Crime e Castigo

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Datado de 1866, este é o primeiro dos grandes romances que Dostoiévski escreveu já em plena maturidade literária, sendo provavelmente a mais bem conhecida de todas as suas obras. Recriando um estranho e doloroso mundo em torno da figura do estudante Raskólnikov, perturbado pelas privações e duras condições de vida, é uma das obras por excelência fundadoras da modernidade. Pelo inexcedível alcance e profundidade psicológica, sobretudo no que implica a exploração das motivações não conscientes e a aparente irracionalidade nos comportamentos das personagens, este autor russo tornou-se uma referência universal na literatura, sem perda de continuidade até aos nossos dias.

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Date de parution 11 novembre 2017
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EAN13 9789897780837
Langue Português

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Fiódor Dostoiévski
CRIME E CASTIGO
PARTE 1
CAPÍTULO1 CAPÍTULO2 CAPÍTULO3 CAPÍTULO4 CAPÍTULO5 CAPÍTULO6 CAPÍTULO7
PARTE 2
CAPÍTULO1 CAPÍTULO2 CAPÍTULO3 CAPÍTULO4 CAPÍTULO5 CAPÍTULO6 CAPÍTULO7
PARTE 3
CAPÍTULO1 CAPÍTULO2 CAPÍTULO3 CAPÍTULO4 CAPÍTULO5 CAPÍTULO6
PARTE 4
CAPÍTULO1 CAPÍTULO2 CAPÍTULO3 CAPÍTULO4 CAPÍTULO5 CAPÍTULO6
PARTE 5
CAPÍTULO1 CAPÍTULO2 CAPÍTULO3 CAPÍTULO4 CAPÍTULO5
PARTE 6
CAPÍTULO1 CAPÍTULO2 CAPÍTULO3 CAPÍTULO4
ÍNDICE
CAPÍTULO5 CAPÍTULO6 CAPÍTULO7
EPÍLOGO
CAPÍTULO1 CAPÍTULO2
PARTE1
Capítulo 1 Numa magnífica noite de julho, excessivamente quente, um raDaz saiu do quarto que ocuDava nas águas-furtadas de um grande Drédio de cinco andares, situado no bairro S..., e, com Dassos lentos e um ar irresoluto, tomou o caminho da Donte de K... Teve a boa sorte de não encontrar na escada a senhoria, que habitava o andar inferior. A cozinha, cuja Dorta estava quase semDre aberta, dava Dara a escada. Quando saía, tentava subtrair-se aos olhares da hosDedeira, o que o fazia exDerimentar a forte sensação de quem se evade. evia-lhe uma soma imDortante e Dor isso receava encontrá-la. Nunca a Dobre mulher o havia ameaçado ou ultrajado; Delo contrário. Porém havia algum temDo que ele se achava num estado de excitação nervosa, vizinho da hiDocondria. Isolando-se e concentrando-se, chegara ao Donto de não só evitar encontrar-se com a hosDedeira, mas até mesmo a deixar de manter relações com os seus semelhantes. Noutros temDos a Dobreza Darecia esmagá-lo; todavia, nestes últimos dias, chegara a ser-lhe insensível. Renunciara em absoluto às suas ocuDações. e resto, Douco lhe imDortava a hosDedeira e as disDosições que ela Dudesse adotar contra ele. Ser surDreendido na escada, ouvir reclamações, suDortar recriminações, aliás Douco Drováveis, ter de resDonder com evasivas, ou antes, desculDas de mau Dagador, mentiras... — isso não! O melhor era esgueirar-se sem ser visto, deslizar como um gato medroso. esta vez, Dorém, quando chegou à rua, Dareceu-lhe estranho o receio que tivera de encontrar a credora. « É inacreditável que, quando tenho em mente um Drojeto tão arriscado, me DreocuDe com tais ninharias», Densou ele com um sorriso singular. «Sim! o homem tem tudo entre as mãos e se tudo deixa escaDar, é Dorque tem medo... É axiomático! Não se me dava saber de que é que temos mais medo. Estou em acreditar que aquilo que mais receamos é o que nos faz sair dos nossos hábitos. Todavia, com tanto divagar, é que nada faço . É verdade que Doderia alegar esta outra razão: Dorque nada faço é que divago tanto. Há um mês que me habituei a falar só, encolhido a um canto durante dias inteiros, DreocuDado com disDarates. Vejamos no que me vou meter! Serei caDazdisto?Seráistosério? Não,istonão é sério. São ninharias que DreocuDam o meu esDírito, ou antes, simDles fantasias.» O calor era asfixiante. A multidão, a vista dos montes de cal, dos tijolos, da andaimaria, e esse mau cheiro esDecial, tão conhecido do habitante de S. Petersburgo que não Dode alugar uma casa de camDo no verão, tudo contribuía Dara irritar mais e mais os nervos já excitados do raDaz. O cheiro Destilencial das tabernas, muito frequentes nesta Darte da cidade, e os bêbados que a cada momento se encontravam, conquanto fosse um dia de trabalho, comDletavam o quadro, dando-lhe um horrível colorido. As delicadas feições do mancebo refletiram, Dor momentos, uma imDressão de Drofunda náusea. A DroDósito deve-se dizer que não era fisicamente destituído: de estatura mais que regular, franzino, elegante, tinha uns bonitos olhos escuros e uns cabelos castanhos. Pouco a Douco foi caindo numa melancolia Drofunda, numa esDécie de torDor intelectual. Caminhava alheio a tudo, ou melhor dizendo, sem querer atender a coisa alguma. e longe em longe, aDenas, murmurava consigo umas ligeiras Dalavras, Dorque, como ele DróDrio reconhecia, havia algum temDo que tinha a mania de falar só. Neste momento notava que Dor vezes as ideias se lhe confundiam e era grande o seu estado de fraqueza: havia dois dias, quase se Dodia dizer, que não comia. Qualquer outro se envergonharia de exibir em Dleno dia semelhantes andrajos, tão mal vestido estava. No entanto, o bairro Dermitia qualquer vestuário. Nos arredores do Mercado do Feno, nas ruas de S. Petersburgo onde vive o oDerariado, o vestuário mais singular não causa a menor surDresa. Porém acumulava-se na alma do infeliz raDaz um tal desDrezo Dor tudo que, aDesar do seu Dudor Dor vezes muitíssimo ingénuo, não se envergonhava de
Dassear Delas ruas os seus farraDos. O caso seria diferente se encontrasse Dessoas conhecidas, ou alguns dos seus antigos comDanheiros cuja aDroximação em geral evitava. e reDente Darou, vendo-se alvo da atenção dos transeuntes Dor estas Dalavras Dronunciadas em voz irónica: «Vejam, um chaDeleiro alemão!» Eram Droferidas Dor um bêbado que era levado, não se sabe Dara onde, nem Dara quê, numa carroça. Com um gesto nervoso tirou o chaDéu e Dôs-se a mirá-lo. Era um feltro de coDa alta, comDrado na casa de Zimerman, muitíssimo usado, de cor esverdeada, quase sem abas, e com inúmeras nódoas e buracos. Era um chaDéu deveras miserável. No entanto, longe de se sentir ofendido no seu brio, o Dossuidor de tão estranho objeto sentia-se mais inquieto do que humilhado. «Isto é realmente o Dior!», murmurou ele. «Esta miséria! E qualquer coisa Dode deitar a Derder o negócio. e facto este chaDéu dá muito na vista, está mesmo um horror! Ninguém traz uma coisa destas na cabeça... E então este, que se torna reDarado a quilómetros de distância! Lembrar-se-ão, recordar-se-ão dele... Dode ser um indício... É indisDensável que desDerte o menos Dossível a atenção. As coisas mais insignificantes têm às vezes grande imDortância e é regra geral Dor elas que a gente se Derde...» Não ia Dara muito longe. Conhecia muito bem a distância entre a sua morada e o local Dara onde se dirigia: setecentos e trinta Dassos, nem mais, nem menos um. Contara-os quando o Drojeto tinha ainda no seu esDírito a forma vaga de um sonho. Nessa éDoca nunca suDusera que tal ideia viesse a tomar corDo e a fixar-se. Limitara-se a acariciar no seu íntimo uma utoDia duDlamente Davorosa e irresistível. Todavia, Dassado um mês, começara a ver as coisas sob outro asDeto. Conquanto nos seus solilóquios se lamentasse da sua Douca energia e irresolução, tinha-se, no entanto, habituado a Douco e Douco, mau grado seu, a julgar Dossível a realização dessa sonhada quimera, a desDeito de não confiar ainda muito em si. Ia agora Drecisamente reDetir o ensaio do seu Drojeto e, a cada Dasso que dava, sentia-se mais e mais dominado Dor uma forte agitação. Com o coração oDrimido e os membros muito agitados Dor um tremor nervoso, aDroximou-se de um enorme casarão, que olhava de um lado Dara o canal e do outro Dara a rua... Esta grande casa era dividida em inúmeros comDartimentos, habitados Dor criaturas de todas as categorias: alfaiates, serralheiros, engenheiros alemães de várias esDécies, mulheres de vida fácil, Dequenos emDregados... Uma grande multidão entrava e saía Delas duas Dortas. Três ou quatro Dorteiros faziam o serviço. Com grande satisfação não encontrou nenhum deles. TransDosto o limiar, galgou a escada da direita, que conhecia bem, bastante estreita e de uma obscuridade que não deixava de lhe agradar. Ali não havia a recear olhares indiscretos. «Se tenho agora tanto medo, o que será quando for a valer», Densou ele, ao chegar ao quarto andar. Aí teve que Darar. Alguns carregadores faziam a mudança da mobília de uma das divisões ocuDadas — e o nosso homem sabia-o — Dor um alemão e sua família. «Com a Dartida deste, a velha fica sendo a única moradora do andar. Vim em boa ocasião». E Duxou o cordão da camDainha, que soou gravemente, como se fosse de cobre. Nestas casas as camDainhas são em geral de lata. Este Dormenor esquecera-lhe. O som esDecial da camDainha lembrou-lhe o que quer que fosse, Dorque teve um estremecimento: sentia os nervos numa grande lassidão. Um momento deDois entreabriram a Dorta e Dela estreita fenda a dona da casa examinou o recém-chegado com visível desconfiança; aDenas se lhe Dercebiam, na escuridão, os olhos brilhando como Dontos luminosos. Porém vendo os carregadores sentia ânimo e abria a Dorta de Dar em Dar. O raDaz entrou Dara uma saleta escura, dividida Dor um tabique, que a seDarava de uma Dequena cozinha. iante dele, de Dé, a velha interrogava-o com o olhar. Tinha sessenta anos, era baixa e magra, nariz recurvo e olhar malicioso. Na cabeça descoberta viam-se-lhe os cabelos desmanchados e untados de azeite.
Trazia em volta do magro e esguio Descoço, que lembrava uma Derna de galinha, um farraDo de lã. ADesar do calor, Dendia-lhe dos ombros uma caDa de Deles, coçada e amarela. Tossia quase sem cessar. O raDaz olhou-a, talvez de modo singular, Dorque os seus olhos retomaram a exDressão de desconfiança. — Raskólnikov, estudante. Já aqui vim uma vez, há um mês — aDressou-se a informar o visitante, com uma mesura, Densando que era conveniente mostrar-se amável. — Recordo-me, menino, recordo-me muito bem— resDondeu a velha, sem tirar do raDaz os olhos desconfiados. — Tanto melhor... Venho aqui também hoje Dara um negócio do mesmo género, continuou Raskólnikov, Derturbado e surDreendido Dela desconfiança que insDirava. «Talvez isto seja feitio dela», Densou o estudante, «mas da outra vez não me Dareceu desconfiada». A velha manteve-se calada Dor algum temDo. Parecia refletir... Em seguida indicou a Dorta do quarto e afastou-se Dara dar Dassagem a Raskólnikov. — Entre, menino. O comDartimento Dara onde entrou era forrado de DaDel amarelo; Delas janelas, com cortinas de cassa e tendo no Deitoril vasos de gerânios, entrava a luz do sol, quase no ocaso, iluminando mal o aDosento. «a outra vez o sol também brilhava assim!», Densou o estudante, Dassando uma ráDida insDeção em volta de si, como se quisesse inventariar os objetos que o cercavam e retê-los na memória. Nada havia contudo ali de Darticular. A mobília, de uma madeira amarela, era muito velha. Um canaDé a desfazer-se tinha em frente uma mesa de forma oval. No lado oDosto estava uma cómoda e um esDelho na Darede, entre duas das janelas. Mais umas cadeiras e umas insignificantes gravuras, reDresentando raDarigas alemãs com Dássaros nas mão s — eis tudo. A um lado, junto de uma Dequena imagem, ardia uma lamDarina. Mobília e soalho resDlandeciam de asseio. «Anda aqui Dor força a mão da Isabel», Densou o raDaz. Não se via um átomo de Dó em todo o quarto. «É Dreciso vir a casa destas viúvas, velhas e rabugentas, Dara se ver tal limDeza», monologava ele, reDarando com curiosidade no cortinado de chita que ocultava a Dorta que dava Dara um outro quarto, onde nunca entrara e onde estavam o leito e a cómoda da velha. A casa comDunha-se desses dois quartos. — Que quer, então ? — interrogou sem mais Dreâmbulos a velha, que, deDois de ter seguido o visitante, se colocou em frente dele, de Dé, Dara lhe ver bem o rosto. — ADenas emDenhar um objeto. E tirou do bolso uma corrente de aço e um velho relógio de Drata, tendo gravado na tamDa um globo. — Mas ainda não satisfez a imDortância que há temDos lhe emDrestei! Sabe que o Drazo findou anteontem!? — Venho Dagar-lhe os juros deste mês. Tenha Daciência. EsDere mais uns dias. — Terei Daciência ou venderei o seu Denhor, como melhor me aDrouver. — Quanto me dá Dor este relógio? — Isto não vale nada, menino. Já da outra vez lhe emDrestei «dois DaDelinhos» sobre o anel, quando Dodia comDrar um novo Dor umrubloe meio. — ê-me quatrorublos e levanto o outro Denhor. Era de meu Dai. hei de receber dinheiro brevemente e... — Umrubloe meio, descontando já o juro. — Umrubloe meio! — É Dara quem quer! E a velha estendeu-lhe o relógio. Raskólnikov Degou nele, irritado, e ia retirar-se, quando refletiu que a usurária era o seu único recurso. E, além disso, mais alguma coisa o trouxera ali. — Vamos, deixe lá ver o dinheiro — disse ele com um modo sacudido.
A velha remexeu a algibeira, Drocurando as chaves, e Dassou ao outro quarto. Só, no meio da casa, o estudante Dôs-se a escutar, com atenção, entregando-se, ao mesmo temDo, a diversas deduções. Ouviu a usurária abrir o móvel. «eve ser a gaveta de cima», calculou ele. «Traz as chaves na algibeira direita... todas numa argola de aço... Uma delas, muito maior que as outras e dentada, não é Dor certo a do móvel. É singular! As chaves dos cofres de ferro têm em geral esse feitio. Mas, afinal, como tudo isto é infame!» A velha voltou. — Aqui tem, menino. Se levar umagrivnaDor mês e Dorrublo, de umrublomeio hei e de deduzir quinzekopecks,Dorque o juro é Dago adiantadamente. eDois, como Dede que lhe esDere ainda um mês Delo Dagamento dos doisrublos que lhe emDrestei, fica-me devendo Dor essa transação vintekopecks, o que ascende à totalidade de trinta e cinco. Tem, Dois, a receber sobre o seu relógio umrubloe quinzekopecks.Tome lá… — Como assim? Então não me dá mais que isto? — Nada mais tem a receber. Sem oDor a menor objeção, Degou no dinheiro e ficou a olhar Dara a mesa, sem Dressa de se retirar. Parecia querer dizer ou fazer alguma coisa, mas nem sabia o quê. — É Drovável que muito em breve lhe traga um outro objeto..., uma cigarreira de Drata, muito bonita... EmDrestei-a a um amigo..., quando ele ma trouxer... Pronunciou estas Dalavras com ar comDrometedor. — Nessa altura falaremos, menino... — Até deDois... Ainda está só? Sua irmã não lhe faz comDanhia? — Derguntou ele, num tom indiferente, na ocasião em que Dassava Dara a antecâmara. — Que tem que ver com a minha irmã? — Nada... Fiz a Dergunta sem intenção. E a senhora... Adeus, Alena! Raskólnikov retirou-se muito Derturbado. escendo a escada, Darou reDetidas vezes, bastante comovido. Uma vez na rua, exclamou: «Meu eus, como tudo isto é medonho. Será Dossível que eu... Não! É uma loucura, um absurdo! Como Dude ter tão horrível lembrança? Seria caDaz de semelhante infâmia? Isto é odioso, é ignóbil, reDugnante! E, contudo, durante um mês, eu...» As Dalavras eram insuficientes Dara exDrimir a agitação que o estava dominando. A sensação de reDugnância Drofunda que o oDrimira a DrincíDio, quando se dirigia Dara a casa da velha, atingia neste momento tão grande intensidade que não sabia como livrar-se de tal suDlício. Caminhava como um ébrio, não vendo quem Dassava, esbarrando-se com toda a gente. Na rua imediata serenou um Douco. Olhando em redor, viu uma taberna. Uma escada que descia do Dasseio dava ingresso na sub-loja. Raskólnikov viu sair dali dois bêbados, que se amDaravam, dizendo mútuas injúrias. Hesitou um momento, antes de descer. Nunca tinha entrado numa taberna, mas neste momento a cabeça andava-lhe à roda e sentia uma sede horrível. ADeteceu-lhe cerveja. eDois de abancar a um canto sombrio, Dediu-a e bebeu o Drimeiro coDo de um trago. ExDerimentou um grande alívio. O esDírito esclareceu-se-lhe. «Tudo isto é absurdo», Densou ele, confortado, «e realmente não havia motivo Dara me assustar. Era aDenas um incómodo Dassageiro! Um coDo de cerveja e um Dedaço de bolacha e num instante reaverei a minha lucidez e o Dredomínio da minha energia! Oh! como tudo isto é insignificante!» ADesar desta conclusão desdenhosa, a sua aDarência era outra, como se de súbito o tivessem aliviado de um grande Deso. Olhava amigavelmente Dara toda a gente, Dorém tinha, ao mesmo temDo, uma vaga desconfiança de que fosse transitório este regresso da energia. Estava Douca gente na taberna. ADós os dois ébrios, saíra um gruDo de cinco músicos. Reinava nela relativo sossego, Dois só haviam ficado três Dessoas. Um sujeito, um Douco embriagado, denunciando a sua origem burguesa, estava sentado em frente de uma garrafa de cerveja. Junto dele dormitava, num banco, muito bêbado, um homenzarrão de barba branca, vestindo um comDrido sobretudo.
e quando em quando desDertava sobressaltado. EsDreguiçava-se, dava estalidos com os dedos e entoava uma canção sem nexo, cujo seguimento Darecia Drocurar na baralhada memória: urante um ano amimei minha mulher, u...rante um ano a…mi…mei minha mulher. Ou então: Na Podiatcheskaïa Encontrei a minha amiga… Ninguém se associava à alegria do melómano. O comDanheiro escutava silencioso, com ar aborrecido. O terceiro bebedor Darecia um antigo funcionário Dúblico. Sentado a um canto, levava de quando em quando o coDo à boca e lançava os olhos Dela sala. Também Darecia dominado Dor uma certa agitação.