Uma filosofia universal

Uma filosofia universal

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166 pages

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«Cada indivíduo deve trabalhar para o seu próprio desenvolvimento, para o seu próprio enriquecimento, mas não o fazendo unicamente para si mesmo, mas para o bem da coletividade. Então, já não se fala só de coletividade, mas de fraternidade. A coletividade ainda não é a fraternidade. A fraternidade é uma coletividade onde reina uma verdadeira coesão, pois cada indivíduo trabalha conscientemente para o bem de todos.

Na realidade, distingue-se numa sociedade três categoorias de indivíduos, que correspondem a três n ́veis de consciência: aqueles que querem trabalhar sozinhos, isolados, concentrados em si mesmos; aqueles que compreenderam as vantagens que podem tirar da vida coletiva e que se agrupam, mas apenas porque têm interesse nisso, sem se conhecerem bem e sem se amarem; e, finalmente, aqueles que aprendem a viver mais fraternalmente aprofundando cada vez mais neles mesmos a consciência da universalidade.»

Omraam Mikhaël Aïvanhov


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Date de parution 27 juillet 2013
Nombre de lectures 13
EAN13 9782818402467
Licence : Tous droits réservés
Langue Português

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ÍNDICE
Uma filosofia universal Omraam Mikhaël Aïvanhov I - ALGUMAS ESPECIFICAÇÕES ACERCA DO TERMO “SEITA” II - NENHUMA IGREJA É ETERNA III - PROCURAR O ESPÍRITO POR DETRÁS DAS FORMAS IV - A VINDA DA IGREJA DE SÃO JOÃO V - AS BASES DE UMA RELIGIÃO UNIVERSAL VI - A GRANDE FRATERNIDADE BRANCA UNIVERSAL VII - COMO ALARGAR A NOÇÃO DE FAMÍLIA VIII - A FRATERNIDADE, UM ESTADO DE CONSCIÊNCIA SUPERIOR IX - OS CONGRESSOS FRATERNAIS NO BONFIN X - DAR A CADA ATIVIDADE UMA DIMENSÃO UNIVERSAL
Omraam Mikhaël Aïvanhov
Uma filosofia universal
Coleção Izvor N.º 206
Traduzido de: «Une philosophie de l’universel»
Autor:Omraam Mikhaël Aïvanhov ©Editions Prosveta S. A . – CS 30012 – Fréjus – Fra nce © 1982 by Editions Prosveta – ISBN 2-85566-187-0
© ÉDITIONS PROSVETA S.A.
Z.A. Le Capitou – 1277 rue Jean Lachenaud
83600 FRÉJUS – FRANCE www.prosveta.com
ISBN EBOOK: 978-2-8184-0246-7
Também disponível em versão impressa
www.prosveta.com
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Publicações Maitreya – Unipessoal, Lda
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Editado segundo as regras do novo Acordo Ortográfic o
Impressão: Publidisa
ISBN: 978-989-8147-92-9
Como o ensinamento do Mestre Omraam Mikhaël Aïvanho v é estritamente oral, esta obra, dedicada a um tema específico, foi redigida a partir de conferências improvisadas.
Nas notas bibliográficas inseridas no final de cada capítulo, optou-se por manter na língua original as referências aos títulos ainda nã o publicados em português à data da presente edição. Esta situação irá sendo alterada c om a publicação de mais obras de Omraam Mikhaël Aïvanhov na nossa língua.
Omraam Mikhaël Aïvanhov
I ALGUMAS ESPECIFICAÇÕES ACERCA DO TERMO “SEITA”
Há milhares de anos que os homens adquiriram o hábi to de se ficar só pela forma e pela aparência das coisas, negligenciando o seu con teúdo e o seu sentido. Foi isso que fizeram também em relação aos Livros Sagrados, que possuem igualmente uma forma, um conteúdo e um sentido. A forma, a narrati va, é para as pessoas comuns; o conteúdo moral, simbólico, é para os discípulos, qu e procuram aprofundá-lo e vivê-lo; 1 quanto ao sentido espiritual, esse, é para os Inici ados, que sabem interpretá-lo.
Todos os grandes Iniciados foram construtores de no vas formas. Eles sabiam que a forma é necessária, mas introduziram nela toda uma ciência que as pessoas, na sua maioria, não decifram, poisdetêm-se naquilo que se pode ver, tocar, ouvir. É claro que as formas podem ajudá-las, estimulá-las, mas não ta nto como se elas conseguissem compreender, sentir e realizar as verdades que elas contêm. Em todas as religiões existe um ensinamento exotérico e um ensinamento es otérico, porque era impossível os seres mais evoluídos, que tinham necessidade de aprofundar os mistérios da Criação, contentarem-se com alguns fragmentos que s atisfaziam as pessoas comuns. Foi assim que no seio do cristianismo, a par da Igreja de São Pedro, que reunia a maioria dos fiéis, se desenvolveu secretamente a Ig reja de São João, guardiã da verdadeira espiritualidade, da verdadeira filosofia do Cristo.
Esta questão do espírito e das formas vai extremame nte longe. Observando os humanos, percebe-se que eles estão quase todos tão obcecados com a forma que acabam por identificar-se com ela. E assim identifi cam-se com o seu corpo físico. Tudo o que fazem é para o seu corpo físico; do espírito, como não o veem, não se ocupam. Eles não sabem que deste modo se enfraquece m, se embrutecem, pois não é o corpo físico que recebe a verdadeira força nem a verdadeira vida. Ao identificarem-se com o corpo físico (a forma), eles não desenvolv em o espírito, que é eterno, imortal, omnisciente, uma centelha de luz saída do próprio D eus.
Esta filosofia materialista, que está tão generaliz ada, limita os seres humanos. Como eles já não são iluminados, guiados, inspirado s, pelo espírito, tornam-se mesquinhos, limitados, sectários, e depois julgam t udo na vida segundo esse seu ponto de vista limitado. Eles creem que possuem o m elhor dos pontos de vista... mas não, têm uma visão parcial, sectária. Há pessoas se ctárias por todo o lado, em todos os domínios: económico, político, científico, relig ioso, filosófico, artístico... Eu posso demonstrar-vos isso!
Utiliza-se correntemente a noção de setor. Na geome tria, chama-se setor a uma porção de círculo. Numa cidade, num país, fala-se também de setor para indicar uma zona limitada. E no corpo humano, que forma uma uni dade perfeita, pode dizer-se que um órgão é também um setor. E umaseita? O que é uma seita? É muito simples: quando uma religião conseguiu estabelecer-se oficia lmente, declara que todo o grupo que não aceitar os seus dogmas, as suas crenças, as suas práticas,é uma seita. É,
pois, a Igreja oficial que se pronuncia. Ao longo d a História, quantas pessoas não foram presas, perseguidas e queimadas sob o pretexto de que se tinham afastado das doutrinas de uma Igreja! E depois, mais tarde, foi a História que, por sua vez, se pronunciou sobre os juízos feitos por essa Igreja...
Na realidade, não é aos homens que compete julgar o que é sectário e o que não é, mas sim ànatureza. É isto que não sabeis e que será novo para vós. Imaginai um membro de uma Igreja que trabalhou para a propagaçã o da fé; certamente não o acusarão de pertencer a uma seita. Mas existe uma o utra opinião a seu respeito, um outro juízo, algures na natureza, e ele é condenado como sectário! Sim, a natureza considera-o sectário e atira-o para uma cama, para o hospital ou para o cemitério: ele não pensava nem agia em conformidade com determinad as leis da natureza viva e inteligente, ignorava-as ou negligenciava-as, não v ivia em harmonia com o Todo, e foi classificado como sectário apesar da opinião de tod os os crentes. Ao passo que a outro, que é acusado de sectário por esses mesmos c rentes, a natureza, pelo contrário, mostra que o aprova, dando-lhe a saúde, a paz, a plenitude. Porquê aceitar como juízes aqueles que não têm discernimento algum ? É a Inteligência Cósmica, e apenas ela, que sabe se somos ou não sectários.
Se lançarmos um olhar sobre o mundo, o que é que co nstatamos? Todos escolhem as suas atividades conforme o seu temperamento, os seus gostos, ou conforme as condições, as circunstâncias, sem pensarem em desen volver-se em todos os planos. Ora, o homem, que foi criado com intelecto, coração e vontade, deve trabalhar nestes três domínios para se manifestar como um ser verdad eiramente equilibrado. A experiência mostra que muito raramente se encontram seres igualmente desenvolvidos nestes três domínios: pensamento, sen timento e ação; uns são intelectuais sem coração e sem vontade, outros são uns voluntariosos sem miolos, e assim por diante... Sim, por todo o lado só se vê g ente enferma: pessoas muito dotadas num dos aspetos mas com grandes lacunas em todos os outros.
No entanto, se pusermos essa questão à Inteligência Cósmica ela dir-nos-á que o seu objetivo era criar o homem à imagem do Criador, capaz de compreender a perfeição, de a amar e de a realizar na terra. Por que é que Jesus disse: «Sede 2 perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeitoele sabia o que dizia! O»? Porque homem foi criado para se tornar omnisciente, todo a mor e omnipotente como o seu Pai Celeste; por isso, aqueles que não fizeram mais do que desenvolver-se nos domínios para os quais tinham mais capacidade – a matemática , a poesia, a música, a natação... (sim, se observardes as pessoas, verific areis que a maioria se desenvolve apenas nestes aspetos tão limitados) – são sectário s, e o que é muito grave é que eles não sabem que o são.
O homem deve, pois, desenvolver-se nos três planos – o do intelecto, o do coração e o da vontade – a fim de compreender, amar e reali zar... O quê? O Reino de Deus e a 3 Sua Justiça na terra. Só nesta condição é que ele será “salvo”, e não do modo como a maioria dos cristãos o imagina. Será que para ir para o Céu e ficar à direita do Senhor bastará ter fé e praticar algumas boas ações ? Coitado do Senhor, rodeado de pessoas grosseiras e ignorantes, de glutões, de bêb edos, de fumadores, de devassos! O modo como viveram não tem importância nenhuma, el es tinham fé e consideravam-se a si próprios como justos, por isso irão direiti nhos ao Paraíso... Mas escutai e vereis o que lhes acontecerá.
Havia na Bulgária um sacerdote do rito ortodoxo que não parava de criticar a sua mulher; chamava-lhe ignorante e pecadora, considera ndo-se ele próprio um modelo de perfeição. Um dia, sentindo que ia partir para o al ém, despediu-se da mulher: «Adeus, minha esposa, encontrar-nos-emos no Paraíso.» Passa do algum tempo, ela também morreu. Chegada ao Paraíso, começou a procurar o se u querido marido. Procurou, procurou... mas não conseguiu encontrá-lo! Dirigiu-se então a S. Pedro, que se pôs a folhear o seu grande livro: «Não o encontro, disse ele, com certeza ele está... lá em baixo!» E deu à mulher um salvo-conduto para descer ao Inferno. Depois de procurar um pouco, o que vê ela? O marido dentro de um calde iro de água a ferver! Só tinha a cabeça de fora. Ela exclamou: «Oh! Meu pobre marido , em que horrível situação te encontras! – Não me lamentes, disse ele, isto ainda é um privilégio: estou em cima da cabeça do metropolita!»
É isto que acontece a tantos que se julgam muito ju stos: vão fazer uma estadiazinha no Inferno antes de voltarem à terra p ara aprenderem a desenvolver-se até à perfeição. Segundo a Ciência Iniciática unive rsal, a maioria dos humanos, que ainda não atingiram a perfeição, são sectários.
Vejamos agora esta tendência, hoje tão generalizada , de trabalhar para um grupo: um sindicato, um partido político, um país... Esta atitude, que passa por ser generosa, na realidade é bastante egocêntrica, bastante pesso al. Desde que não vise a felicidade e a paz de toda a humanidade, a vossa atividade é limitada, portanto é sectária. Se a própria ciência nos revela que fazem os parte da vida cósmica, se devemos a nossa existência não só à terra, à água, ao ar, ao sol, mas também às 4 estrelas, por que é que havemos sempre de fechar-no s sobre nós próprios?
E, aliás, já decifrastes os segredos da terra, da á gua, do ar e do fogo graças aos quais a nossa existência é possível? Dir-me-eis: «Quais segredos? O que há assim de tão importante para compreender?» Muitas coisas, e, entre outras, a seguinte: observai o nosso planeta; as terras ocupam nele uma área limitada, os mares uma área mais vasta, o ar uma ainda mais vasta, e o fog o, a luz, vai até ao infinito. Isto significa que também nós devemos ir até ao infinito .
Reparai ainda: quanto tempo conseguis viver privado s destes elementos? Podeis estar sem comer durante cinquenta ou sessenta dias, sem beber, só uma dezena de dias, sem respirar, apenas alguns minutos, mas, no momento em que o vosso coração perder o seu calor, morrereis. Isto prova que o ele mento sólido é menos importante que o elemento líquido, o elemento líquido menos im portante que o elemento gasoso, e o elemento gasoso menos importante que o elemento etérico – o calor, a luz.
Como vedes, o mais necessário ao homem é este eleme nto etérico que enche o espaço. Então, em vez de continuarem agarrados aos problemazinhos da vida, oprimidos e esmagados por eles, por que não procura m os homens a imensidão, a universalidade, a liberdade? Porque têm uma mentali dade sectária! Se olharmos para os religiosos, para os políticos, para os economistas, etc... só encontraremos sectários, mas, como eles são os últimos a dar-se c onta disso, lutam afanosamente contra as seitas!...
Existirão, é certo, seitas maléficas – mas eu ignoro quais, porque não me ocupo disso, o meu trabalho é outro –, e é normal que lhe s limitem as suas práticas nocivas. Mas aqueles a quem cabe pronunciar-se a esse respei to devem ser pessoas honestas
e sem opiniões preconcebidas, capazes de perceber q uem trabalha para gerar a anarquia e a desordem e quem trabalha para trazer a paz, a justiça e a felicidade à humanidade, ou seja, o Reino de Deus e a Idade de Ouro.
Acrescentarei agora algumas palavras que serão como que o resumo, a síntese, de toda a filosofia iniciática. Existe na Bulgária uma mulher que é uma das maiores clarividentes do mundo: chama-se Vanga. Tantas veze s ela já deu provas dos seus dons que até o governo a consulta e mandou construi r um hotel perto da sua casa para acolher os que, de todo o mundo, vêm visitá-la . O que acontece de muito particular com Vanga é que ela é cega; os que quere m consultá-la devem fazer chegar às suas mãos um pedaço de açúcar em que tenham toca do e, simplesmente por intermédio desse pedaço de açúcar, ela consegue diz er às pessoas tudo sobre o seu passado, o seu presente e o seu futuro, com uma pre cisão espantosa.
Como explicar isso? É simples. Cada ser emana peque nas partículas impalpáveis, invisíveis, ainda não estudadas pela ciência, partículas essas que se propagam pela atmosfera e se depositam nos objectos, impregnando-os. Deste modo, nós deixamos nos objetos e nas pessoas com que contactamos um po uco das nossas virtudes, das nossas forças, da nossa luz, ou, pelo contrário, um pouco das nossas doenças, dos nossos vícios, das nossas impurezas. Portanto, sem nos darmos conta, nós fazemos bem, e, também sem nos apercebermos, fazemos mal. M as, mesmo que os pratiquemos inconscientemente, todos os nossos atos são registados, e um dia 5 seremos recompensados ou punidos conforme o bem ou o mal que tivermos feito.
A verdadeira religião baseia-se, portanto, numa ciê ncia resultante da observação de fenómenos que são visíveis para alguns seres evoluí dos. Os que recusam reconhecer esta ciência são livres de o fazer, mas um dia verã o onde isso os levará. Em todo o caso, dir-vos-ei que quem quer ignorar esta ciência é sectário. Sim, quem não quer tomar consciência da influência dos seus pensamento s, dos seus sentimentos e de todos os seus estados interiores sobre a coletivida de, é sectário: faz o que lhe apetece, sem se preocupar com o mal que pode causar aos outros, nem com o bem que poderia fazer-lhes. Agindo assim, limita-se; po rtanto, é sectário.
1 Cf.La pierre philosophale – des Évangiles aux traités alchimiques, Col. Izvor n.º 241, cap. I: «Sur l’interprétationdes Écritures: 1. «La lettre tue et l’esprit vivifie» – 2. La parole de Dieu».
2 Cf.O verdadeiro ensinamento do Cristo, Col. Izvor n.º 215, cap. III: «Sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito».
3 Op. cit., cap. IV: «Procurai o Reino de Deus e a Sua Justiça».
4 Cf.Les fruits de l’Arbre de Vie – La tradition kabbalistique, Œuvres complètes, t. 32, cap. VII: «Les quatre éléments» eA via do silêncio, Col. Izvor n. 229, cap. XIII: «As revelações do céu estrelado».
5 Cf.O Livro da Magia Divina, Col. Izvor n.º 226, cap. IX: «Três grandes leis mágicas: 1. A lei do registo».