O grão de mostarda

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«Quando Jesus disse aos seus discípulos: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis àquela montanha: “Move-te para acolá!”, e ela mover-se-ia», esta montanha é simbólica, evidentemente. A montanha representa as grandes dificuldades da vida, que só a fé nos permite mover, isto é, resolver. Num ano, em dois anos, em dez anos, pedra após pedra, nós conseguiremos mover essas montanhas. Achais que é muito demorado e quereis que isso aconteça imediatamente. Então, fazei como as formigas, que conseguem transportar em pouco tempo autênticas montanhas de sementes – proporcionalmente, são montanhas para elas! Sim, mas uma formiga não trabalha sozinha, há uma quantidade delas a trabalhar juntas.

Com uma atitude de isolamento, de egoísmo, nunca se moverá montanhas. Só foram realizadas grandes coisas ao longo da História porque houve homens que se reuniram para trabalhar em conjunto. Mover montanhas é fazer cair, em si mesmo e no mundo, os obstáculos que se opõem à vinda do Reino de Deus. Isso só é possível se todos os espiritualistas se unirem, pela fé e pelo amor, para um grande trabalho de luz e de paz; eles obterão tanto mais resultados quanto mais poderosa for a ligação criada entre eles.»

Omraam Mikhaël Aïvanhov


Publié le : samedi 2 avril 2016
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EAN13 : 9782818404003
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Omraam Mikhaël Aïvanhov

I - «A vida eterna consiste em que eles Te conheçam, a Ti, o único Deus verdadeiro!…»

II - A pedra branca

III - «Quem estiver no telhado...»

IV - «Quem quiser seguir-me, carregue a sua cruz...»

V - O Espírito da verdade

VI - As três grandes tentações

VII - A criança e o velho

VIIII - «Possas tu ser frio ou quente!…»

IX - «É belo louvar o Eterno…»

X - O grão de mostarda

XI - A árvore no rio

XII - «Crescei e multiplicai-vos…»

Omraam Mikhaël Aïvanhov

 

O grão
de
mostarda

Volume 4

 

 

 

 

Traduzido de: «LE GRAIN DE SÉNEVÉ»

Autor: Omraam Mikhaël Aïvanhov

Editor original: © Editions Prosveta S. A . – CS 30012 – Fréjus – France

© 1980 by Editions Prosveta – ISBN 2-85566-067-X

 

© ÉDITIONS PROSVETA S.A.

Z.A. Le Capitou – 1277 rue Jean Lachenaud 83600 FRÉJUS – FRANCE

 

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Fotografia da capa:© Tetiana Kovalenko/Dreamstime.com

 

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Editado segundo as regras do novo Acordo Ortográfico

 

Impressão: Publidisa

 

ISBN: 978-989-8691-28-6

Edição digital: ISBN 978-2-8184-04500-3

 

A associação Fraternidade Branca Universal
tem por objectivo o estudo e a aplicação do Ensinamento do
Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov
editado e difundido pelas Edições Prosveta.

Para quaisquer informações acerca da associação, contacte:

Secretariado da F. B. U. - Portugal
Apartado 177
2070 Cartaxo Codex
Telef. 243 77 92 27

 

O ensinamento do Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov é estritamente oral. Esta obra, dedicada a um tema específico, foi redigida a partir de conferências improvisadas.

Nas notas bibliográficas inseridas no final de cada capítulo, optou-se por manter na língua original as referências aos títulos ainda não publicados em português à data da presente edição. Esta situação irá sendo alterada com a publicação de mais obras de Omraam Mikhaël Aïvanhov na nossa língua.

Omraam Mikhaël Aïvanhov

 

 

I
«A vida eterna consiste em que eles Te conheçam, a Ti, o único Deus verdadeiro!…»

«Depois de assim ter falado, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: “Pai, chegou a hora! Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, pois deste-lhe poder sobre todas as criaturas, para que ele conceda a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. Ora, a vida eterna consiste em que eles Te conheçam, a Ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que Tu enviaste, Jesus Cristo.”»

São João, 17; 1-3

 

Entre todos os religiosos e espiritualistas que meditaram sobre estes versículos do Evangelho de São João, e, em particular, sobre o último, houve alguns que se interrogaram sobre o significado desta estranha ligação entre conhecer Deus e ter a vida eterna. Como é que o conhecimento pode dar a vida eterna? Que relação existe entre aquilo que nós aprendemos na vida de todos os dias e a vida que não acaba?... Outros pensaram que “conhecer Deus” é apenas uma forma de falar que não esconde nada de difícil, que para conhecer Deus basta ler obras religiosas, filosóficas, gnósticas, cabalísticas, alquímicas, onde se explicam as suas qualidades, os seus poderes, o modo como Ele criou o mundo... que Deus é amor, sabedoria, verdade, justiça, e que isso é suficiente para compreender este texto.

No entanto, isso não explica esta ligação entre conhecer Deus e o seu Filho e ter a vida eterna. Aliás, a questão do conhecimentotambém não é muito clara. É um assunto do qual a filosofia e a psicologia se ocupam; por seu lado, a medicina estuda a estrutura das células nervosas, as suas diferentes funções e as conexões que existem entre os diferentes centros; mas, apesar das suas descobertas, o conhecimento continua a ser um mistério.

A vida é, toda ela, uma sequência de conhecimentos. Procura-se estabelecer relações com homens ricos ou instruídos, com mulheres bonitas, mas ninguém sabe o que se passará em consequência desses conhecimentos. Também se lê livros e mais livros para obter conhecimentos, mas, por vezes, estes são venenos que transformam a vida num inferno. Por que é que as pessoas querem saber e conhecer? Muito frequentemente, há um motivo interesseiro: elas pensam em ganhar alguma coisa; mas acontece exatamente o contrário. A mosca olha com curiosidade para uma teia de aranha, ela quer saber o que é aquilo, e não lhe passa pela cabeça que, no centro daquela rede de filamentos, se encontra uma outra criatura, muito inteligente e muito sabedora, que construiu a teia; se a mosca se aventurar por aí, travará um bom conhecimento com a aranha, mas perderá tudo. A artista que construiu aquela armadilha ficará encantada, mas será o fim da mosca! A existência está igualmente cheia de teias de aranha e de armadilhas à nossa espera. Não é bom tocar, sentir ou experimentar o que calha, com o pretexto de o querer conhecer.

Já estais a pensar, certamente, que não viestes aqui para ouvir falar de aranhas e de moscas. Sim, mas deveis compreender que é perigoso para vós deixardes-vos influenciar pela filosofia contemporânea que aconselha a ir onde quer que seja, a experimentar tudo. Tudo bem, mas depois as pessoas já não são capazes de trabalhar e de tirar proveito das bênçãos da vida; terão perdido tudo. Muitas estão convencidas de que lhes bastará ganhar juízo quando chegarem à velhice; acham que podem divertir-se, fazer toda a espécie de experiências prejudiciais para as quais a sua curiosidade as impele e, aos 75 anos, finalmente, começarão a ler os Evangelhos, a pensar em Cristo, e até irão a uma igreja acender uma vela e rezar: «Meu Deus, perdoa-me os meus pecados.» Tendo comprado o Senhor deste modo, com uma vela, elas ficarão convencidas de que podem morrer tranquilas. Mas aqueles que agem assim terão de voltar muitas vezes à terra, para aprenderem que é desde a infância que devemos preservar todas as forças, todas as qualidades que temos em nós, para as utilizarmos plenamente ao longo da vida!1

Os conhecimentos que adquiristes até hoje trouxeram-vos os bens que procuráveis? Os seres que encontrastes tornaram-vos felizes? Não creio. Para se viver a verdadeira felicidade, a vida eterna, são necessários outros conhecimentos. «A vida eterna, disse Jesus, consiste em que eles Te conheçam, a Ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que Tu enviaste, Jesus Cristo.»

 

Vou agora dizer-vos algumas palavras sobre o conhecimento.Está escrito no Génesis que, no jardim do Éden, havia duas árvores:a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.2 Numa outra passagem, lê-se que, após Adão ter conhecido Eva, nasceu-lhes um filho: Caim. Adão conheceu Eva uma vez mais e nasceu-lhes um segundo filho: Abel. Esta palavra “conhecer” oculta numerosos significados.

Como é que se conhece as coisas? Observai uma criancinha: ela quer conhecer o mundo e, para isso, toca, prova, mete à boca tudo o que apanha à mão. Também se aprende a conhecer com os ouvidos, o nariz, os olhos… Já vos falei do órgão de Corti, que é constituído por cílios vibráteis de comprimentos diferentes. Cada som, consoante a sua natureza e a sua altura, faz vibrar determinados cílios, e é assim que nós ouvimos. Portanto, para podermos conhecer as coisas, é necessário que haja alguns elementos em nós que vibrem em sintonia, em harmonia, com aquilo que queremos conhecer. Se não estivermos perfeitamente preparados, quer dizer, se o nosso coração e o nosso intelecto não estiverem num certo estado, aptos a responder às vibrações interiores e exteriores, é impossível haver conhecimento. Nós queremos conhecer os seres invisíveis, muito evoluídos, mas isso não é possível, enquanto não soubermos corresponder às vibrações que eles produzem. Pelo contrário, se o nosso pensamento souber vibrar em harmonia com esses seres, travaremos imediatamente conhecimento com eles. Quando dois pianos estão perfeitamente afinados um pelo outro, se se toca uma nota num deles, a mesma nota ressoa no outro piano. O conhecimento é aquilo que responde à nota que foi tocada. Se não soubermos vibrar em consonância, não poderemos conhecer.

Para haver conhecimento, são necessários dois elementos: um ativo, positivo, e outro passivo, negativo. Isto é, um masculino e outro feminino; e esses dois elementos devem reunir-se para seinterpenetrarem. É assim que a vida está construída. Para conhecermos qualquer coisa, é necessário que ela penetre em nós. Se quisermos conhecê-la pelo paladar, deveremos pegar nela e introduzi-la na boca. Se quisermos cheirá-la, teremos de absorver pelo nariz as partículas que dela emanam. Se quisermos conhecê-la pelo ouvido, será necessário que as ondas sonoras entrem no canal auditivo, etc... Se quisermos conhecer o Espírito Cósmico, primeiro teremos de o deixar penetrar em nós; se não lhe permitirmos que entre, impedir-nos-emos de o conhecer.

«Ora, a vida eterna consiste em que eles Te conheçam, a Ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que Tu enviaste, Jesus Cristo.» Segundo a Cabala, o nome de Deus tem quatro letras e escreve-se: Iod, Hé, Vau, Hé (O hebraico escreve-se da direita para a esquerda). As quatro letras do nome de Deus correspondem aos quatro princípios que atuam no homem: o espírito, a alma, o intelecto e o coração. Iod é o princípio masculino criador, a força santa primordial que está na origem de todos os movimentos, o espírito. A segunda letra, , representa o princípio feminino, a alma, que absorve, conserva, protege e permite que o princípio criador trabalhe nela. A terceira letra, Vau, representa o filho que nasceu da união dos dois primeiros princípios, masculino e feminino, o pai e a mãe. É o primeiro filho desta união e manifesta-se também como princípio ativo, mas num outro nível. O filho é o intelecto, que segue a linha de Iod, o pai, o espírito, e, aliás, podereis verificar que o Vau é um prolongamento de Iod. A letra seguinte, , é idêntica à segunda, que, tal como vos disse, é a alma, a mãe. Ela representa o coração, a filha, que é a repetição da mãe.3 Portanto, as quatro letras do nome de Deus representam: o espírito (o pai), a alma (a mãe), o intelecto (o filho) e o coração (a filha).4

 

Se o espírito domina em vós, sois como o pai; mas, se é a alma, as vossas qualidades são as da mãe. Se é o intelecto que tem preponderância, sois como o filho, e se é o vosso coração, sois semelhantes à filha. Encontramos estes quatro princípios no rosto, pois o rosto do homem é constituído à imagem do rosto de Deus. Os olhos representam o Iod, o espírito, e os ouvidos, o , a alma. O nariz representa o Vau, o intelecto, e a boca, o segundo , o coração.

Em resumo, existem quatro forças, que têm as seguintes correspondências:

Iod, o espírito, corresponde aos olhos;
Hé, a alma, corresponde aos ouvidos;
Vau, o intelecto, corresponde ao nariz;
Hé, o coração, corresponde à boca.

Estas quatro forças representam, pois, os quatro sentidos: vista, ouvido, olfato e paladar. O quinto sentido é o tato, as mãos, com as quais trabalhamos. Às quatro letras do nome de Deus, acrescenta-se, assim, uma quinta letra, o Shin, que encontramos no centro do nome de Jesus, Iéschua, e que é o símbolo da formação, da encarnação de Deus na matéria. Através de Jesus, o espírito, a alma, o intelecto e o coração de Deus encarnam-se no plano físico, a fim de se tornarem visíveis e tangíveis. É o Verbo que se fez carne. Jesus é a encarnação de Deus na matéria; é ele que dá aosquatro princípios divinos a possibilidade de se manifestarem. É por essa razão que Jesus é representado também pelos cinco dedos da mão, as cinco virtudes: o amor, a sabedoria, a verdade, a justiça e a bondade, colocados nos lados do pentagrama, que é o símbolo do homem perfeito.5

Jesus é o filho de Deus que desceu à terra para nos mostrar como devemos agir. Se não manifestarmos o espírito, a alma, o intelecto e o coração no plano físico, não conheceremos o Senhor. Talvez O conheçamos quando partirmos para o além, mas nessemomento será demasiado tarde, não nos servirá para nada. É aqui que devemos conhecê-l’O, para apreciarmos a vida eterna. Nós temos um espírito, uma alma, um intelecto e um coração, mas isso não basta; temos de manifestar as suas qualidades através do corpo físico.

É Jesus que se manifesta pela ação, a mão. Ele dizia: «O meu Pai trabalha e eu trabalho com Ele.» Isto é: o meu Pai trabalha por toda a parte – nos cérebros, nos corações, nas almas, nos espíritos – e eu também trabalho entre os homens, aqui, na matéria, com as minhas mãos. Direis vós: «Sim, mas, noutra ocasião, Jesus disse: «Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita.» De facto, simbolicamente, a mão esquerda representa o lado negativo. Quando Jesus disse que a mão direita deve agir sem a mão esquerda saber, ele não se referia à mão física. Nós possuímos duas naturezas: a natureza inferior e a natureza superior, divina,6 e Jesus queria dizer que, quando a nossa natureza superior (a mão direita) faz projetos, a natureza inferior (a mão esquerda) não deve aperceber-se disso, senão erguer-se-á e impedir-nos-á de os realizar. Quando tendes bons projetos, não faleis deles a toda a gente; se o fizerdes, não conseguireis concretizá-los, pois a natureza inferior tê-los-á ouvido e procurará impedir a sua realização. Quando estiverdes prestes a agir, sentireis um descontentamento ou, então, surgirá uma pequena voz no vosso interior a murmurar-vos que não vale a pena agirdes já, que tendes muito tempo... E assim não fareis nada. A natureza inferior está sempre à escuta quando falais dos vossos projetos, das vossas promessas e das vossas intenções. Eis como interpretar a indicação de que a vossa mão esquerda não deve saber o que faz a vossa mão direita.

O homem considera a vida eterna uma questão tão abstrata, que não se apercebe de que tem à sua disposição todos os elementos para poder vivê-la: os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca, as mãos. As mãos, para fazer o bem; a boca, para pronunciar palavras que consolem e apaziguem; o nariz, para aprender a distinguir o que, para ele, e útil ou inútil, bom ou mau; os ouvidos, para escutar a sabedoria e a harmonia; os olhos, para contemplar a luz e a beleza da natureza, para lançar olhares que possam iluminar e inspirar os seres. Quanto maior consideração tiverdes pelos vossos cinco sentidos, mais atenção tereis à maneira como os utilizais e mais vos aproximareis do conhecimento das coisas supremas, que nenhum livro, nenhum filósofo, jamais vos revelará. A revelação vem de dentro de vós, ela nunca vos engana, é o resultado da utilização correta dos vossos cinco sentidos.

Se souberdes educar os vossos cinco sentidos, conhecereis sem incorrer em erro. Simplesmente ao cruzardes-vos com alguém na rua, os vossos olhos dir-vos-ão o que essa pessoa é. Ao escutardes as vibrações da sua voz, sentireis se ela poderá sintonizar-se convosco. Ao apertar-lhe a mão, sabereis se podeis ou não contar com ela, pois as mãos também são um resumo de todo o ser. As mãos têm todos os órgãos: um estômago, pulmões, um coração, um cérebro. Evidentemente, os anatomistas ficarão escandalizados com as minhas palavras. Um dia, veremos quão sensíveis são as mãos e como elas estão maravilhosamente preparadas. Até agora, as pessoas não as conhecem e não sabem utilizá-las.7 As mãos são extremamente sensíveis e vós deveis interrogá-las com frequência. Por vezes, elas previnem-vos de que ides ficar doentes, mas vós não lhes dais atenção, não reparais que as extremidades dos vossos dedos estão num estado especial. No entanto, deveríeis ter sentido que as vossas correntes se alteraram... Por intermédio das mãos, também podemos ligar-nos ao mundo invisível, enviar bons pensamentos e desagregar correntes negativas, mas as pessoas não sabem servir-se delas para esses fins. Existe uma vasta ciência sobre as mãos que ainda não pode ser revelada a toda a gente.

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