distnguida nas falas de
Portanto, atualmente, as leis vigentes no País asseguram uma educação escolar
alguns professores da escola Pankararus Ezequiel por ocasião de situações Ra-Ximhai. Volumen 8 número 2 enero – abril 2012Warna Vieira-Rodrigues y Alice Ferreira do Nascimento-Maciel•164 165
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envolvendo não-indígenas. Educatonal, Scientfc and Cultural Organizaton – UNESCO, em documentos
versavam sobre ‘Educação para a compreensão mútua das culturas’, contendo
Os Pankararu consttuem uma das, aproximadamente, oitenta etnias que vivem orientações sobre a interculturalidade. Na realidade, a UNESCO vinha
no Nordeste brasileiro, porém, apenas os Fulni-ô são falantes da sua língua promovendo, desde 1976, colóquios, cujo objetvo genérico era a “apreciação
natva, as outras etnias comunicam-se apenas em português, mesmo entre e respeito da identdade cultural”, esses encontros fomentados pela insttuição
eles. Portanto, nas etnias que não são falantes da língua natva, o elemento faziam parte do ‘Programa de estudos interculturais’.
estruturante da educação escolar é a interculturalidade. É na re (construção)
de uma identdade diferenciada, pautada em outros sinais diacrítcos que Para o antropólogo Gasché o termo interculturalidade chegou à America Latna
não o idioma, que será determinado os diálogos entre a etnia Pankararu e a a partr das recomendações sugeridas pela Convenção no169 da Organização
sociedade nacional. Internacional do Trabalho - OIT sobre Povos Indígenas e Tribais, adotada em
Genebra, em 27 de junho de 1989. Para o autor, a parte do texto que cabe a
Interculturalidade: o trajeto de um conceito “Educação e meios de comunicação” aponta para uma proposta de educação
diferenciada: “Veamos en qué términos están formulados estos derechos y de
Alguns textos indicam que o termo interculturalidade surge a partr de ahí derivaremos la dimensión que debe alcanzar la noción de interculturalidad
discussões, ora, para constatar a existência e a extensão do ‘contatos de en la educación” (Gasché, 2004:2).
culturas’(UNESCO, 1980), ora, com o intuito de encontrar soluções para os
confitos eminentes dos fuxos migratórios desencadeados pela Segunda No Brasil, podemos identfcar como marco principal no uso do termo
Guerra Mundial. Se o termo surgiu na condição de identfcar ‘nós’ e os ‘outros’ interculturalidade na educação indígena a LDB, que no artgo 78 versa sobre
e defnir ações possíveis para promover a coabitação mais tolerante e mais educação escolar indígena:
harmoniosa (UNESCO, 1980) num contexto multcultural, hoje, o seu uso pode
ser percebido em diversas áreas do conhecimento. “. . . com a colaboração das agências federais de fomento à
cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas
Se a noção de cultura é inerente aos parâmetros teóricos da antropologia, o integrados de ensino e pesquisas, para oferta de Educação
conceito interalidade, segundo registros encontrados, já trás em sua escolar bilíngüe e intercultural aos povos indígenas, com
essência uma dimensão polítca do seu uso. Segundo o flósofo e sociólogo os seguintes objetvos: I - proporcionar aos índios, suas
Jacques Demorgon (2003), a discussão sobre interculturalidade remonta ao comunidades e povos, a recuperação de suas memórias
período da Segunda Guerra Mundial, a partr das pesquisas encomendadas históricas; a reafrmação de suas identdades étnicas; a
à antropóloga Ruth Benedict sobre os japoneses, com o objetvo militar dos valorização de suas línguas e ciências; II - garantr aos
Estados Unidos em conhecerem melhor o adversário. índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações,
conhecimentos técnicos e cientfcos da sociedade nacional
Em “Les présupposés de la noton d’interculturel- Rféexions sur l’usage du e demais sociedades indígenas e não índias.”
terme depuis trente ans”, a socióloga Gabrielle Varro afrma que, já na década
de 70, o termo interculturalidade está relacionado a programas fomentados Para Eunice Dias de Paula (1999) “o binômio intercultural e bilíngüe é considerado
pela Comunidade Econômica Europeia direcionados aos imigrantes e suas como consttutvo da categoria ‘escola indígena’. Contudo, a coabitação entre
famílias. Em 1978, a autora também identfca, por parte do Ministério da culturas já exista de fato. “Ou seja, antes de a escola ser intercultural, as
Educação Nacional da França, recomendações às escolas primárias para sociedades indígenas já estão se relacionando com a sociedade não-indígena.”
realizarem “atvidades culturais” na perspectva de estabelecer diálogo no (PAULA, 1999). Mas, como podemos identfcar a dinâmica do contexto
contexto multcultural nos espaços de escolarização, Além disso, percebemos intercultural nas relações no cotdiano da escola? Qual é a compreensão do
que, na década seguinte, em determinadas propostas da United Naton professor do conceito de interculturalidade? Como acontece esse confronto Ra-Ximhai. Volumen 8 número 2 enero – abril 2012Warna Vieira-Rodrigues y Alice Ferreira do Nascimento-Maciel•166 167
La educación intercultural: situaciones de valoración y afirmación étnica en la escuela indígena pankararu.
intercultural nos espaços pedagógicos?
attude de represália ao processo de estadualização das escolas. Foi necessária
a atuação da Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação como
A educação diferenciada, pautada numa proposta de interculturalidade é,
mediadora da situação de litgio entre os indígenas, a prefeitura e o governo
sobretudo, perceber o ‘Outro’ numa perspectva de reconhecimento e respeito
do estado.
da diversidade cultural existente em nosso país, contudo, nem sempre foi
assim, pois, a insttuição escolar é originária de um processo colonizador,
Apesar dos avanços provenientes da publicação da Consttuição de 1988, as
assimilacionista, de ideário civilizatório. Portanto, ao longo da história da
escolas indígenas ainda encontram difculdades para se insttuirem enquanto
educação escolar indígena percebemos que a sua função preponderante foi
proposta de educação diferenciada. As adversidades para execução desta
tornar os ditos índios em cidadãos brasileiros.
proposta não se reduz, apenas, às questões voltadas à estadualização das
Escolas indígenas em Pernambuco, processo de implantação de educação
escolas. Em julho de 2010, professores, gestores e lideranças dos povos
diferenciada
indígenas Kambiwá, Kapinawá, Truká, Pipipã, Xukuru, Pankará, Pankararu,
Entre Serra Pankararu, Pankaiuká e Atkum elaboraram uma carta, enviada ao
Em Pernambuco, a estadualização das escolas indígenas se estabeleceu através
governador de Pernambuco, cujo teor está pautado na avaliação sobre a atual
do decreto N.º 24.628, no ano de 2002, regulamentando o funcionamento do
situação da educação indígena nas aldeias. Dois dos 14 problemas listados estão
ensino indígena no sistema de ensino do estado, no âmbito da educação básica,
relacionados diretamente à execução da proposta da educação intercultural: o
exigência da resolução de Nº. 03, promulgada pela Câmara de Educação Básica
currículo específco ainda não foi concluído e os Projetos Polítcos Pedagógicos
em novembro de 1999. Escolas que eram municipais e atendiam aos indígenas,
elaborados pelos povos não são respeitados.
comumente conhecidas como Escolas de Sítos, por estarem situadas em áreas
rurais, funcionavam nas aldeias e passaram a ser administradas pela Secretaria
Em entrevista realizada durante a pesquisa de campo, Marta Maria, atual
de Educação do Governo do Estado. Com relação a alguns estados brasileiros,
professora responsável pela administração da Escola Pankararus Ezequiel,
Pernambuco, ainda, não consolidou uma polítca pública de educação indígena.
destacou que a estadualização introduziu uma proposta diferenciada de
Apenas em 2006 foi criado o Conselho Escolar de Educação Indígena de
educação, “antes se trabalhava a questão do índio, mas não da mesma forma
Pernambuco – CEEIN, dois anos depois, em 2008, foi aprovado o Regulamento
que hoje. Hoje, envolvemos a cultura, as tradições, o dia a dia no planejamento,
do CEEIN. Ocorrendo a sua implantação.
sem esquecer o ensino regular.”
É nesse contexto que propomos uma refexão sobre a educação intercultural
O processo de estadualização das escolas é gradatvo e, mesmo após alguns
na Aldeia Brejo dos Padres. Interculturalidade, vista aqui, como categoria
anos da publicação da lei nº. 10.172, ainda acarreta certo mal estar por parte
consttutva de uma escola indígena que fomenta outras possibilidades, numa
de algumas prefeituras. Neste processo de transferência,
perspectva de condução de seus próprios projetos educacionais. (PAULA, 1999)
um grupo de índios Xucuru liderados por Biá, morador da aldeia
Cimbres, tenta impedir a estadualização das escolas indígenas em
troca de compromisso de que manteria as escolas jurisdicionadas
Nas terras indígenas Pankararu
ao governo municipal de Pesqueira. Nesse processo de passar
para o Estado a responsabilidade pelas escolas indígenas, a
Em Pernambuco, das 11 etnias (Pankaiuka, Tuxá, Atkum, Fulni-ô, Kapinawá,
Prefeitura local perderia cerca de 2.500 alunos/as dessas escolas
Pankará, Pankararu, Pipipã, Truká, Xucuru, Kambiwá), apenas os Fulni-ô têm
e isso signifcaria uma redução da verba do Fundo de Valorização
um idioma próprio, as demais etnias se utlizam de diversos sinais diacrítcos
do Ensino Fundamental e Magistério FUNDEF. (Cavalcante; 2007).
para a construção e afrmação da sua identdade, não seria diferente entre os
Pankararu do Brejo dos Padres.
No início do ano de 2008, duas escolas que atendiam os povos Pankará foram
fechadas pela Prefeitura de Carnaubeira da Penha, sertão do estado, numa
A terra indígena dos Pankararu situa-se entre a Serra Grande e a Serra da Ra-Ximhai. Volumen 8 número 2 enero – abril 2012Warna Vieira-Rodrigues y Alice Ferreira do Nascimento-Maciel•168 169
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Borborema, nas margens do Rio São Francisco, nos limites dos municípios de 2011) como espaço de educação escolar antes da visita do pesquisador Carlos
Petrolândia, Tacaratu e Jatobá, sertão de Pernambuco, aproximadamente a Estevão de Oliveira, no fnal da década de 1930. Com a chegada do Serviço de
480 km da capital do estado. Os Pankararu pertencem a uma etnia que teve seu Proteção ao Índio (SPI) foi construída a primeira escola na Aldeia Brejo dos
idioma reduzido há poucas palavras. Em depoimento registrado na página da Padres, a escola Dr. Carlos Estevão. Posteriormente, a Fundação Nacional do
internet “Índios on Line’, cujo tema era “O esquecimento da língua Pankararu”, Índio (FUNAI) deu contnuidade a uma educação integracionista, oferecendo
1Maria Pankararu , mestre e doutora em Letras e Linguístca pela Universidade o ensino primário. Cabia àqueles que queriam e podiam dar prosseguimento
Federal de Alagoas, afrma: aos estudos, se dirigirem à escola da cidade de Tacaratu, numa distância da
“Infelizmente, as informações sobre a língua Pankararu (pelo aldeia de pouco mais de 6 km de muito barro e ladeiras. Nos anos 1990, sobre
menos aquelas que tve acesso) não são sufcientes para afrmar a responsabilidade do município de Tacaratu, a Escola Pankararus Ezequiel foi
qual tronco língüístco (a língua mãe, ou língua primeira lá dos inaugurada, porém, oferecendo também a escolaridade da primeira à quarta
tempos idos. Em termos comparatvos pensem no Português que série primarias.
se originou do Latm, que se originou do Proto Europeu – este
últmo é o Tronco Linguistco do Português!) pertenceu. Digo
pertenceu, porque há muitas gerações nosso povo não fala mais a Na aldeia Brejo do Padres a Escola Pankararus Ezequiel
língua indígena. Nos dados que tve acesso encontrei palavras de
origem Tupi, mas também muitas palavras em Ya:thê, a língua dos A aldeia Brejos dos Padres possui duas escolas, a Carlos Estevão, assim
Fulni-ô de Águas Belas (uma língua do tronco lingüístco Macro-jê, comumente denominada, e a Pankararus Ezequiel. Distanciam-se uma da outra
2sem parentesco com outras línguas indígenas)”.( , 2007) apenas por uma dezena de passos. A administração organizacional difere um
pouco do que já estamos habituados na rede estadual de ensino, cada escola
Para Arrut (2005), “a história Pankararu remete a polítcas públicas e ação tem um professor responsável e um único diretor para todas as escolas da etnia.
missionária implementadas desde o início da colonização portuguesa”. Porém, Esse diretor não atua isolado, ele possui uma comissão gestora. Cada escola
é apenas em 1938 que o Estado brasileiro reconhece ofcialmente o povo tem autonomia para gerir certas situações com seus respectvos professores.
Pankararu, num processo desgastante, “passaram por momentos históricos A função do professor responsável pela escola, às vezes também chamado de
de difculdades e confitos fundiários não diferentes das demais populações diretor, não é gratfcada com algum incentvo salarial.
indígenas de Pernambuco” (Athias, 2002). A história de resistência dos Pankararu
é marcada por diversos confitos relacionados à posse da terra, de relevante O planejamento e o calendário também são pensados pelos grupos de
signifcado para a manutenção e preservação da noção de pertencimento e professores representantes das escolas das aldeias. Após discussões entre
identdade étnica, cujas escolas Pankararu são espaços fecundos para observar esses professores, o planejamento é trazido para a escola de origem, onde será
a dinâmica de valorização de elementos culturais incorporados, transmitdos, apresentado e submetdo às apreciações. Segundo informações fornecidas
apropriados e (re)signifcados, tornando-se símbolos e representações de uma pelos professores, todas as 12 aldeias do Território Indígena Pankararu
identdade étnica. possuem seu próprio calendário escolar. As divergências estão centradas,
principalmente, nas atvidades religiosas relacionadas ao padroeiro de cada
O processo de escolarização entre os Pankararu já vinha sido vivenciado aldeia, a emancipação do município e alguns rituais próprios do grupo.
ao longo de sua história de luta e conquista. Os mais velhos, em suas falas
referem-se ao ‘pé de tamarindo encostado à casa perto do riacho’ (D. Dindinha; As disciplinas oferecidas são as mesmas de uma escola não-indígena, contudo,
percebemos que duas áreas de ensino se destacam na elaboração e proposta
de projetos com foco exclusivo na valorização e afrmação étnica: Artes e 1 Maria das Dores de Oliveira, conhecida como Maria Pankararu, é a primeira indígena brasilei-
Educação fsica. Esses professores atuam em regime itnerante, ou seja, mesmo ra a conquistar o título de doutorado.
sendo lotados em uma determinada escola, eles transitam nas outras unidades
2 http://www.indiosonline.org.br/novo/o_esquecimento_da_lingua_pankararu/Ra-Ximhai. Volumen 8 número 2 enero – abril 2012Warna Vieira-Rodrigues y Alice Ferreira do Nascimento-Maciel•170 171
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de ensino das diversas aldeias Pankararu, para apresentar e realizar os projetos. antecedeu o ritual Pankararu “Corrida do Imbu”. A “Corrida do Imbu” representa
No decorrer na nossa pesquisa, os professores de arte estavam elaborando um uma das etapas de um ciclo de rituais que se inicia no mês de novembro ou
projeto que tnha como tema inicial o resgate das ramas Pankararu. Os autores dezembro, quando um índio encontra o primeiro imbu da safra. Segundo
estavam fazendo um levantamento para identfcar as comunidades existentes Priscila Mata,
em todo território nacional, que surgiram a partr dos Pankararu do Brejo dos
Padres. “a Corrida do Imbu está ligada aos encantados, entdades ‘vivas’
que possuem uma ordenação e hierarquia cuja gênese remonta
a um tempo mítco e que se manifestam através dos praiás –
Identfcando a relação intercultural na sala de aula encantados que se apresentam através de vestmentas e máscaras
rituais. As atribuições principais desses encantados são a proteção
Escolhemos relatar alguns elementos que consideramos identfcadores da aldeia e a cura dos homens. Os praiás partcipam de rituais em
de um contexto sociocultural diferenciado para perceber a questão da terreiros – espaços sagrados – e são entdades fundamentais da
interculturalidade nesse espaço de educação diferenciada. Corrida do Imbu, que ocorre durante quatro fnais de semana, em
terreiros situados nas aldeias Brejo dos Padres e Serrinha.” (Mata,
Ao acompanhar o cotdiano dessa escola pudemos distnguir que os professores 2005:)
que conversamos tnham uma leitura própria da execução de uma educação
intercultural. Segundo Dias de Paula, “se por um lado há um consenso quase A professora com os seus alunos se dirigiram para a sala aproximadamente às
unânime de que a escola indígena deva ser intercultural, por outro, parece 7h30. Os alunos presentes sentavam em seus lugares enquanto a professora
haver várias concepções sobre o modo como a interalidade se concretza organizava o seu material para iniciarem a oração “Pai Nosso”. Após a oração,
no dia a dia de uma escola indígena”. (Paula, 2000: 2) os alunos já abriam os seus cadernos, pois a professora já tnha anunciado a
atvidade a ser realizada naquela manhã. Dando contnuidade a uma atvidade
Em diversas situações os professores se referiam à educação intercultural como anterior, cujo objetvo era organizar um texto sobre a Corrida do Imbu, os
uma condição importante para a valorização e afrmação da cultura Pankararu, alunos responderam questões relacionadas à realização desse ritual entre os
e lembravam que o desafo está em ensinar os conhecimentos ditos universais Pankararu
numa perspectva intercultural, ou seja, não esquecendo os saberes Pankararu.
O professor de Matemátca do ensino médio expressou a sua difculdade Na sala de aula, todos deveriam copiar o que a professora escrevia no quadro
em trabalhar a interculturalidade em sua disciplina, ao ser indagado sobre a negro, para depois, juntos, fazerem a leitura do texto. Após todos copiarem
diferença de uma escola na aldeia e fora dela, ele foi incisivo: “as escolas fora o texto, e a docente se dirigir a cada aluno confrmando a execução da
da aldeia são voltadas para o mercado. Aqui é para isso também e mais um atvidade, indagou, primeiramente, o que estava faltando naquele texto e
pouco. Aqui tem conhecimentos da cultura Pankararu e de outras culturas”. muitos responderam: o autor. A questão relacionada aos autores foi a que
Convém lembrar que não existe um referencial curricular para o Ensino Médio, todos detveram mais tempo para responder, pois por mais que a professora
as orientações dadas pelos coordenadores, durante a reunião de planejamento, explicasse que todos partciparam da construção daquele texto, os alunos
sobre o fazer pedagógico intercultural é restrita à metodologia utlizada na sala exigiam que o nome da professora viesse em primeiro, porque ela foi quem
de aula. escreveu no quadro. Assim sendo, o texto inttulado “A corrida do imbu” teve
como autores: Professora Rejane e os alunos do 4º ano.
Das atvidades acompanhadas no decorrer do trabalho de campo, escolhemos
relatar uma atvidade no 4º ano do Ensino Fundamental, como uma área Apesar de identfcarmos uma dinâmica bem próxima da realidade de uma
de confronto, ou provavelmente, um momento de congruência no contexto sala de aula numa escola não-indígena, a professora Rejane depõe que se deve
intercultural. As observações aqui relatadas ocorreram na semana que trabalhar com os conteúdos exigidos, mas, ao invés de usar “textos de outros Ra-Ximhai. Volumen 8 número 2 enero – abril 2012Warna Vieira-Rodrigues y Alice Ferreira do Nascimento-Maciel•172 173
La educación intercultural: situaciones de valoración y afirmación étnica en la escuela indígena pankararu.
assuntos é importante trabalhar com textos envolvendo a cultura Pankararu”. era camauirá e acho que era delas..., muitas músicas que falavam
de índio mais na visão delas. . . e a gente vivenciava isso só no dia
Numa segunda atvidade relacionada ao texto foi solicitado que cada aluno 19 de abril’ (Maria das Dores; 2011)
deveria fazer algum desenho colorido referente ao conteúdo do texto. Nesse
momento de descontração, onde a professora circula pela sala, os alunos Alguns autores identfcam nesse contexto intercultural uma relação
começam a fazer os seus desenhos compartlhando os lápis de cor e folhas vertcalizada estabelecida entre as duas culturas. Ao referir-se a esse momento,
de papel, mas executam a atvidade individualmente. A professora sugere podemos identfcar a interculturalidade pautada numa relação de dominação/
que aqueles que quisessem poderiam oferecer os desenhos a pesquisadora submissão, como nos explica Gasché:
presente: dos vinte e seis alunos que executaram a tarefa vinte entregaram,
os outros seis não terminaram a tempo ou tveram vergonha de entregar. Dos ‘la dominación/sumisión imprime a la relación intercultural, por
vinte desenhos entregues, quinze tnham como desenho principal os praiás um lado, condiciones económicas, sociales, polítcas y legales, y por
com seus respectvos nomes, dois o Cruzeiro. Outros dois desenhos el otro, disposiciones, acttudes, y valores asimétricos, desiguales
tnham com tema a natureza nas terras Pankararu, e o últmo referia-se a pero complementarios y que en su complementariedad se reiteran
chegada, recente, da luz elétrica em sua residência. y refuerzan diariamente a través de las conductas rutnarias,
esquemátcas entre sujetos dominados y sujetos sumisos.
No decorrer da execução dos desenhos, o que chamou bastante atenção era
a forma como alguns meninos movimentavam o lápis. Após uma observação Contudo, percebemos que essas relações vertcalizadas estão sendo alteradas
mais atenta, percebeu-se que essa sequência no movimento do lápis era uma ao longo do processo de implantação da educação escolar indígena no estado.
forma de imitar o movimento do instrumento de percussão utlizado nos Na mesma entrevista, Maria das Dores comenta sobre o dia do folclore, sobre o
rituais, maracá, concomitantemente os mesmos, num tom baixo, cantarolavam resgate de algumas danças que já foram executadas pelos mais antgos ou fora
toantes. Os toantes são músicas Pankararu acompanhadas pelo som dos da aldeia e que são apresentadas aos alunos, como algumas danças de roda:
maracás e executados durante a “Corrida do Imbu”. Ao aproximar o termino da
aula, os alunos, em um grupo de cinco, arriscaram uns passos reproduzindo os “No dia do folclore a gente expõe as danças que são vivenciadas
movimentos peculiares dos praiás nos rituais. em vários lugares, aí perguntamos e aqui qual dança era dançadas
pelos mais velhos? Aí podemos incluir como folclore, adança do
Numa das entrevistas concedidas, Pedrina e Maria das Dores, professoras e pastoril, a dança do coco, já trouxemos um grupo de adultos para
coordenadoras pedagógicas da Educação Infantl e do Ensino Fundamental, mostrar para os nossos alunos. Agora teve um tempo que queriam
foram convidadas a relatarem suas experiências enquanto alunas da escola apresentar lá fora o Toré como folclore, o Toré não é folclore, o
que funcionava sobre a responsabilidade da FUNAI, na década de 70. Ao Toré faz parte da nossa cultura.”
responderem sobre a diferença da escola de antes e a de hoje elas se remeteram
as suas lembranças das comemorações relacionadas ao ‘dia do índio’: Sobre a questão da interculturalidade Gasché nos chama atenção das limitações
que esse conceito traz como proposta de educação diferenciada, pois o mesmo
‘para se falar de indio, dançar, cantar, só se falava naquele dia, no se encontra atrelado a uma “vontade polítca com a qual se decide sua execução,
dia 19 de abril. Os torés não eram cantados, hoje nos apresentamos dentro de um contexto histórico específco” (MARIN apud GASCHÉ 2003).
para nossos alunos. Nos cantávamos hinos, elas criavam, eu acho
que era criação delas (referindo-se as professoras não índias), elas Contudo, apesar dessas refexões serem pertnentes, através de uma educação
tnham um caderno só de hino. Nos eram ensinado a cantar aquela dita intercultural, podemos identfcar o esforço para a realização de um
música ê, ê, ê, ê, ê, Índio quer apito, se não der pau vai comer! Lá trabalho diferenciado, que busca responder as expectatvas daqueles que estão
no bananal mulher de branco..., eu nem me lembro mais, outra no cotdiano do espaço escolar, numa perspectva de valorização e afrmação Ra-Ximhai. Volumen 8 número 2 enero – abril 2012Warna Vieira-Rodrigues y Alice Ferreira do Nascimento-Maciel•174 175
La educación intercultural: situaciones de valoración y afirmación étnica en la escuela indígena pankararu.
da identdade étnica. da cultura são os atores e suas relações (a comunidade: alunos, famílias,
A questão da intercultural idade não é um consenso entre os professores da professores, gestores), os discursos e as linguagens (modos de conversação
Escola Pankararus Ezequiel. Se alguns que entrevistamos acreditam que a e comunicação), as insttuições (o sistema educatvo - inclui organização
tradição deveria estar mais presente na sala de aula, outros já acham que a escola e organização social) e por fm, mas não menos importante, as prátcas
educação tem que ser de qualidade. Esses professores defendem uma educação pedagógicas.
voltada para o ensino regular, “como uma escola de não-indio”, pois o diálogo
intercultural existrá quando os Pankararu terminarem um curso universitário Não obstante, apesar de todo aparato legal e insttucional (Conselhos federais,
e poder exercer suas atvidades na aldeia, dialogando como iguais. Segundo estaduais, associações etc.) existente na tentatva de garantr uma Educação
Cícero, professor de língua portuguesa do Ensino Médio “precisamos formar Escolar Indígena diferenciada e específca, intercultural e bilíngue, são os atores
bons profssionais, em diversas áreas do ensino superior, para que eles assim no contexto sociocultural que devem se apropriar efetvamente da educação
possam retornar à aldeia e fortalecer os Pankararu.” escolar, atribuindo-lhe identdade e função. A educação diferenciada, pautada
numa proposta de interculturalidade é, sobretudo, perceber o Outro numa
Portanto, consideramos que o espaço escolar, que se encontra inserido num perspectva de reconhecimento e respeito à diversidade cultural existente em
contexto sociocultural peculiar, traz consigo uma versão específca do que seja nosso país, contudo, nem sempre foi assim.
a escola: área de confronto, ou, talvez, de interseção, de uma lógica própria em
relação à organização social da aldeia e as diretrizes pautadas nos documentos REFERÊNCIAS
ofciais.
• ARRUTI, José Maurício P.. A. Morte e Vida do Nordeste Indígena: a
emergência Étnica como Fenômeno Histórico Regional. Estudos Históricos,
Considerações gerais 15:57-94, 1995.
• ATHIAS, R. M.; LATERMAN, Ilana. Temas e problemas na construção de
Atualmente, as leis vigentes no País asseguram uma educação escolar indígena currículo Intercultural na educação escolar indígena no Rio Negro/AM.
embasada nas diretrizes curriculares nacionais referentes a cada etapa da In: IV Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares. Florianópolis.
Educação Básica, como também nos conteúdos curriculares especifcamente 2008.
indígenas e nos modos próprios de consttuição do saber e da cultura, com a • BRASIL, LDB. Lei 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
garanta da efetva partcipação da comunidade ou povo indígena na construção Disponível em <htp://www.planalto.gov.br> [Consult. 25 de Junho 2003].
do seu próprio modelo de escolarização. Todavia, apesar dos inúmeros • DEMORGON, Jacques. L’interculturel entre rérécepton et inventon.
decretos e diretrizes proclamados para organizar e assegurar a educação Contextes, médias, concepts, em htp://www.ques2com.fr/pdf/qds4-
escolar indígena. demorgon.pdf. Acesso em: 10 de jul. de 2011.
• FERREIRA, Mariana Kawall Leal. A Educação Escolar Indígena: um diagnóstco
Se para alguns a escola indígena se apresenta como um instrumento conceitual crítco da situação no Brasil. In: SILVA, Aracy Lopes da. & FERREIRA, Mariana
de luta (Ferreira, 1999), para outros um fator de ascensão social (Ladeira, Kawall Leal (Orgs.) Antropologia, História e Educação. A Questão Indígena e
2004), indiscutvelmente, a escola é uma insttuição que hoje se faz presente a Escola. S.P.: Global, 2001, p. 71-111.
no cotdiano dos povos indígenas. E a questão da interculturalidade surge • GASCHÉ, J. “La Motvatón Politca da la educación interculturalindígena
com fator determinante e diferenciador desse processo de escolarização das ysus exigências pedagógicas ¿Hasta dónde abarca la interculturalidad?”.
comunidades étnicas. em: htp://www.ibcperu.org/doc/isis/13049.pdf. Acesso em: 14 de jul. de
2011
Posto, os principais elementos que, objetvamente, destacamos como • LADEIRA, Maria Elisa. Desafos de uma polítca para a educação escolar
responsáveis pelo processo de (res)signifcação, valorização e manutenção indígena. Revista de Estudos e Pesquisas, Brasília, v.1, n.2, p. 141-155, dez., Warna Vieira-Rodrigues y Alice Ferreira do Nascimento-Maciel•176
La educación intercultural: situaciones de valoración y afirmación étnica en la escuela indígena pankararu.
2004.
• MARIN, José. Dimensión histórica de la perspectva intercultural:
educación, Estado y sociedad. In: Revista Grifos: Dossiê Educação EDUCAção ESCo LAR
Intercultural. Chapecó, SC: Argos, 2004, p. 69-88 INDíGENA: A EDUCAção
• PAULA, Eunice Dias de. “A interculturalidade no cotdiano de uma escola Po PULAR Co Mo ESTRATé GIA
indígena”. In: Cadernos Cedes, ano XIX, nº 49, Dezembro, 1999.
PARA MANUTENção DA CULTURA
• UNESCO. 1980. Colloque sur lês “Phénomènes d’acculturaton et de
NA ESCo LA INDíGENA FULNI-ô déculturaton dans le monde contemporain” em: htp://unesdoc.unesco.
MARECHAL Ro NDo N Do Po Vo org/images/0009/000939/093953f.pdf. Acesso em: 10 de jul. de 2011.
FULNI-ô – A GUAS BELAS – • VARRO, Gabrielle. ‘Les présupposés de la noton d’interculturel fR eéxions
Simone Cristina CavalcantePERNAMBUCo - B RASILsur l’usage du terme depuis trente ans’. em: htp://ressources-cla.univ-
sicriscal@hotmail.com
fcomte.fr/gerfint/chili3/varro.pdf. Acesso em: 9 de jul. de 2011.
RESUMO
O presente artgo analisa a Educação Escolar Indígena na Escola Indígena
Fulni-ô Marechal Rondon e suas ações pedagógicas direcionadas pela
pedagogia da Educação Popular como uma das estratégias para manutenção
da cultura do povo Fulni-ô localizado município de Águas Belas - Pernambuco
– Brasil, partndo de tal análise e de acordo com a metodologia qualitatva,
apresentamos a identfcação do seu processo de luta para manutenção e Warna Vieira Rodrigues
fortalecimento de sua cultura através da educação escolar.Antropóloga. Estudiante de maestría en antropología en la Universidad
Federal de Pernambuco, Diploma de Postgrado en Antropología Social y en la
Palavras-chave: Educação Escolar Indígena. Educação Popular. Escola Indígena historia de Europa en la EHESS, Toulouse. Tiene experiencia en investgación
Fulni-ô Marechal Rondon.en las áreas de la población indígena en Pernambuco. Professora da rede de
ensino no Recife y de la Facultad de Recife Frassinet - FAFIRE
SUMMARy
This artcle analyzes the Indigenous Educaton Indigenous School Fulni-ô
Marshal Rondon and his actons directed by the teaching pedagogy of popular
Alice Ferreira do Nascimento Maciel educaton as a strategy to maintain the culture of the people Fulni-ô in the city
Estudiante de maestría en antropología en la Universidad Federal de of Águas Belas - Pernambuco - Brazil startng from this analysis and according
Pernambuco. Tiene experiencia en investgación en las áreas de la población to the proposed methodology qualitatve aspect, we present the identfcaton
rural en Brasil. Ha desarrollado investgaciones en las poblaciones acerca de the struggle for its maintenance and strengthening of their culture, through
la Extensión Rural para las comunidades tradicionales, llamadas comunidades school educaton.
quilombolas. Es miembro de la Red de Estudios Rurales y del Laboratorio de
Estudios Rurales de la UFPE. Keywords: Indigenous School Educaton. Popular Educaton. Indigenous Fulni-ô
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