O Talismã
30 pages
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O Talismã , livre ebook

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Description

Publicado em 1825, «O Talismã» é a obra fundadora do romance histórico tal como o conhecemos hoje. Combinando elementos reais com uma trama ficcional, o escocês Walter Scott conta a história de dois nobres líderes que se respeitam e admiram mutuamente – o rei inglês Ricardo Coração de Leão e o líder mouro Saladin –, mas que disputam a posse de Jerusalém...

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Informations

Publié par
Date de parution 17 janvier 2023
Nombre de lectures 0
EAN13 9789897789540
Langue Português

Informations légales : prix de location à la page 0,0050€. Cette information est donnée uniquement à titre indicatif conformément à la législation en vigueur.

Extrait

Walter Scott
O TALISM Ã
t í tulo original | the talisman
autor | walter scott
tradu çã o | c. lopes de moura
capa | mim é tica
imagem da capa | edmund blair leighton: “ que deus te acompanhe ” (1900)
pagina çã o | mim é tica
copyright | 2019 © mim é tica para a presente tradu çã o
 
esta edi çã o respeita o novo acordo ortogr á fico da l í ngua portuguesa
Í ndice
 
 
 
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
 
 
Capítulo 1
 
 
 
O sol brilhante da S í ria n ã o atingira ainda o ponto mais alto do horizonte, quando um cavaleiro da cruz vermelha, que abandonara o seu lar distante no Norte da Europa para se juntar ao ex é rcito dos cruzados na Palestina, atravessou lentamente os desertos arenosos dos arredores do mar Morto, ou como é chamado, do lago Asfaltite, onde as á guas do Jord ã o se lan ç am como que num mar mediterr â nico cujas ondas n ã o t ê m qualquer escoamento.
O guerreiro peregrino viajara penosamente por entre os rochedos e os precip í cios durante a primeira parte da manh ã ; mais tarde, entrara na grande plan í cie, onde as cidades malditas provocaram outrora a vingan ç a terr í vel do Omnipotente.
O viajante esqueceu a fadiga, a sede e os perigos do caminho, ao recordar a cat á strofe medonha que convertera num deserto á rido e sombrio o belo e f é rtil vale de Siddim, outrora irrigado como o jardim do Senhor, agora condenado a uma esterilidade eterna.
Persignando-se ao ver ondular a massa negra das á guas, que n ã o se assemelhavam, nem na cor nem na qualidade, à s de qualquer outro lago, estremeceu, pensando que sob aquelas ondas lentas jaziam as orgulhosas cidades da plan í cie, cujo t ú mulo foi cavado pela trovoada do c é u ou pela erup çã o de um fogo subterr â neo. Este mar, sob o qual desapareceram os seus escombros, n ã o cont é m um ú nico peixe vivo, nenhum barco cruza a sua superf í cie e, como se o seu leito fosse o ú nico recet á culo conveniente a á guas t ã o impuras, n ã o envia, como os outros lagos, um tributo ao oceano: toda a terra à volta era apenas, como no tempo de Mois é s, sal e enxofre; « nada era semeado; nada se produzia e nenhuma erva ali crescia » . O ep í teto de Morto podia aplicar-se tanto à terra como à á gua do lago, pois n ã o se notava qualquer apar ê ncia de vegeta çã o e o pr ó prio ar estava desprovido dos seus habitantes alados, expulsos, sem d ú vida, pelos vapores betuminosos que os raios escaldantes do sol extraem da superf í cie do lago. Estes vapores tomam o aspeto de um nevoeiro e surgem algumas vezes sob a forma de uma tromba de á gua. Massas dessa subst â ncia viscosa e sulf ú rica chamada nafta, que vogavam sobre as ondas sombrias e indolentes, forneciam novos vapores à s nuvens rolantes e pareciam testemunhar de maneira imponente a verdade da hist ó ria de Mois é s.
O sol brilhava sobre esta cena de desola çã o, e toda a natureza viva parecia ter-se furtado aos seus raios, exceto o peregrino solit á rio que pisava a areia esvoa ç ante e que parecia ser o ú nico ser dotado de vida em toda a superf í cie da planura. Dir-se-ia tamb é m que o traje do cavaleiro e o equipamento do seu cavalo tinham sido propositadamente escolhidos, pois eram os menos adequados para viajar numa tal regi ã o: uma cota de malha de compridas mangas, guantes cobertos de placas de metal e uma coura ç a de a ç o; do pesco ç o pendia-lhe um escudo triangular e usava um elmo de a ç o por baixo do qual flutuava um capuz. Um gorjal de malha, rodeando os ombros e o pesco ç o do guerreiro, preenchia o intervalo entre a cota e o capacete; as pernas e as coxas, como o resto do seu corpo, estavam protegidas por malhas flex í veis e os p é s metidos em sapatos guarnecidos de placas, como os guantes.
Uma espada comprida, de gume duplo, com punho em forma de cruz, harmonizava-se com um grande punhal colocado do lado direito. Firme sobre a sela, o cavaleiro trazia na m ã o a sua arma usual, a comprida lan ç a, guarnecida de a ç o, cuja extremidade repousava no estribo e a cujo ferro estava agarrado um pequeno pend ã o que flutuava por tr á s dele enquanto cavalgava. Ao peso deste equipamento é preciso acrescentar uma esp é cie de manto solto, em tecido bordado, muito gasto e muito usado, mas que era ú til na medida em que impedia que os raios escaldantes do sol batessem na armadura, o que tornaria o calor insuport á vel. Viam-se em v á rios lugares do manto as armas do cavaleiro, em parte apagadas. Pareciam ser um leopardo deitado com a divisa: « Eu durmo, n ã o me acordem! » A mesma divisa parecia ter decorado o seu escudo, embora os golpes que este recebera tivessem deixado apenas alguns vest í gios. O topo achatado do seu elmo pesado e cil í ndrico n ã o tinha qualquer cimeira a ornament á -lo. Ao conservar a sua pesada armadura defensiva, os cruzados do Norte pareciam querer desafiar a natureza do clima e do pa í s aonde tinham vindo trazer a guerra.
O equipamento do cavalo pouco menos maci ç o era do que o do cavaleiro. A sua pesada sela, revestida de a ç o, unia-se à frente, a uma esp é cie de coura ç a que lhe cobria o peitoral e atr á s a uma outra armadura defensiva que lhe protegia os rins. Uma acha de a ç o, esp é cie de martelo a que se chamava ma ç a-de-armas, estava suspensa ao ar çã o da sela; as r é deas estavam seguras por uma cadeia de metal e a testeira do freio era uma placa de a ç o com aberturas para os olhos e as ventas e cuja extremidade superior era guarnecida de uma lan ç a curta e agu ç ada.
Mas o h á bito que se torna numa segunda natureza, tinha tornado o cavaleiro e a sua montada capazes de suportar o fardo desta pesada pan ó plia. Na verdade, um grande n ú mero de guerreiros partidos do Ocidente para acorrer à Palestina, tinham encontrado a í a morte antes de se ter podido aclimatar a este c é u escaldante mas, para outros, este clima tinha deixado de ser perigoso: tinha-se tornado at é mesmo salutar. Entre este pequeno n ú mero de afortunados estava o solit á rio cavaleiro que atravessava nesse momento as margens do mar Morto.
A natureza, que tinha dado aos seus membros a for ç a e o vigor necess á rios para usar uma pesada cota de malha, tinha-o dotado de uma constitui çã o n ã o menos forte para desafiar as mudan ç as de clima, as fadigas e as priva çõ es de toda a esp é cie. O seu car á ter parecia partilhar, em certa medida, das qualidades do seu corpo. Se o seu corpo possu í a tanta energia quanta for ç a e paci ê ncia, na sua alma ardia, sob uma apar ê ncia calma, esse amor entusiasta e essa sede de gl ó ria, que constitu í am o principal atributo da ra ç a normanda que tinha transformado os seus aventureiros em soberanos, em todos os pa í ses da Europa para onde tinham levado as suas armas.
Contudo, n ã o era a todos os filhos desta ra ç a ilustre que a fortuna concedia recompensas t ã o sedutoras, e as que o cavaleiro solit á rio tinha obtido durante uma campanha de dois anos na Palestina tinham sido apenas a fama temporal e tamb é m, como lhe tinham ensinado a acreditar, privil é gios espirituais. Durante este tempo, a sua bolsa, j á ligeira à partida, tinha-se esgotado tanto mais facilmente que ele n ã o tinha recorrido a nenhum dos expedientes habituais aos quais os cruzados se rebaixavam para obter novos recursos, a expensas dos infelizes habitantes da Palestina; ele n ã o exigia presentes, para poupar os seus haveres quando fazia a guerra aos Sarracenos e n ã o tinha tido ocasi ã o de se enriquecer pelo resgate de alguns prisioneiros importantes. O pequeno s é quito que o tinha acompanhado desde o seu pa í s natal havia diminu í do à medida que desapareciam os seus meios para o manter. O ú nico escudeiro que lhe restava encontrava-se doente nesse momento, for ç ado a permanecer no leito e n ã o podia seguir o seu senhor que, como j á dissemos, viajava sozinho. Esta circunst â ncia parecia pouco importante ao cruzado, habituado a considerar a sua boa espada como a mais segura escolta e os seus pensamentos devotos como a sua melhor companhia.
Contudo, apesar da constitui çã o f é rrea e do car á ter paciente do cavaleiro do leopardo adormecido, a natureza exigia-lhe que tomasse algum alimento e repouso. Assim, cerca do meio-dia, viu com alegria duas ou tr ê s palmeiras que se erguiam junto da nascente pert

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