Renoir
81 pages
Português

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Renoir , livre ebook

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Description

Em cada período histórico revela-se uma nova definição da beleza feminina. As imagens da beleza feminina não só expressam o desejo íntimo dos pintores, mas revelam também os padrões de beleza contemporâneos. Um dos pintores que amou as mulheres, Renoir, reviu o corpo feminino do século XIX, conferindo-lhe um novo charme, principalmente através da utilização da côr. Nesta viagem pelas obras do artista, as mulheres de Renoir são apresentadas como criaturas de carne e osso, que sugerem ser capazes de dar e receber amor.

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Publié par
Date de parution 22 décembre 2011
Nombre de lectures 0
EAN13 9781780425856
Langue Português
Poids de l'ouvrage 21 Mo

Informations légales : prix de location à la page 0,0175€. Cette information est donnée uniquement à titre indicatif conformément à la législation en vigueur.

Extrait

RENOIR
Tradução: Ana Maria Quadrado Pardal
© Confidential Concepts, worldwide, USA © Sirrocco, Londres, UK (Versão portuguesa)
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou adaptada sem a prévia autorização do detentor dos direitos para todo o mundo. Desde que nada seja especificado em contrário, os direitos respeitantes às obras reproduzidas são pertença dos respectivos fotógrafos. Apesar de pesquisas intensivas, nem sempre foi possível determinar o detentor dos direitos. Onde tal se verifica, agradeceríamos a notificação.
ISBN 978-1-78042-585-6
Auguste Renoir
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ierreAuguste Renoir nasceu em Limoges a 25 de Fevereiro de 1841. Foi o sexto umPa escola dirigida pelos Fréres des Ecoles Chrétiennes. Renoir teve sorte com o filho na família de Léonard Renoir e Marguerite Merlet. Três anos mais tarde, em 1844, os Renoir mudaramse para Paris. Em 1848, Auguste começou a frequentar professor de música, o compositor Charles Gounod, que levou o rapaz para o coro da igreja de SaintEustache. Em 1854, os seus pais tiraramno da escola e arranjaramlhe um lugar no atelier dos irmãos Lévy, onde deveria aprender a pintar porcelana. O irmão mais novo de Renoir, Edmond, disse:
“Pelo que ele desenhava a carvão nas paredes, concluíram que ele tinha habilidade para uma profissão nas artes (...) O jovem aprendiz dedicouse afincadamente para dominar o ofício: no fim do dia, pegava num pedaço de cartão maior do que ele e dirigiase para as aulas grátis de desenho. E foi assim durante dois ou três anos.”
Renoir fez rápidos progressos: poucos meses após ter iniciado a sua aprendizagem, já lhe era confiada a pintura de peças que eram normalmente dadas aos trabalhadores qualificados. Isso fez com que se tornasse alvo de piadas. Chamavamlhe ‘Monsieur Rubens’ e ele chorava porque troçavam dele. Um dos trabalhadores do atelier dos Lévy era Emile Laporte, que pintava a óleo no seu tempo livre. Ele sugeriu a Renoir que usasse as suas telas e as suas tintas. Esta oferta resultou no primeiro quadro do futuro Impressionista. Foi apresentado solenemente à inspecção de Laporte em casa dos Renoir. Edmund Renoir recordou: “É como se tivesse acontecido ontem. Eu era ainda um rapazito, mas percebi perfeitamente que estava a passarse algo de muito sério: o cavalete com o famoso quadro encontravase no meio da maior sala da nossa modesta casa na Rue d’Argenteuil. Estavam todos nervosos e a ferver de impaciência. Eu estava bem vestido e tinhamme dito para me portar bem. Era grandioso. O ‘maître’ chegou… após um sinal, eu mudei a cadeira dele para perto do cavalete. Ele sentouse e ficou a examinar a ‘obra’. Lembrome agora... era Eva. Atrás dela, a serpente estava enrolada nos ramos de um carvalho. Aproximavase com as mandíbulas abertas, como se quisesse lançar um feitiço a Eva. O exame durou um quarto de hora, no mínimo, após o qual, sem qualquer comentário supérfluo, o pobre velho aproximouse dos meus pais e disselhes: ‘Deviam deixar o vosso filho dedicarse à pintura. No nosso ofício, o máximo que ele alcançará é ganhar doze a quinze francos por dia. Prevejo um futuro brilhante 1 para ele na arte. Façam tudo o que puderem por ele. ” Foi desta forma que a família registou o nascimento de Renoir, o artista.
1.Auto-retrato, aprox. 1875, Óleo sobre tela, 36,1 x 31,7 cm, Williamstown (Massachusetts), Sterling and Francine Clark Art Institute.
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2.Jules Le Cœur passeando com os Seus Cães na Floresta de Fontainebleau, 1866, Museu de Arte de São Paulo, São Paulo.
Auguste Renoir reconheceu positivamente o papel que a sua família teve ao traçar o seu futuro. Foi dos pais que ele obteve o respeito pelas artes, que permaneceu com ele durante toda a sua vida. Renoir apreciava o facto de o seu pai e a sua mãe serem pessoas simples:
“Quando penso que podia ter nascido no seio de intelectuais! Teria necessitado de anos para me afastar de todos os seus ideais e para ver as coisas como elas realmente eram e com isso, não teria adquirido a destreza 2 suficiente nas minhas mãos .”
Para além da família, houve, no entanto, outro grande educador na vida de Renoir  Paris. Nas suas conversas com o filho, Jean, o artista lembrava constantemente aquelas esquinas da capital onde passou a sua infância e juventude, muitas das quais tinham desaparecido perante os seus olhos. Pode sentirse a mão do destino no facto de ao deixar Limoges, Léonard Renoir ter instalado a sua família na zona do Louvre. As casas construídas no século XVI entre o palácio do Louvre e Tuileries, para os membros da nobreza da guarda real, tinham, em meados do século XIX, perdido a sua antiga imponência. Apenas os vestígios da antiga decoração (brasões, capitéis, nichos vazios que outrora continham estátuas) faziam recordar o passado. Agora ocupado por parisienses da classe baixa, este pequeno bairro tinha uma atmosfera especial, que estranhamente combinava o diaadia e o etéreo. Os Renoir viviam na Rue d’Argenteuil, que percorria toda a área até ao Sena. Aqui, no pátio do Louvre, o pequeno Renoir brincava com os outros rapazes. Era perfeitamente natural entrar no palácio, que se tinha tranformado em museu na altura da Revolução Francesa. “Quando era rapaz, ía muitas vezes até às galerias de escultura antiga, sem realmente saber porquê. Talvez porque passava pelos pátios do Louvre todos os dias, porque era fácil entrar naqueles corredores e porque nunca havia 3 lá ninguém. Ficava lá horas, perdido nos sonhos”, disse Renoir ao artista Albert André . Os passeios do jovem Renoir cobriam uma área bem mais vasta do que o bairro do Louvre. Um sentido orgânico, quase físico dele próprio, como parte da cidade, estava já nessa altura, na infância, a moldar o futuro trabalho do artista. Ele viu beleza nas ruas estreitas, quase medievais, da antiga Paris, na heterogeneidade dos elementos de arquitectura gótica, nas figuras nunca espartilhadas das comerciantes femininas. E sofreu, porque a antiga Paris, a sua Paris estava a ser destruída. Ironicamente, foi o período da infância e juventude de Renoir que assistiu à maior explosão de reconstrução e modernização da história da cidade.
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3.La Grenouillère, 1869, Óleo sobre tela, 66 x 81 cm, Estocolmo, Nationalmuseum.
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