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Trindade Coelho: estudo crítico e arquivo documental de um polígrafo finissecular

De
546 pages
Colecciones : DFM. Tesis del Tesis del Departamento de Filología ModernaTD. Humanidades
Fecha de publicación : 2010
[ES] Esta tesis es un estudio de la vida y obra de Trindade Coelho . Analiza los hechos y documentos de la literatura de Trindade y realiza una lectura crítica de sus obras.[EN] This thesis is a study of the life and work of Trindade Coelho. Analyze the facts and documents of the literature of Trindade and performs a critical reading of his works.
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UNIVERSIDAD DE SALAMANCA
FACULDAD DE FILOLOGIA





TRINDADE COELHO:
ESTUDO CRÍTICO E ARQUIVO DOCUMENTAL
DE UM POLÍGRAFO FINISSECULAR




JOÃO DOS SANTOS CABRITA DE ENCARNAÇÃO


ORIENTADORES:
PROF. DOUTOR ANGEL MARCOS DE DIOS
PROF. DOUTOR PEDRO SERRA

DOUTORAMENTO EM FILOLOGIA PORTUGUESA
SALAMANCA, 2010

ÍNDICE
Índice......................................................................................................................................3

Proémio.................................................................................................................................7

I.
Os
Estudos
Trindadeanos:
estado
da
questão....................................................11

II.
1.
Factos
e
documentos
da
bibliografia
de
Trindade
Coelho.......................27

II.
1.
A
etapa
estudantil..................................................................................................................27

II.
2.
A
terra
e
o
homem..................................................................................................................38

II.
2.1.
O
transmontano.........................................................................................................38

II.
2.2.
O
Senhor
Sete
e
outros
textos
avulsos.............................................................44

II.
3.
A
interrupção
de
um
percurso..........................................................................................65

II.
3.1.
O
ambiente
político‐social....................................................................................65

II.
3.2.
A
neurastenia.
Uma
carreira
que
chega
ao
fim............................................74

II.
3.3.
O
ano
da
morte
de
Trindade
Coelho.................................................................85

II.
3.4.
O
regresso
a
casa.......................................................................................................99

III.
Leitura
crítica
da
obra
trindadeana.................................................................111

III.
1.
Os
contos.................................................................................................................................111

III.
1.1.
Etimologia
da
palavra
“conto”........................................................................111

III.
1.2.
O
conto
como
género
narrativo.....................................................................113

III.
1.3.
O
conto
na
literatura
portuguesa
oitocentista.........................................121

III.
1.4.
O
corpus
de
Trindade
Coelho..........................................................................168

III.
1.5.
Perfil
temático‐formal
do
conto
trindadeano..........................................189

III.
1.6.
Trindade
Coelho,
entre
o
romantismo
e
o
realismo..............................196

III.
2.
Os
Meus
Amores:
“Forma
literária
encantadora”................................................209

III.
2.1.
Os
contos
em
análise
a
partir
da
3ª
edição...............................................209

III.
2.2.
Amorinhos:
Contos
trazidos
da
tradição
oral..........................................260

III.
2.3.
Outros
Amores.
Um
produto
de
emoções..................................................265

III.
2.4.
Regionalismos
em
Os
Meus
Amores,
Amorinhos
e
Outros
Amores293

III.
3.
O
Fabulista.
Uma
escrita
herdada
da
escola..........................................................300

III.
3.1.
O
Fabulário
português.......................................................................................300

III.
3.2.
A
fábula
em
Trindade
Coelho..........................................................................305

IV.
Outros
géneros
de
um
Escritor
polígrafo........................................................315

IV.
1.
In
Illo
Tempore.....................................................................................................................315

IV.
1.1.
A
vida
académica..................................................................................................315

IV.
1.2.
Os
Lentes..................................................................................................................315

IV.
1.3.
Os
Futricas...............................................................................................................315

IV.
1.4.
A
sociedade
coimbrã...........................................................................................315

IV.
2.
O
Epistológrafo....................................................................................................................330


IV.
2.1.
A
epistolografia
em
Portugal...........................................................................331

IV.
2.2.
Trindade
Coelho
–
epistológrafo...................................................................339

IV.
3.
O
Jornalista............................................................................................................................362

IV.
3.1.
Uma
actividades
jornalística
sem
limites...................................................362

IV.
3.2.
Os
pseudónimos....................................................................................................362

IV.
4.
O
Educador............................................................................................................................374

IV.
4.1.
A
produção
didáctica..........................................................................................374

IV.
4.2.
A
preocupação
pedagógica...............................................................................374

IV.
4.3.
O
Meu
Livrinho......................................................................................................374

IV.
5.
O
Cidadão,
o
Jurisconsulto
e
o
Magistrado..............................................................400

IV.
5.1.
“A
Minha
Candidatura
por
Mogadouro”.....................................................400

IV.
5.2.
O
Manual
Político
e
outros
textos..................................................................423

Conclusão.........................................................................................................................475

Bibliografia......................................................................................................................483

1.
Obras
de
Trindade
Coelho......................................................................................................483

2.
Sobre
Trindade
Coelho............................................................................................................485

3.
Geral................................................................................................................................................487

4.
Jornais
e
revistas........................................................................................................................497

Apêndices.........................................................................................................................503


















Ao João
Que já vai dando conta das páginas de um livro

PROÉMIO
Tomei contacto com Trindade Coelho num período de inquieta
adolescência, vivida no imediatismo do quotidiano, ao mesmo tempo
que desenhava no meu horizonte sonhos e quimeras que se foram
diluindo e transformando na minha existência.
Em tempos de verões cálidos, numa tentativa de agarrar um saber
enciclopédico inculcado nas escolas de então, a ampulheta em dias de
exame obrigava-me a conhecer Trás-os-Montes e outros espaços que ia
observando através do mapa. Ficava lá longe. Num percurso de nunca
mais acabar. De um frio intenso contrastante com a temperatura da
minha terra natal.
Depois dei por mim a ler Trindade Coelho. In Illo Tempore descobri-o
numa biblioteca aonde voltei há pouco tempo. Soube que era de
Mogadouro, terra a que, afectivamente, me liguei por razões que guardo
quando comecei a despontar para a vida. Procurei saber onde era
Caçarelhos.
Camilo confirmou-me essa terra. O deputado que, por daí abaixo,
tinha chegado a Lisboa de utopia na mão que caíra como um anjo e era
político.
O “meu” Trindade Coelho de hoje não é o mesmo da minha
adolescência. Na vida tudo se transforma. “Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades”. A consciência dos homens também varia,
quantas vezes ao sabor das vicissitudes epocais. Quão diferente é o
Portugal de hoje, parecendo diluir-se na voracidade de uma globalização
7

que nos faz perder o pé e deitar por terra o conceito de nacionalidade
para os mais cépticos, quando há vozes avisadas que prognosticam o fim
de uma pátria milenária. Em entrevista concedida ao Diário de Notícias em
15 de Julho de 2007, conduzida por João Céu e Silva, José Saramago
afirma que Portugal acabará por se integrar na Espanha, constituindo
mais uma província do país vizinho, formando-se, assim a Ibéria. O país
não deixaria de falar e escrever o português, continuando com a sua
própria cultura embora se processasse uma integração territorial,
administrativa e estrutural.
Que sortilégio transmite este homem para me ligar a ele, agora que
são volvidos quase cem anos após a sua morte? À medida que a minha
experiência e a minha evolução se vão processando, eu vejo Trindade
Coelho como uma figura diferente. Ele já não é só o autor que me
entusiasmou com “as aventuras” académicas do In Ilo Tempore, onde eu
acrescentei entusiasmo no meu imaginário buscando um espaço como
estudante; ele é hoje o ponto de encontro da minha serenidade como
homem e cidadão. Autor precoce de uma vasta obra contemplando
jornais e revistas é um modelo e um arquétipo para os que lutam, sofrem
e vencem, atingindo patamares onde poucos se alcandoram.
José Francisco Trindade Coelho, de seu nome, tem sido estudado a
partir, sobretudo, da sua produção. Embora tivesse soçobrado muito
cedo à vida, foi muito o que deixou para a posteridade. A ficção, a
epistolografia, o texto de carácter jurídico e pedagógico são instrumentos
de que se serve o investigador trindadeano. Muitos foram, pois, os textos
autobiográficos legados para os que apreciam o fenómeno literário ligado
à biografia. Depois são os especialistas que monopolizando o autor
escalpelizam o pedagogo, o jornalista, o homem público, o contista, o
8

jurista e o político, não esquecendo o mistério da sua morte inopinada.
O escritor transmontano, homenageado e reconhecido no seu ecletismo,
exumado na sua polivalência, tem sido dissecado até ao mais pequeno
pormenor.
Não sendo Trindade Coelho propriedade de ninguém, não sendo
por isso um caso encerrado de investigação, como se a sua pessoa e a sua
obra não oferecessem campo de manobra para quem aprecia a Literatura
Portuguesa, tão rica, no entroncamento dos séculos XIX e XX, foi meu
propósito ordenar e acrescentar algo mais acerca deste homem que um
dia a morte o arrebatou para o imortalizar; assim delineei apresentá-lo
nas suas várias facetas encimadas por este pequeno capítulo de carácter
introdutório. Porque penso e estou seguro que o esquecimento tem, de
algum modo, tomado conta do escritor, praticamente olvidado dos
compêndios escolares e dos livros da especialidade no âmbito em que
Trindade Coelho, escritor polígrafo, mais se distinguiu, o Conto, a
Fábula, o Jornalismo e a Educação, entendi por bem dedicar um capítulo
a cada uma destas vertentes, com maior acuidade na análise do conto,
onde é considerado um dos maiores especialistas portugueses.
A sua condição de estudante num período muito difícil da vida
portuguesa, não passará ao lado deste trabalho de investigação, bem
como a sua face de pedagogo e educador que muito tentou fazer pelo
seu país e pela sua terra em particular. O advogado e Delegado do
Procurador Régio, profissão, de onde extraía a sua pecúnia, também
merecerá atenção.
Ainda, o Escritor telúrico, embaixador de Trás-os-Montes por terras
onde estudou e trabalhou merecerá, naturalmente, a minha apreciação,
bem como a sua morte ocorrida quase no findar de uma monarquia que
9

corria a passos largos para a celebração do seu Requiem. Dentro da
medida do possível, procurarei o enriquecimento icónico, resultado de
um aturado trabalho por bibliotecas, hemerotecas, alfarrabistas, arquivos
e museus, que serviram de sustento e de certificação ao documento que
inquiri e que ia conquistando nesta tentativa de chegar mais além.
Sendo Trindade Coelho memória de cada um de nós, contributo
maior para a vida colectiva deste país que pugna pela singularidade e
culturas diferentes, apesar de encravado numa Europa onde a
multiculturalidade são marcas de uma globalização que avança de modo
inexorável, é minha determinação evocá-lo; ele, hoje, arredado dos
compêndios e dos areópagos das discussões literárias, homem ilustre do
seu tempo, admirado e louvado pelo seu ecletismo. Lido e citado por
aqueles que à cultura dedicam o seu tempo, é justo que o lembremos
como exemplo de um Trás-os-Montes que teima em dizer que para lá do
Marão mandam os que de lá são...
Recordemo-lo na sua vida de 47 anos, em ano de morte de D.
Carlos e no do seu falecimento, a precipitar o país para o fim da
monarquia, por cuja manutenção foi fiel servidor.

10

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