Discipulos do Ser Vivo

Publié par

Discípulos do Ser Vivo constitui o oitavo volume das entrevistas concedidas por Yvonne Trubert ao Livre d'IVI, revista da associação Convite à Vida. Através de temas tais como o Corpo, O Retorno de Cristo, O Invisível, Servir, A Transformação, A Morte, O Trabalho, Os Deficientes, O Tempo, Yvonne Trubert propõe que sigamos um caminho de transformação interior. Convidando-nos a um encontro com nós mesmos e com os outros. (Ouvrage en portugais).
Publié le : mercredi 15 octobre 2014
Lecture(s) : 3
EAN13 : 9782336358468
Nombre de pages : 146
Voir plus Voir moins
Cette publication est uniquement disponible à l'achat

Yvonne T r uber t
Discípulos do Ser Vivo
Crônicas de um Convite à Vida
Discípulos do Ser Vivo constitui o oitavo volume das entrevistas
concedidas por Yvonne Trubert ao Livre d’IVI, revista da associação
Convite à Vida. Através de temas tais como o Corpo, O Retorno de
Cristo, O Invisível, Servir, A Transformação, A Morte, O Trabalho, Discípulos do Ser Vivo
Os Defcientes, O Tempo, Yvonne Trubert propõe que sigamos um
caminho de transformação interior. Convidando-nos a um encontro
com nós mesmos e com os outros, ela nos estimula à conversão,
quer dizer, a uma mudança de estado de espírito, para que o amor e
a alegria se tornem os sinais externos da fé.
“Somos construtores, diz Yvonne Trubert, criadores. Enquanto não
tomarmos consciência disso, os julgamentos que emitimos atrasam
na mesma medida a vinda de Cristo. Criemos esta osmose, este amor
pelo trabalho, este amor e esta compreensão de uns em relação aos
outros, para que o tempo se aproxime de nós.”
“Há sinais precursores, Deus nunca nos deixa sem sinais. Cabe a
nós interpretá-los e fcar atentos. Ele quer o bem da humanidade, Ele
quer salvar esta geração.”
Assim, Yvonne Trubert renova as palavras de Cristo, encorajando
cada um de nós quanto à dignidade e à liberdade para se tornar
discípulo do Ser Vivo.
Desde 1976, Yvonne Trubert decide se consagrar
aos outros, proporcionando-lhes escuta e conforto.
Em 1983, ajudada por amigos, ela funda a associação
Invitation à la Vie (Convite à Vida), também Crônicas de um Convite à Vida
denominada IVI. Pelas suas palavras, atos e escritos,
Yvonne Trubert semeou a esperança na França e em
VOLUME 8todos os lugares no mundo, esperança que continua
a existir além do seu desaparecimento em 17 de agosto de 2009.
8
Fotografa da capa: Agnès Cambournac
Fotografa da autora: Prisca Léonelli
ISBN : 978-2-343-04584-9
14,50 e
Yvonne T r uber t
Discípulos do Ser Vivo







Discípulos do Ser Vivo

Yvonne Trubert









Discípulos do Ser Vivo




Crônicas de um Convite à Vida


VOLUME 8










Direção editorial: Albertine Gentou

Prefácio de
Maria Isabel Waddington Achatz

Tradução: Beatriz Esteves

Gravadas entre 1984 e 1995 para o Livre d’IVI,
revista da associação Convite à Vida,
essas crônicas são extraídas de entrevistas
realizadas pela Missão Escrever e por quatro jornalistas:
Marie-Mignon Gardet, Marie d’Hennezel-Whitechurch,
Marie-Hélène Rose e Albertine Gentou.

Fotografia da capa: Agnès Cambournac
Fotografia de Yvonne Trubert : Prisca Léonelli

Bibliografia
Invités à Vivre, L’Harmattan, 2003 Paris.
Convidados a viver, Coletivo, L’Harmattan, 2008 Paris

Internet
www.yvonnetrubert.fr
www.invitation-a-la-vie.org/

Disciples du Vivant © L’Harmattan, 2009
Discípulos do Ser Vivo© L’Harmattan, 2014



© L’Harmattan, 2014
5-7, rue de l’Ecole-Polytechnique, 75005 Paris

http://www.harmattan.fr
diffusion.harmattan@wanadoo.fr
harmattan1@wanadoo.fr

ISBN : 978-2-343-04584-9
EAN : 9782343045849
Prefácio
É com imensa emoção que fui convidada a escrever o
prefácio do oitavo livro de Yvonne Trubert. Esta mulher
maravilhosa, mãe de quatro filhos, consagra sua vida a escutar os
que sofrem, a lhes mostrar o caminho da fé e a lhes proporcionar
seus ensinamentos.
Há mais de trinta anos, Yvonne Trubert viaja através do
mundo para semear palavras de amor e de esperança, para
despertar as consciências adormecidas por tanto tempo. Suas
palavras simples e claras se dirigem a todos os seres, pouco
importando sua origem, etnia ou crença; elas se baseiam nas três
leis fundamentais de Cristo: “Ame teu Deus com todo teu
coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”; “Ame
teu próximo como a ti mesmo” e “Amai-vos uns aos outros como
eu vos amei”.
Assim, na sua segunda viagem ao Brasil, em 1985, Yvonne
deu uma conferência diante de um grupo de quinhentas pessoas
em Copacabana, Rio de Janeiro. Eu era uma jovem adolescente,
cheguei no último minuto e me propuseram um lugar no centro
da primeira fileira, como se estivesse sendo esperada.
Yvonne começou a nos falar e tive a impressão de que não
havia mais tempo, nem espaço. Suas palavras entravam
diretamente no meu coração, sua luz me deslumbrava. Ao nos
falar de amor, Yvonne o transmitia pelo olhar e o emanava por
todo o seu ser. Após sua intervenção, a partir do instante em que
ela me tomou nos braços, só tive uma vontade: segui-la e
construir minha vida a partir dos seus princípios de amor e fé.
As palavras de Yvonne Trubert me acompanharam desde
então, a cada passo. Na escolha da minha profissão de médica, no
meu périplo na busca científica, quando vejo meus pacientes e
também quando dou minhas aulas, suas palavras me guiaram e
me ajudam ainda a seguir meu caminho e a atravessar os
múltiplos obstáculos. A alegria de partilhar esse caminho com
meu marido, num mesmo ideal, e de ver nossos quatro filhos
crescerem na fé é imensa.
5Mesmo a dez mil quilômetros de distância da França, com as
1três chaves: a oração, a harmonização e as vibrações que
Yvonne nos transmite através do seu ensinamento, é possível
para mim viver Convite à Vida . Esta integração permite que nós,
membros desta associação internacional, nos mantenhamos
unidos em mais de cinquenta e seis países através do mundo, por
laços de união e em uníssono com esses princípios. Yvonne o
expressa plenamente no decorrer desta obra.
A leitura desse livro oferece, efetivamente, a felicidade de
mergulhar em uma outra dimensão. Desde o início entramos num
ambiente de doçura que nos faz refletir, tal a intensidade de suas
palavras. Entretanto, não esperem um tratado de autoajuda, com
receitas prontas sobre o modo de lidar com a própria existência.
Bem ao contrário, Yvonne nos convida, por meio de um
pensamento claro e direto, a abrir nossos corações e nossas
consciências.
Nesta edição somos confrontados a temas diversos e,
contudo, tão ligados entre si. “O Corpo”, primeiro tema
abordado, torna possível a compreensão da Ressurreição de
Cristo e um melhor entendimento de nosso próprio corpo, templo
e corpo de luz. Segundo uma lógica divina, “O Retorno de
Cristo” insiste na importância e na necessidade da transformação
do ser humano. A seguir, “O Invisível” permite que nos
aproximemos da verdade que existe além da compreensão. Mas
apenas “A Transformação” nos dará a graça de atingi-la. Essa
bela viagem continua e nos conduz a nosso mundo moderno,
para “O Trabalho” que nos lembra o essencial de nossas vidas.
Obrigada, Yvonne, por me ensinar a pôr Deus em primeiro
lugar. Obrigada, Yvonne, por seu exemplo. Obrigada, por nos
chamar à vida.
Dra. Maria Isabel Waddington Achatz
Médica e pesquisadora, São Paulo, Brasil

1 Oração, harmonização e vibrações constituem as 3 chaves propostas no
ensinamento de Convite à Vida . Essas chaves, esses instrumentos, dão suporte e
aceleram a dinâmica da transformação. Para conhecer melhor as atividades da
associação Convite à Vida, ler os anexos desse livro, à página 133.
6O Corpo
Em preâmbulo, voltemos à conferência dos médicos em
2Cali , na Colômbia. Um deles, que não faz parte de Convite
à Vida, deu uma explicação sobre a harmonização em
relação à sua mulher, de quem ele viu a cura quando,
contudo, ela tinha uma doença incurável. Ele disse: “Está
próximo o tempo em que está escrito que o corpo não
envelhecerá mais, não sofrerá mais e não haverá mais
morte”. Isso corresponde, então, às duas extremidades da
corrente.
A aproximação da Páscoa deve fazer com que cada um
adquira uma tomada de consciência. Sendo um templo
divino, o corpo humano tem mais importância do que
acreditaram e jamais puderam imaginar. Há milênios o
pecado, isto é, a morte, persegue o homem. Esta morte física
vem da incapacidade do homem se unir a Deus. O homem se
vê num combate perpétuo entre o bem e o mal e, com mais
frequência, se encaminha para o mal do que para o bem.
No Antigo Testamento, Deus demonstrou aos homens,
sobretudo a Davi, a Moisés e a tantos outros, como Abraão e
Isaac, o quanto era importante seguir seus preceitos.
A vida é fácil com a condição de deixarmos Deus agir
em nossos atos e pensamentos. O grande dilema da
humanidade é não poder confrontar a influência do Maligno.
E a morte vem como consequência, pois geramos a
destruição desse templo, desse corpo humano.
Cristo, núcleo da nossa vida, veio sobre a Terra depois
dos profetas que O precederam, para nos ensinar a viver e a
nos amarmos. Ele não nos deixa em paz. Ele fala de amor.
Ele nos dá sinais. Ele se torna o exemplo vivo do seu Pai
sobre a Terra. Presente a cada instante, Ele testemunha; Ele
ressuscita os mortos; Ele cura; Ele faz com que os cegos
2 Conferência realizada durante uma visita de Yvonne Trubert nesse país.
7vejam; Ele cuida dos paralíticos. Isso, as pessoas o viram,
assim como seus discípulos e seus apóstolos. E com uma
única finalidade: Ele obedece a seu Pai, mostrando uma
obediência total nas suas ações que Ele oferece à
humanidade.
Chega o tempo em que Ele se prepara a deixar esse
mundo. Nesta preparação, Ele vai oferecer o néctar da sua
vida.
Ele sabia o quanto O odiavam. Ele perturbava as
sociedades e as religiões – tanto a dos Romanos como a dos
judeus, seu próprio povo. Por obediência a Deus e depois de
ter falado a Deus, seu Pai, Ele vai oferecer o elo mais
extraordinário e indestrutível possível, o que une o filho ao
Pai. Dando à humanidade o direito de chamar seu Pai de
“Pai’, Ele lhe concede esta grandeza que Ele mesmo tem de
ser filho de Deus. Ele a dá para nós, pobres humanos,
instituindo a palavra ensinada a seus apóstolos, palavra que
une o homem a Deus, o “Pai Nosso”.
Por meio desta oração, Ele nos assimila à sua
fraternidade. Nos tornamos irmãos e irmãs através de Cristo,
no momento em que Ele nos ensina a rezar para seu Pai para
regenerar nosso corpo e utilizá-lo na missão que Deus nos
confia sobre esta Terra. Ele conhece a fraqueza do homem,
sua vulnerabilidade; Ele conheceu a traição, mesmo dos que
mais o amavam, como Pedro e os outros...
Nas suas últimas palavras Ele disse a seu Pai: “Pai,
perdoe-os, pois eles não sabem o que fazem.” Isso realça
bem a inconsciência da humanidade. Ela age sem saber, nem
compreender os conteúdos dos seus gestos ou de suas
palavras. As traições não se referem apenas aos fatos, mas
têm uma repercussão além das palavras, dos pensamentos.
Elas trazem o descrédito, elas destroem.
Cristo faz com que ofereçamos a nossa vida. Ele nos faz
compreender que a morte não existe, que é preciso morrer
8para viver. Ora, passamos nossa vida sobre a Terra sem vivê-
la.
Oferecendo a própria vida, o seu sangue vertido, é
eliminado o que está escrito na Bíblia, quando era preciso
sacrificar os carneiros e as rolinhas como oferenda a Deus.
Moisés já tinha dito: “Deus não precisa disso!” Eis que não
apenas Cristo o repete, mas Ele verte seu próprio sangue para
que jamais outro sangue seja vertido.
Cristo não se submeteu à morte, Ele a ofereceu. Ele
ofereceu seu corpo físico para ser suspenso na cruz e assim
nos purificar e apagar o pecado original através do
derramamento de seu sangue. Esse corpo representa a
herança do seu. Tomemos consciência desse templo vivo,
nosso corpo.
Houve manifestações. Cristo se manifestou através do
corpo, através da morte dos outros que Ele ressuscitou, como
Lázaro e a filha de Jairo. Depois ele cumpriu o último ato, o
seu.
Deus criou o homem à sua imagem. Ele quis se esconder
bem profundamente dentro de nós mesmos. Cada um de nós
é portador de sua vida. Em nossos atos, em nossos
pensamentos, em nossos olhares, em nossas escutas, em
nossos gestos, somos o reflexo de Deus permanentemente. O
corpo humano é, então, estruturado e elaborado por amor.
Quando Deus deseja que uma mulher seja mãe e que
uma criança nasça, antes de enviar esta alma sobre a Terra, é
preciso que ela escolha seus pais, por razões que nos
escapam. Mas a criança também escolhe seu sexo conforme
a missão que terá de cumprir entre nós e com os outros. Esse
pequeno corpo não pode existir sem ser.
O Espírito marca a diferença entre nós e o animal. Os
animais se regeneram por via embrionária. Originários de um
ato divino, nós não podemos fazê-lo assim. Pela genética,
sabemos que não se fabrica uma criança como se faz pão. No
corpo humano a carne (chair) só pode ser denominada carne
9(chair), ela é habitada, enquanto no animal fala-se de carne
animal (viande). Habitada pela faísca divina, nossa carne, tão
sagrada quanto nosso corpo, que é um templo sagrado diante
do universo, ela não pode mais ser considerada uma carne
animal (viande). No corpo humano vê-se um corpo divino. A
esse título, Cristo, em primeiro lugar, demonstrou pela sua
Transfiguração o que era um corpo.
Unidos ao cosmos, somos o microcosmo do
macrocosmo. Tudo está em nós. Deus o quis assim, Ele quis
que pudéssemos criar, estabelecer a paz, o amor.
Os templos de Deus não servem mais a Deus hoje, mas a
seu inimigo, senão não haveria mais guerras.
Nosso corpo físico, em aparência, só se compõe de
átomos. Trata-se de uma fusão. Aglomerados para formar
um corpo de uma resplandecente beleza, os átomos não
ficam jamais inertes, mas em constante movimento. Logo,
nós somos esses átomos.
Transfigurado, Cristo fez essa demonstração viva para a
humanidade, para que seus apóstolos vissem com seus
próprios olhos o que representava um corpo humano
faiscante de luz. Era preciso que os apóstolos – todos como
São Tomé – vissem.
Quanto mais elevamos nosso estado de consciência,
quanto mais nos dirigimos a Deus, mais o corpo se
transforma, mais ele se torna luminoso; as zonas sombrias
desaparecem pouco a pouco.
Cristo, Deus, nos ofereceu esta chave que é a
harmonização para novamente restituir ao corpo a luz de que
ele é originário. Sem isso nada aconteceria; não são as mãos
que curam, mas a energia que sai das mãos para ir até o
outro, não a matéria.
Cristo nos deu esse presente pela sua Ressurreição, para
nos mostrar que a morte não existe. Nós o lemos na Bíblia.
Quatro evangelistas o escreveram e os doze apóstolos
10testemunharam a esse respeito. Se vocês o vissem, como
reagiriam? Escrevem-se coisas, mas as vivemos?
Cristo foi ridicularizado, cuspiram sobre Ele, depois O
flagelaram e Lhe puseram uma coroa de espinhos. Em Israel,
os espinhos vêm de árvores com espinhos de ao menos oito
centímetros. Ele passou por isso. Aceitou pôr seu corpo à
prova para nos fazer compreender este sofrimento vivido em
função dos nossos pecados.
Somos os herdeiros dos que estavam ali, mesmo se não
estávamos lá em nosso corpo. Quando Cristo ressuscitou,
numerosas pessoas, não somente os doze apóstolos e os que
o amavam, o viram.
Isso provoca uma tomada de consciência enorme,
sobretudo se alguns corpos adoecem. Mas o que é a doença?
Efetivamente nós geramos o sofrimento pelos nossos medos,
nossos estresses, nossas angústias e toda nossa vida passada.
A tomada de consciência com relação a Cristo nos faz
compreender: “Tenho um templo que é o seu”. E Cristo
disse: “O que eu farei, vocês também poderão fazer”. Ele se
identifica conosco. Para nós isto representa a tomada de
consciência da beleza de nosso corpo, para deixar de
machucá-lo, de maltratá-lo, de lhe dar diversos venenos.
Cuidemos desse corpo humano. Ele se assemelha a um
jardim, a um paraíso; ele constitui a mais bela fábrica do
mundo. Nada pode substitui-lo. Esse corpo de carne se torna
luz por meio da transfiguração, corpo-matéria submetido ao
sofrimento e, depois, luz na ressurreição.
Isso ensina as metamorfoses do corpo e o quanto ele
vive. Maleável, em movimento, não apenas composto de
matéria-matéria, mas de átomos, ele precisa de um alimento
terrestre, mas principalmente de um alimento cósmico. Esse
corpo recebe a vida não somente pelos canais da matéria.
Seus átomos precisam de um certo alimento material,
vitaminas, proteínas, minerais e metais, os ingredientes da
terra, mas também os ingredientes do corpo. Ao nos revelar a
11oração, Cristo nos ensina a dar, a amar nosso corpo e a lhe
dar o alimento que não se vê, este alimento que Deus quis
para nós, esse meio de comunicação que anima nosso corpo
e regenera nossas células. Esse corpo de luz da ressurreição o
demonstra em diferentes etapas.
Há várias interpretações e principalmente nuances em
relação à vida de Cristo. Mas esse corpo, nós temos de ser
responsáveis por ele. Em nosso trabalho, nós nos
responsabilizamos pela manutenção de nossas cozinhas, pela
ordem de nossos armários. Mas será que paramos para ver o
estado de nosso corpo? Fazemos a nossa higiene, depois nos
vestimos, mas não prestamos atenção ao que nosso corpo
representa. Deus não espera que sejamos narcisistas, mas que
tomemos consciência do tabernáculo que Ele nos ofereceu.
Quando falam da eliminação dos pecados, falam do
sangue vertido. O sangue, na Bíblia, corresponde ao néctar
do homem, ao néctar de Deus, uma vez que Ele compara seu
sangue ao fruto da vinha. A Eucaristia nos é dada para nutrir
nosso corpo de carne, como um símbolo. Não precisamos
somente de um alimento matéria, mas também de um
alimento espiritual, é a primeira coisa a ver quando
compreendemos que somos filhos de Deus.
Admirar esta beleza do corpo! Grande, pequeno, magro
ou velho, isso não tem nenhuma importância. O corpo
permanece belo; ele não tem idade. Podemos mantê-lo, não
apenas por meio de cremes, mas, sobretudo, pelo amor
divino, para nutrir os outros com esse mesmo amor divino.
Sem amor divino, sem oração, sem harmonização, sem
vibrações, como compreender um corpo de luz? É preciso
passar por etapas de reconciliação consigo mesmo.
Às vezes essas tomadas de consciência são dolorosas.
Jamais consideramos nosso corpo como um templo, mas
como um mecanismo por vezes enferrujado. É preciso
dedicar um certo olhar a esta fábrica fantástica que
12representa esse corpo e entender a mensagem que ele nos
envia.
A doença interfere no homem quando ele para de amar a
vida num certo momento. Surge um mal estar. Ele se
distancia da linha divina, da beleza; ele se refugia na tristeza
ou no tédio. Aí as angústias fazem as ilusões voltarem a
atingi-lo e fazê-lo flertar com a dor.
Consideremos o corpo humano na sua grandeza e na sua
beleza como uma obra-prima, obra de Deus e não nossa.
Nenhum pintor, nenhum escultor, nenhum artista nesse
mundo pode criar um corpo humano e fazê-lo viver.
Só podemos servir a Deus se o olharmos de outro modo.
Esse corpo deve viver. Por amor, da maneira mais sutil,
vamos lhe dar aquilo que ele espera.
Quando Maria Madalena, após a Ressurreição, desejou
tocar Cristo, uma vez que Ele costumava abraçar a todos e a
todas, Ele lhe disse: “Não me toque, Eu ainda não fui ao
encontro de meu Pai”. Por que? Ela passaria sua mão através
de seu corpo. Ele não podia lhe dar uma tal surpresa, uma tal
dor também. Ele se mantinha humano, Ele sabia que ela era
totalmente humana. Cristo sempre tomou cuidado para nunca
chocar as pessoas.
Quando Ele voltou, depois de ter ido ao encontro de seu
Pai, no seu corpo glorioso, iluminado pelo amor do Pai, Ele
readquiriu a sua carne. Voltando a ser matéria, mesmo
passando pelas paredes sem abrir as portas, então Ele comeu
com seus apóstolos. As duas conotações são muito
diferentes.
Na saída do túmulo, quando Maria Madalena o viu, Ele
não queria que O tocassem porque Ele não tinha ainda sido
purificado pelo amor do Pai. Isto significa que é preciso subir
a certas esferas para que o corpo receba a luz definitiva, que
ele retome a sua forma, o seu estado. Uma vez ressuscitado,
quando Ele apareceu aos doze apóstolos, à beira do lago de
Tiberíades, Ele partilhou o peixe com eles.
13

Soyez le premier à déposer un commentaire !

17/1000 caractères maximum.