RECURSOS GENÉTICOS ANIMAIS E SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO TRADICIONAIS EM PORTUGAL (ANIMAL GENETIC RESOURCES AND TRADITIONAL PRODUCTION SYSTEMS IN PORTUGAL)

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Os recursos genéticos locais em Portugal estão representados por 13 raças de bovinos de carne, 12 raças de ovinos, 5 raças de caprinos, 2 raças de suínos e 3 raças de equinos, totalizando em 1999, um número de fêmeas registadas de 70000, 136176, 43700, 6520 e 8600, respectivamente. Apesar da elevada diversidade genética, a contribuição relativa das várias raças locais para os efectivos totais nacionais das diversas espécies é de apenas 24 p.100 para os bovinos, 6 p.100 para os ovinos, 7,8 p.100 para os caprinos, 2 p.100 para os suínos e 15,2 p.100 para os equinos. A maioria dos animais explorados em Portugal provêm de cruzamentos entre raças locais e exóticas em variados graus de absorção. A estrutura fundiária das explorações em Portugal, associada à diversidade das condições de solo, clima e de cultura, são factores que mais influenciam os sistemas de exploração. Para as várias raças locais, e principalmente para os ruminantes, o sistema de exploração tradicional mais característico é o extensivo. No entanto, observa-se uma diferenciação nítida entre o Norte e o Sul de Portugal, em termos de dimensão dos efectivos e aproveitamento da produção. No Norte, predomina a exploração familiar e pratica-se uma agricultura de subsistência. No Sul, os efectivos são em geral de dimensão elevada e pratica-se uma agricultura de cariz empresarial. Cerca de 40 p.100 da totalidade das raças autóctones têm efectivos inferiores a 5000 fêmeas, encontrando- se portanto em estado de extinção mais ou menos acentuado, necessitando assim de programas de conservação genética e de medidas objectivas que visem a sua utilização futura.
Abstract
In Portugal, there are 13 beef cattle breeds, 12 sheep breeds, 5 goat breeds, 2 swine breeds and 3 horse breeds identified, with total numbers of registered females, in 1999, of 70000, 136176, 43700, 6 520 and 8600, respectively. Despite the high genetic diversity represented by these native breeds, their relative contributions for national herds are only 24 p.100 for beef cattle, 6 p.100 Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 364. MATOS for sheep, 7.8 p.100 for goats, 2 p.100 for swine and 15.2 p.100 for horses. The vast majority of animals raised in Portugal are crossbreds, as a result of continued crossbreeding practices with exotic germplasm. Farm size, climatic, soil and cultural diversity are the main factors influencing production systems. The extensive production system is the most typical in Portugal, namely for ruminant species. However, in terms of average herd sizes, use of products and type of enterprise, there is a clear distinction between the North and the South of Portugal. While in the North, family based enterprises are the most common, in the South, herd sizes and enterprises are larger, and generally more competitive. Approximately 40 p.100 of total native breeds have less than 5000 registered females. According to FAO standards, these breeds are in various degrees of endangerment and genetic conservation programs, as well as actions for their future utilization and management, need to be implemented.
Publié le : samedi 1 janvier 2000
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RECURSOS GENÉTICOS ANIMAIS E SISTEMAS DE
EXPLORAÇÃO TRADICIONAIS EM PORTUGAL
ANIMAL GENETIC RESOURCES AND TRADITIONAL PRODUCTION SYSTEMS IN
PORTUGAL
Matos, C.A.P.
Centro de Experimentação do Baixo Alentejo – Direcção Regional de Agricultura do Alentejo. Herdade da
Abóbada. 7530 – Vila Nova de São Bento. Serpa, Portugal.
http:\www.min agricultura.pt/documentos/11 investigacao/abobada/ceba.html
ADDITIONAL KEYWORDSPALAVRAS CHAVE ADICIONAIS
Conservação. Bovinos. Ovinos. Caprinos. Conservation. Cattle. Sheep. Goats. Swine.
Suínos. Equinos. Horses.
RESUMO
Os recursos genéticos locais em Portugal Portugal, em termos de dimensão dos efectivos
estão representados por 13 raças de bovinos de e aproveitamento da produção. No Norte, predo
carne, 12 raças de ovinos, 5 raças de caprinos, mina a exploração familiar e pratica se uma
2 raças de suínos e 3 raças de equinos, totalizan agricultura de subsistência. No Sul, os efectivos
do em 1999, um número de fêmeas registadas de são em geral de dimensão elevada e pratica se
70000, 136176, 43700, 6520 e 8600, respectiva uma agricultura de cariz empresarial. Cerca de
mente. Apesar da elevada diversidade genética, 40 p.100 da totalidade das raças autóctones têm
a contribuição relativa das várias raças locais efectivos inferiores a 5000 fêmeas, encontran
para os efectivos totais nacionais das diversas do se portanto em estado de extinção mais ou
espécies é de apenas 24 p.100 para os bovinos, menos acentuado, necessitando assim de pro
6 p.100 para os ovinos, 7,8 p.100 para os gramas de conservação genética e de medidas
caprinos, 2 p.100 para os suínos e 15,2 p.100 objectivas que visem a sua utilização futura.
para os equinos. A maioria dos animais explora
dos em Portugal provêm de cruzamentos entre
raças locais e exóticas em variados graus de SUMMARY
absorção. A estrutura fundiária das explorações
em Portugal, associada à diversidade das In Portugal, there are 13 beef cattle breeds,
condições de solo, clima e de cultura, são facto 12 sheep breeds, 5 goat breeds, 2 swine breeds
res que mais influenciam os sistemas de and 3 horse breeds identified, with total numbers
exploração. Para as várias raças locais, e prin of registered females, in 1999, of 70000, 136176,
cipalmente para os ruminantes, o sistema de 43700, 6 520 and 8600, respectively. Despite the
exploração tradicional mais característico é o high genetic diversity represented by these native
extensivo. No entanto, observa se uma breeds, their relative contributions for national
herds are only 24 p.100 for beef cattle, 6 p.100diferenciação nítida entre o Norte e o Sul de
Arch. Zootec. 49: 363 383. 2000.MATOS
for sheep, 7.8 p.100 for goats, 2 p.100 for swine científica e até mesmo económica
and 15.2 p.100 for horses. The vast majority of (Hodges, 1992).
animals raised in Portugal are crossbreds, as a A principal questão, motivo de
result of continued crossbreeding practices with amplo debate, prende se com a
exotic germplasm. Farm size, climatic, soil and dificuldade em manter raças locais,
cultural diversity are the main factors influencing algumas delas desajustadas hoje em
production systems. The extensive production dia em termos produtivos, e que, por
system is the most typical in Portugal, namely for isso mesmo se encontram em risco de
ruminant species. However, in terms of average extinção (Schulte Coerne, 1992). As
herd sizes, use of products and type of enterprise,
medidas recentes levadas a efeito no
there is a clear distinction between the North and
seio da União Europeia, nomeadamente
the South of Portugal. While in the North, family
a prática de subsídios directos aos
based enterprises are the most common, in the
criadores das raças declaradas em vias
South, herd sizes and enterprises are larger, and
de extinção surtiu alguns efeitos, e, em
generally more competitive. Approximately 40
Portugal, verificou se que a tendência
p.100 of total native breeds have less than 5000
para redução dos efectivos que se
registered females. According to FAO standards,
vinha a observar, foi de certo modo
these breeds are in various degrees of en
invertida (Gama e Matos, 1997). Outrasdangerment and genetic conservation programs,
medidas que, indirectamente têmas well as actions for their future utilization and
exercido um reflexo de certo modomanagement, need to be implemented.
positivo na exploração de genótipos
locais, são os apoios financeiros que
alguns produtores de diversas raçasINTRODUÇÃO
nacionais têm auferido, visando a
A importância dos recursos genéti transformação e comercialização de
cos locais tem sido reconhecida desde produtos genuínos de elevada quali
longa data, mas ganhou novos contor dade.
nos, principalmente na última década O objectivo deste trabalho é proce
(FAO, 1992). Por exemplo, no seio da der ao diagnóstico da importância ac
União Europeia, as medidas de política tual dos genótipos locais de animais
agrícola têm vindo sucessivamente a domésticos em Portugal e respectiva
promover sistemas de exploração sus contribuição relativa no contexto da
tentados, e logo cada menos intensi produção animal nacional, e descrever
vos, com o objectivo global de protegersumariamente os sistemas de explora
o ambiente e preservar a paisagem ção tradicionais mais característicos.
rural. Neste âmbito, e no que diz
respeito à produção animal, cresceu o
interesse pela exploração de raças 1. IMPORTÂNCIA RELATIVA DOS
nativas, devido essencialmente às suas PRINCIPAIS PRODUTOS DE ORIGEM
características, nomeadamente a ANIMAL EM PORTUGAL
adaptação às condições edafo climáti
Os dados publicados pelo Institutocas locais mais ou menos adversas.
Nacional de Estatística (INE,1998)Outros argumentos mais utilizados, têm
referentes às principais produçõesa ver com razões de natureza cultural,
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 364.RECURSOS GENÉTICOS ANIMAIS E SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO EM PORTUGAL
pecuárias em 1998 e ao consumo de os bovinos atingem alguma expressão
carne por habitante encontram se na com 12,4 p.100 da produção total de
tabela I. No que respeita à produção carne. Em termos de comércio inter
de carne, os suínos e aves são as nacional, o balanço entre exportações
espécies mais importantes, contribuindo e importações é extremamente defici
com 46 p.100 e 38,2 p.100 para a tário para Portugal. Assim, para o ano
produção total, respectivamente. Das de 1998, os dados do INE revelam que
restantes espécies domésticas, apenas as exportações de carne de suíno (2254
toneladas), bovino (1312 toneladas) e
ovino e caprino (30 toneladas),
correspondem respectivamente a 0,6
Tabela 1. Principais produções pecuárias p.100, 1,3 p.100 e 0,1 p.100 da produção
e consumo de carne por habitante em Por total de cada uma destas espécies.
tugal. (Main livestock products and meat Quanto às importações, a carne de
consumption per inhabitant in Portugal). suíno atingiu as 74268 toneladas (21
p.100 da produção nacional), a carne
Producción Consumo**
de bovino cifrou se em 57000 tonela
das (59 p.100 da produção), e o con
Carne (toneladas) kg/habitante
junto carne de ovino e caprino foi de
Bovino 96710 14,7
9211 (36 p.100 da produção).Ovino 22778 3,7***
As estatísticas do INE revelam queCaprino 2863 -
o consumo médio de carne por habi Suíno 358611 38,4
Equídeos 599 0,1 tante foi de 92,8 kg. As carnes de suíno
Aves* 297654 26,7 e aves são as que atingem valores mais
Total 779215 elevados e representam 41,4 p.100 e
28,8 p.100 do consumo total de carne,
Leite (x1000 litros) respectivamente. A carne de bovino
Vaca 1776049
representa 15,8 p.100 e a de ovino e
Ovelha 96712
caprino apenas 3,9 p.100 do consumo
Cabra 41109
total de carne em Portugal.
Total 1913870
A produção de leite de vaca corres
ponde a 93 p.100 da produção totalQueijo (toneladas)
enquanto a produção de queijo repre Vaca 48233
senta 73 p.100. O leite de ovelha des Ovelha 16119
Cabra 1713 tina se quase exclusivamente à
Total 66095 produção de queijo, e representa 24,4
p.100 da produção total de queijo,
Lã (toneladas) 8995 enquanto que a produção de queijo de
cabra apenas representa 2,6 p.100.
Fonte: INE, 1998 (resultados provisórios). Em relação ao leite de vaca para con
* Inclui animais de capoeira e frangos de carne
sumo, Portugal exportou 153110 tone
(tipo industrial).
ladas e importou 100254 toneladas em
** Resultados provisórios de 1997.
1998, indicando um balanço positivo,
*** Inclui o consumo de carne de ovino e caprino.
contrariamente ao que se observou
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 365.MATOS
Açores
Madeira
Figura 1. Mapa de Portugal (Continente e Ilhas) e respectiva divisão em Unidades
Territoriais (Adaptado de INE,2000; www.ine.pt). (Map of Portugal (Continent and Islands) and
its division in regions (Adapted from INE, 2000; www.ine.pt)).
para a produção de carne de bovino. de aproximadamente 14,3 p.100 nos
efectivos entre 1988 e 1998. Os bovi
nos leiteiros, essencialmente do tronco
2. EVOLUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO Frísia, predominam nas regiões Norte
GEOGRÁFICA DOS EFECTIVOS DAS e Centro de Portugal e nas Ilhas dos
PRINCIPAIS ESPÉCIES PECUÁRIAS Açores. De referir que, apesar do
declínio dos efectivos se verificar em
2.1 B OVINOS todo o Continente, foi na região Norte
A evolução dos efectivos bovinos que a redução foi mais acentuada,
segundo o INE (1998), assim como a enquanto que nas Ilhas dos Açores se
sua distribuição geográfica pelas várias verificou um aumento de 20000 vacas.
regiões de Portugal (unidades terri A causa principal desta redução de
toriais representadas na figura 1) efectivos deverá estar relacionada
encontra se na tabela II. No que certamente com a imposição de quotas
respeita aos bovinos de leite, os resul leiteiras por parte da União Europeia
tados globais indicam uma diminuição aos vários países membros.
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 366.RECURSOS GENÉTICOS ANIMAIS E SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO EM PORTUGAL
Relativamente aos bovinos de car actualmente mais elevada do que a dos
ne, observa se a situação contrária à bovinos de carne.
descrita para os bovinos leiteiros.
Assim, na década considerada, 2.2 O VINOS
verificou se um aumento de 37 p.100 A informação relativa à evolução
nos efectivos, sendo a região do dos efectivos ovinos referente ao pe
Alentejo aquela em que se registou o ríodo 1994 a 1998 encontra se na
maior incremento (aproximadamente tabela III. O efectivo ovino nacional
60 p.100 ) e onde existem actualmenteem 1998 totalizava cerca de 2,3 milhões
mais bovinos de carne (48 p.100 do de fêmeas, sendo a sua maioria (72,4
total). p.100) de raças vocacionadas para a
Resumidamente, o efectivo actual produção de carne. Para o período
de bovinos leiteiros em Portugal considerado, verifica se uma certa
(355000 vacas) continua a ser mais tendência para estabilização dos efec
elevado que o efectivo de bovinos de tivos, apesar da pequena diminuição
carne (289000 vacas), apesar do nos ovinos de leite (cerca 1 p.100) e do
declínio observado na última década. ligeiro aumento para os ovinos de car
Assim, talvez se possa concluir que a ne (0,8 p.100). Relativamente à
contribuição dos bovinos de leite para distribuição geográfica, observa se que
a produção total de carne de bovino em actualmente metade dos ovinos de leite
Portugal (ver tabela I) continua a ser são explorados na região Centro de
Tabela II. Evolução dos efectivos bovinos Tabela III. Evolução dos efectivos ovinos
(nº de fêmeas) entre 1988 e 1998 e respec (nº de fêmeas) entre 1994 e 1998 e respec
tiva distribuição geográfica em Portugal tiva distribuição geográfica em Portugal
(unidade: 1000 cabeças). (Evolution of cattle (unidade: 1000 cabeças). (Evolution of sheep
numbers (cows) between 1988 and 1998 and numbers (ewes) between 1994 and 1998 and
their geographic distribution ) (unit: 1000 head). their geographic distribution ) (unit: 1000 head).
Bovinos Ovinos
Leite Carne Leite Carne
Região 1988 1998 1988 1998 Região 1994 1998 1994 1998
Norte 191 134 61 80 Norte 71 78 238 255
Centro 88 87 31 27 Centro 323 319 146 142
Lisboa e Vale do Tejo 35 27 17 27 Lisboa e Vale do Tejo 111 99 189 160
Alentejo 23 15 86 138 Alentejo 128 132 1024 1025
Algarve 4 2 5 3 Algarve 6 5 44 41
Açores 69 89 10 14 Açores 0 0 2 3
Madeira 4 1 1 0 Madeira 0 0 7 7
TOTAL 414 355 211 289 TOTAL 639 633 1650 1663
Fonte: INE, 1998 (resultados provisórios). Fonte: INE, 1998 (resultados provisórios).
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 367.MATOS
Portugal e os ovinos de carne na região 1998, sendo a região Centro aquela em
do Alentejo (62 p.100 do efectivo). Deque o efectivo é mais numeroso e em
salientar no entanto que, apesar da que se verificou um declíneo mais acen
estabilização dos efectivos, se observa tuado. Em 1998, o efectivo conjunto
uma tendência para aumentos de ovi (Norte e Centro) e o efectivo do
nos quer de leite quer de carne nas Alentejo representavam 60,7 p.100 e
regiões Norte e Alentejo, zonas consi 20 p.100 do efectivo caprino nacional,
deradas marginais e onde predomina o respectivamente. A causa principal da
regime de exploração extensivo, redução dos efectivos caprinos deverá
enquanto que nas regiões mais ricas e estar associada às condições de
desenvolvidas, como é o caso do Cen exploração em que os animais desta
tro e Lisboa e Vale do Tejo, se verifica espécie são tradicionalmente explora
a situação oposta. Finalmente, deve dos que se reflecte, em última análise,
se referir a inexistência de genótipos na dificuldade de encontrar mão de
ovinos produtores de leite nas ilhas dosobra disponível para a guarda dos
Açores e da Madeira. rebanhos.
2.3 C APRINOS 2.4 S UINOS
A evolução dos efectivos caprinos Na tabela V apresenta se algumas
e a respectiva distribuição geográfica estatísticas relativas ao efectivo suíno
está representada na tabela IV. Ob e sua distribuição geográfica. Para o
serva se um redução de 9 p.100 no período considerado (1988 a 1998),
efectivo caprino nacional entre 1990 e observou se um aumento de 25 mil
Tabela IV. Evolução dos efectivos caprinos Tabela V. Evolução dos efectivos de suínos
(nº de fêmeas) entre 1990 e 1998 e respec (nº de fêmeas) entre 1988 e 1998 e respec
tiva distribuição geográfica em Portugal tiva distribuição geográfica em Portugal
(unidade: 1000 cabeças). (Evolution of goat (unidade: 1000 cabeças). (Evolution of swine
numbers (goats) between 1990 and 1998 and numbers (sows) between 1988 and 1998 and
their geographic distribution) (unit: 1000 head). their geographic distribution ) (unit: 1000 head).
Região 1990 1998 Região 1990 1998
Norte 128 128 Norte 18 23
Centro 238 213 Centro 79 92
Lisboa e Vale do Tejo 92 74 Lisboa e Vale do Tejo 128 130
Alentejo 124 112 Alentejo 58 63
Algarve 18 19 Algarve 11 10
Açores 6 6 Açores 4 5
Madeira 10 9 Madeira 2 2
TOTAL 616 561 TOTAL 300 325
Fonte: INE, 1998 (resultados provisórios) Fonte: INE, 1998 (resultados provisórios)
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 368.RECURSOS GENÉTICOS ANIMAIS E SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO EM PORTUGAL
fêmeas reprodutoras (8,5 p.100) no Apesar de, no seu conjunto, asininos
efectivo nacional em quase todas as e muares apresentarem efectivos su
regiões, sendo mais elevado na região periores aos equinos, verifica se uma
Centro (15000 fêmeas). Também se tendência inversa em termos de
verifica que as áreas de maior evolução entre 1988 e 1998. De facto,
concentração de suínos são a região neste período, observou se um de
de Lisboa e Vale do Tejo e a região créscimo de 33 p.100 nos efectivos
Centro com 40 p.100 e 28,3 p.100 do nacionais de asininos e muares, que foi
efectivo nacional, respectivamente. menos acentuado na região Norte (24
p.100), variou entre 35 p.100 e 38
2.5 E QUINOS, A SININOS E M UARES p.100 nas regiões Centro, Alentejo,
Os dados referentes aos efectivos Algarve e Açores, e foi de 50 p.100 e
de equinos, asininos e muares estão de 70 p.100 nas regiões de Lisboa e
condensados na tabela VI. No que se Vale do Tejo e Madeira, respectiva
refere aos equinos, verifica se que mente.
entre 1988 e 1998 os efectivos
aumentaram significativamente (apro
3. IMPORTÂNCIA DOS GENÓTIPOSximadamente 31 000 animais). De
LOCAIS DAS VÁRIAS ESPÉCIESsalientar que os aumentos foram ³ 100
PECUÁRIASp.100 para quase todas as regiões com
excepção das ilhas dos Açores.
Tendo em vista os resultados globais
até agora apresentados para as diver
sas espécies pecuárias, talvez seja
Tabela VI. Evolução dos efectivos equinos,
interessante analisar a contribuição das
asininos e muares (nº de animais) entre
várias raças locais para o efectivos
1988 e 1998 e respectiva distribuição geo
nacionais. Para tal, comparámos os
gráfica em Portugal. (Evolution of the number
dados do INE referentes a 1998
of horses, donkeys and mules between 1988
(tabelas II a VI) com informação
and 1998 and their geographic distribution).
relativa ao número de animais inscritos
no Registo Zootécnico (RZ) ou no
Equinos Asininos e
Livro Genealógico (LG) para cada uma
Muares
das raças nacionais (tabelas VII aRegião 1988 1998 1988 1998
XI) (Carolino, 1999). Apesar dos da
dos do INE referentes a 1998 seremNorte 5632 14699 43272 32823
Centro 5120 10222 40868 26474 ainda provisórios, e os dados do RG ou
Lisboa e V. Tejo 6400 14632 10818 5444 LG das várias raças se reportarem a
Alentejo 4608 9583 12020 7551 1999, julgamos que, com a devida
Algarve 768 2056 9616 5984 ressalva, são válidas as conclusões
Açores 3046 5282 3486 2184 gerais deste exercício.
Madeira 26 56 120 36
TOTAL 25600 56530 120200 80496
3.1 B OVINOS
As várias raças bovinas nacionais,
Fonte: INE, 1998 (resultados provisórios)
assim como o número de fêmeas
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 369.MATOS
registadas no RZ ou LG, a dimensão lidade das raças bovinas nacionais estão
média dos rebanhos, as produções vocacionadas para a produção de car
principais e a respectiva dispersão ne, então existem no total aproximada
geográfica encontram se na tabela mente 70000 fêmeas, o que perfaz
VII. Se considerar mos que a globa cerca de 24 p.100 da totalidade de
Tabela VII. Raças bovinas portuguesas, número de fêmeas inscritas no Registo Zootécnico
(RZ) ou Livro Genealógico (LG), número de criadores (NC), dimensão média dos efectivos
(DME), produções principais e distribuição geográfica. (Portuguese cattle breeds, number of
registered females, number of producers (NC), average herd size (DME), main products and geographic
distribution).
1 2Raça Efectivos DME Produções Distribuição
1(NC) geográfica
Arouquesa 6000 1-2 Carne (vitelos ao desmame, 6 7 meses, 150 190 kg) Norte
(4500) Trabalho
Barrosã 7400 1-2 Carne (vitelos ao desmame, 6 meses, 140 160 kg))Norte
(3100) Trabalho
Cachena 500 1-3 Carne (vitelos ao desmame, 90 110 kg) Norte
(250) Trabalho
Leite
Minhota 6000 3-4 Carne (vitelos ao desmame, 6 7 meses, 190 210 kg) Norte
ou Galega (2500) Trabalho e leite
Maronesa 7200 2-5 Carne (vitelos ao desmame, 6 meses, 150 170 kg) Norte
(2200) Trabalho
Mirandesa 6700 2-5 Carne (vitelos ao desmame, 6 7 meses, 200 220 kg) Norte
(2200) Trabalho
Marinhoa 4500 1-2 Carne (vitelos ao desmame, 6 7meses, 190 210 kg) Norte Centro
(2200) Trabalho
Alentejana 9000 50 100 Carne (novilhos 18 24 meses) Alentejo Lisboa
(120) Outrora trabalho e Vale do Tejo
Mertolenga 8600 50 100 Alentejo Lisboa
(225) e Vale do Tejo
Preta 4800 80 120 Alentejo Lisboa
(47) e
Brava 9000 70 120 Touros de lide (4 anos) Alentejo Lisboa
(100) Carne e Vale do Tejo
3Garvonesa 55 4-5 · Carne Alentejo
ou Chamusca (14) Outrora trabalho
Ramo Grande 250 1-2 Carne Açores
(125) Trabalho
Fonte: Carolino, 1999.
1 2 3Inscritos no RZ ou LG; fêmeas; fêmeas em rebanhos com outras raças.
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 370.RECURSOS GENÉTICOS ANIMAIS E SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO EM PORTUGAL
bovinos de carne existentes em Portu para a produção total de carne de
gal (ver tabela II , resultados de 1998). bovino, deverá ser muito menos rele
Por outro lado, e tendo em linha devante que a dos restantes bovinos de
conta a distribuição geográfica, a carne, já que, na maioria das raças
totalidade das fêmeas de raças (principalmente as exploradas no Nor
autóctones exploradas nas regiões te), os animais para talho são comer
Norte e Centro de Portugal (38300 cializados e abatidos a idades bastante
fêmeas) representa 35,8 p.100 do total jovens (6 a 8 meses).
de bovinos de carne, enquanto que as
exploradas nas regiões de Lisboa e 3.2 O VINOS
Vale do Tejo e do Alentejo (31455 Na tabela VIII resume se a
fêmeas) representam apenas 19 p.100. informação relativa às raças ovinas
Estes resultados evidenciam que, ac Portuguesas. O efectivo total de
tualmente, a maioria das vacas de car fêmeas registadas em RZ ou LG das
ne exploradas em Portugal ou são diversas raças autóctones (136 176
animais cruzados, ou pertencem a ovelhas) representava, em 1998,
genótipos exóticos. É frequente o uso aproximadamente 6 p.100 do efectivo
de cruzamentos com raças exóticas ovino nacional (ovinos de leite + ovinos
principalmente no Sul do País, sendo de carne). Se proceder mos à divisão
as mais comuns a Charoleza, a do continente em região Norte (Norte
Limousine e a Salers. Duma maneira e Centro) e região Sul (Lisboa e Vale
geral, estes cruzamentos não são sis do Tejo, Alentejo e Algarve), observa
temáticos, pelo que existem animais se que a contribuição dos efectivos de
cruzados com variados graus de raças autóctones para o efectivo total
absorção. Relativamente aos genótipos é de 11,4 p.100 e 3,1 p.100, respectiva
exóticos, segundos dados da Direcção mente.
de Serviços de Produção e Melho À primeira vista, e tendo em
ramento Pecuário (1998) existem 1 consideração a importância relativa
300 vacas de raça Charoleza, 2600 de dos recursos genéticos locais, estes
raça Limousine e 500 da raça Salers, oresultados parecem mais dramáticos
que, no seu conjunto representa ape do que os observados para o caso dos
nas 1,5 p.100 do total de bovinos de bovinos de carne. No entanto, deve ser
carne em Portugal. Grande parte dos mencionado o facto de se estimar que
criadores destas raças dedicam se à existem em Portugal cerca de 1 milhão
produção de reprodutores masculinos de animais da raça Merina ou
que são utilizados por outros criadoresamerinada, apesar de apenas 22000
para cruzamento industrial. se encontrarem registados no LG (ver
De igual modo se pode concluir tabela VIII ). Na realidade, o efectivo
que, a erosão dos recursos genéticos Merino actual é o resultado de
locais por parte de raças bovinas exó cruzamentos indiscriminados, princi
ticas deverá ser menos acentuada no palmente com a raça Merina Precoce
Norte do que no Sul de Portugal. Final Francesa a partir dos anos 50, e, mais
mente, também é admissível que, a recentemente, com a raças Ile de
contribuição das raças bovinas locais France e Merina Alemã.
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 371.MATOS
Tabela VIII. Raças ovinas portuguesas, número de fêmeas inscritas no Registo Zootécnico
(RZ) ou Livro Genealógico (LG), número de criadores, dimensão média dos efectivos (DME),
produções principais e distribuição geográfica. (Portuguese sheep breeds, number of registered
females, number of producers, average herd size (DME), main products and geographic distribution).
1 2Raça Efectivos DME Produções Distribuição
1(NC) geográfica
Churra
3- Badana 2719 Pequena Carne (3 meses) Norte
(24) Leite (90 l/150 dias)
3 Terra Quente 54996 Média Carne (1 2 meses) Norte
(443) Leite (75 l/150 dias)
2 3 Galega Bragançana 9279 100 150 Carne (4 6 meses) Norte
(80)
2 3 Galega Mirandesa 4500 30 50 Carne (3 4 meses) Norte
(150)
2 Mondegueira 5146 30 50 Leite (105 l/150 dias) Centro
3(73) Carne (1mês)
3- Algarvia 5270 Pequena carne (3 4 meses) Algarve
(43) Lã
2Serra Estrela 10000 30 100 Leite (150 l/150 dias) Centro·
3(400) Carne (1mês)
3Merino Beira Baixa 4195 Média Carne (1 –2 meses) Centro
(12) Leite (70 l/150 dias)
Saloia 6564 Média Leite (110 l/150 dias) Lisboa e Vale do Tejo
3(34) Carne (2 meses)
2 3Merina Branca 22000 300 500 Carne (3 4 meses) Alentejo, Lisboa e Vale do Tejo
(120) Outrora leite

2 3Merina Preta 6900 300 500 Alentejo
(15)
2 3Campaniça 4607 200 500 Carne (3 4 meses) Alentejo e Algarve
(14) Lã
Fonte: Carolino, 1999.
1 2 3Inscritos no RZ ou LG; fêmeas; borregos vendidos aos x meses.
Relativamente aos ovinos pro indicam os resultados da tabela VIII .
dutores de leite, a raça Serra da Estrela Estima se que o efectivo de animais
é o genótipo autóctone mais especiali desta raça rondará as 110000 ovelhas,
zado (150 l em 150 dias de lactação), ultrapassando largamente o número de
apesar de haver outras raças em que animais inscritos no respectivo LG
esta produção é relevante, conforme (10000 ovelhas).
Archivos de zootecnia vol. 49, núm. 187, p. 372.

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