A batalha de Toro

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The Project Gutenberg EBook of A batalha de Toro, by António Francisco BarataThis eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it,give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this eBook or online atwww.gutenberg.netTitle: A batalha de ToroAuthor: António Francisco BarataRelease Date: April 29, 2008 [EBook #25238]Language: Portuguese*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK A BATALHA DE TORO ***Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images of public domain material from Google Book Search)A BATALHA DE TOROA BATALHA DE TOROPORAntonio Francisco BarataBARCELLOSTypographia da Aurora do CavadoEditor—R. V.1896Tiragem apenas de 100 exemplares20 em papel de linho, 80 em papel d'algodão.N.º____Por muitas vezes hei escripto, e mais uma ainda aqui o faço, embora com isso se possam morder uns tantos malsoffridos, a quem a cega Fortuna tem dispensado innumeros favores mais devidos a seus inexplicaveis caprichos,d'ella, do que ao merito proprio, d'elles, e invejosos, apesar dos beneficios com que injustificadamente colmados, dovalor real de outros a quem a mesma Fortuna tem sido sempre adversa; mais uma vez sobre tantas outras direi que éAntonio Francisco Barata, da Bibliotheca de Evora, um dos mais talentosos, dos mais sabedores, dos maisconspicuos e benemerentes homens de lettras do nosso paiz, e d'aquelles a quem devidos são mais respeitos ...
Publié le : mercredi 8 décembre 2010
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TTohreo ,P rboyj eAcnt tóGnuitoe nFrbaenrgci sEcBoo Boka roaft aA batalha deThis eBook is for the use of anyone anywhere atno cost and with almost no restrictions whatsoever.You may copy it, give it away or re-use it under theterms of the Project Gutenberg License includedwith this eBook or online at www.gutenberg.netTitle: A batalha de ToroAuthor: António Francisco BarataRelease Date: April 29, 2008 [EBook #25238]Language: Portuguese*E**B OSTOAK RAT  BOAFT TAHLIHSA  PDREO TJOECRTO  G**U*TENBERGProduced by Pedro Saborano (produced fromscanned images of public domain material fromGoogle Book Search)
A BATALHA DE TORO
A BATALHA DE TOROROPAntonio Francisco BarataBARCELLOSTypographia da Aurora do CavadoEditor—R. V.1698Tiragem apenas de 100 exemplares20 em papel de linho, 80 em papel d'algodão.N.º____Por muitas vezes hei escripto, e mais uma aindaaqui o faço, embora com isso se possam morderuns tantos mal soffridos, a quem a cega Fortunatem dispensado innumeros favores mais devidos aseus inexplicaveis caprichos, d'ella, do que aomerito proprio, d'elles, e invejosos, apesar dos
beneficios com que injustificadamente colmados,do valor real de outros a quem a mesma Fortunatem sido sempre adversa; mais uma vez sobretantas outras direi que é Antonio Francisco Barata,da Bibliotheca de Evora, um dos mais talentosos,dos mais sabedores, dos mais conspicuos ebenemerentes homens de lettras do nosso paiz, ed'aquelles a quem devidos são mais respeitos econsiderações; muito mais que tudo, e omuitissimo que é e vale, bem documentado emtodos os ramos, bem o posso dizer, da litteratura,a si só e ao seu incansado e fadigoso labutar odeve, desajudado de todo o auxilio e protecção; emuito mais que a seu luminoso espirito, vastaerudição, e superior manusear da opulenta linguapatria, predicado hoje tão raro até entre os nossosescriptores de primeira plana, reune umaacendrada probidade litteraria, um indiscutivelamor das cousas portuguezas, e de suas glorias,um caracter levantado e austero, e umahombridade respeitavel e digna, não bandeados ásconveniencias ordinarias da vida.Irresistivelmente me acodem estas palavras aosbicos da penna, ao lançar, em reduzida e modestaedição, ao nosso mundo litterario, o breve trabalhopor Antonio Francisco Barata escripto ao correr dapenna e de momento, a proposito do que nasReparaciones Historicas escreveu sobre a«Batalha de Toro», o sabio academico hespanhol osr. Don A. Sanchez Moguel. Esta é que é umaverdadeira «reparação historica», muito paraagradecer e louvar a quem a traçou.[A]
Rodrigo Velloso[A] Vão aqui estas palavras, irresistiveis comoo digo, e tanto como a força da verdade, árevellia do sr. Antonio Francisco Barata, ebem receio que ellas molestem sua conhecidamodestia. Se assim fôr, releve-m'as elle comsua usual benevolencia.
A BATALHA DE TORO1.º de Março de 1476Desde que, ha um anno, li o notavel livro doAcademico Madrileno, o sr. A. Sanches Moguel:Reparaciones historicas, impresso em Madrid em1894, me ficaram desejos de revistar osconhecimentos que eu tinha, havia muito, acercada Batalha de Toro, ou de Zamora, pois que o livroa isso me convidava 'nesta affirmativa: "Toro es,en efecto, el desquite de Aljubarrota", que se lê apaginas 292.Permeiando-se a meus desejos a feitura de umlivro de historia patria: Monja de Cistér, terminadoe em via de publicidade, só agora vou mostrar aoillustre amigo, sabio e cathedratico o resultado darevista e confirmação do que eu tinha apprendido,em leituras antigas.Primeiramente: para que Toro seja desquite(desforra) de Aljubarrota, importa estudar ascircumstancias, os pormenores dos doiscombates. Em poucas palavras direi o que secolhe dos livros, tanto portuguezes comocastelhanos.Ambas as batalhas se feriram em campina plana,ou levemente ondulada.Combateram em Aljubarrota 30:000 castelhanos
contra 10:000 portuguezes, numeros redondos.O rei de Portugal batalhou a pé, como qualquercavalleiro; os castelhanos traziam cavallaria, queos portuguezes não tinham; traziam a rudimentarartilheria, os trons; logo: tinham por si o numero,tres vezes maior, artilheria e cavallaria.Ninguem contesta a derrota total, formalissima doscastelhanos em menos de meia hora!Em Toro, ou Zamora, empenharam-se forças quenão se estudaram ainda bem; uns dão maiornumero aos castelhanos (o que é natural) outroslhe concedem forças eguaes ou quasi eguaes.O rei de Castella não combateu na batalha deToro; collocou-se a uma legoa de distancia(certamente lembrando Aljubarrota) e desatou afugir mal viu volver costas a seis alas do seuexercito, ante as forças esforçadas do filho de D.Affonso V; os portuguezes levavam artilheria; ocombate prolongou-se por tres horas, com muitavalentia de parte a parte; Affonso V não venceu;mas venceu o filho; logo:A Batalha de Toro não foi a desforra da deAljubarrota, porque para o ser, forçoso seria haveregualdade nos elementos constitutivos dos doisexercitos. Para uma cousa ser antithese de outrapreciso é que o seja em todas as suasparticularidades.CA aBstatelallah ac odnet rTa oarso  fdoei  gAfafnohnas op eVl,a sp ofro ruçmasa  ddeessas
eventualidades da guerra, que nem seus cabosexplicam, muitas vezes, e a que as crençasreligiosas chamam: a influencia do Deus dasvictorias. Não nego que o mesmo se possa dizerda de Aljubarrota; possivel seria que S. Jorgevencesse 'nella a Sant'Iago.Mas a batalha de Toro foi ganha pelas forças doPrincipe D. João de Portugal e do Bispo d'Evora,D. Garcia de Menezes, contra as seis alas doexercito de Castella, que fugiram acossadas edesfeitas.Em Aljubarrota não ficára um castelhano nocampo, que não fosse ou morto, ou prisioneiro.Em Zamora ficou senhor do campo em que secollocára depois da lucta com os seus vencedores,o Principe de Portugal, D. João.Será, pois, isto um desquite de Aljubarrota?Entendo que não.Se escreverem que o fôra por ter posto fim águerra desgraçada do ambicioso Africano, entendoque sim.Mas, não basta esta synthese de leitura feita, quetem ares dogmaticos: preciso é o mostrar comotanto portuguezes, como castelhanos, comofrancezes, como allemães criticaram o combate deToro. Começarei pelos de casa, como é natural:—"E porem o Pryncipe despois do desbarato que
fez, ally onde acabou de recolher sua jente, esteveno campo em hum corpo çarrado sem nuncamover atrás sua bandeira…"[1]—"El Principe al tiempo del fracaso padecido de suPadre iva seguindo el alcance de las seys alas yarotas, pero quando entendió lo que pasava (aderrota do pae) aun que non pudo revocar a todosde la corriente que llevavam apiñose con los quepudo y otros que de otra parte de su Padrevencida se le acercaron, en una elevacion…"—"Fué vencida esta parte; (a de Affonso)confesamoslo; sin que lo doremos. Pero el huyruna del campo y quedar otra vitoriosa en el varridode los contrarios, digan los doctos en los estudiosmilitares que nombre há de tener, mientras yo queno los professo no sé como le hé de llamar, pueshallo quien no quiere que le llamemos vitoria…"[2]—"..a nosso Senhor aprouve que nos deixassem ocampo, adonde com gloriosa victoriapermanecemos vencedores…"[3]    —Porem depois, tocado de ambição    E gloria de mandar, amara e bella,    Vae commetter Fernando de Aragão,    Sobre o potente reino de Castella.    Ajunta-se a inimiga multidão    Das soberbas e varias gentes della,    Desde Cadix ao alto Pyrineo,    Que tudo ao rei Fernando obedeceo.        ON ãmo aqnucize fbioc aJr onaonsn er;e ien olos gooc ioorsdoena
    O mancebo Joanne; e logo ordena    De ir ajudar ao pae ambicioso,    Que então lhe foi ajuda não pequena.    Sahio-se emfim do trance perigoso    Com fronte não turvada, mas serena,    Desbaratado o pae sanguinolento;    Mas ficou duvidoso o vencimento;    Porque o filho sublime e soberano,    Gentil, forte, animoso cavalleiro,    Nos contrarios fazendo immenso damno    Todo um dia ficou no campo inteiro.[4]—"… em que cada um dos exercitos ficou meiovencedor, meio vencido…""O Principe D. João depois de seguir & deperseguir por largo espaço aos que vencera, & lhefugião, voltando a soccorer seu pay, e achando-ovencido, se manteve no campo, senhor d'elle,como vencedor…"[5]Derrotado D. Affonso fugiu de noite para CastroNuño. D. Fernando fugiu tambem para Zamora. OPrincipe vencedor ficou no campo, onde estevetres dias.[6]—"Le fils á Alphonse V, ayant culbuté partout lesennemis, resta maitre du champ de bataille et putse croire vainqueur".[7]—"O Principe ficou no campo cõ sua victoria e nãocurou seguir o alcance…"[8]Não cito mais portugueses, por inutil, para mostraro que escreveram os
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